“Clara situação de violência e abuso”, dizem especialistas sobre abordagem policial truculenta em Piaçabuçu
Discussão aconteceu nesta sexta, no programa Segurança em Foco, na TV MAR
Especialistas discutiram, na manhã desta sexta-feira (5), a abordagem policial truculenta sofrida por dois jovens no município de Piaçabuçu. Anne Caroline Fidelis, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de Alagoas (OAB/AL), Jeamerson Santos, representante do Movimento Bancada Negra e o professor universitário Magno Francisco estiveram no programa Segurança em Foco, da TV Mar, e classificaram o ato como abusivo e desproporcional.
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Segundo Anne Caroline, as imagens da ação de policiais militares contra os dois jovens deixa clara a desproporcionalidade da abordagem, uma vez que eles não estavam sendo ameaçados.
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“Pela filmagem, fica muito claro que as pessoas que estavam sendo agredidas não ofereciam perigo. É uma clara situação de violência e de abuso dessas pessoas (policiais militares) que estão ali representando o Estado e que têm o dever legal de proteger e não de ser agente de insegurança, como aconteceu nessa situação”, disse.
Ela informou, ainda, que a OAB de Alagoas já enviou ofícios tanto ao Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), como para o comando militar da PM para que sejam tomadas providências na seara criminal e também diante da Corregedoria Geral da Justiça de Alagoas.


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Para o representante do Movimento Bancada Negra, Jeamerson Santos, o fato evidenciou o despreparo profissional dos policiais militares naquela ocasião. “O agente dá disparos de tiro, que poderia causar um óbito, e mesmo atirando no chão é um uso desproporcional. É um indivíduo sem preparo para utilizar seu instrumento de trabalho. Naquela situação, os policiais não podem nem alegar que estavam em risco de vida”, afirmou.
Magno Francisco, professor universitário, refletiu sobre os efeitos sociais que atos de violência, como o registrado em Piaçabuçu, podem ter. “É preciso que a gente compreenda que a violência é um instrumento de poder, porque se impõe através do medo, como também é algo lucrativo. Portanto, em sociedades capitalistas, as mesmas elites que controlam o estado, e portanto também controlam as forças de segurança, controlam os modelos de negócio”, concluiu.
