Chuvas comprometem produção agrícola e serviços de infraestrutura em Alagoas
Período chuvoso deve se estender até a 1ª quinzena de agosto e Prefeitura de Maceió garante seguir com ações: "Torcemos por mais dias de sol"
As fortes chuvas que caem na capital e interior do estado começam a trazer consequências nada animadoras. É que, embora muitos comemorem os níveis de precipitação, com a água a transbordar açudes e barragens, há quem já acumule sérios prejuízos com o excesso do líquido precioso. Na capital, por exemplo, a população tem se queixado dos buracos que se formam em via pública, quando o Município se vê "de mãos atadas", à espera de uma trégua para a plena execução de serviços de infraestrutura.
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No campo, a situação também preocupa. Se a água é problema em tempos de estiagem, o excesso dela também é motivo de inquietação. Isso porque muitos produtores, sem o devido manejo, têm visto a água da chuva encharcar plantações inteiras, obrigando-os a buscar alternativas para se evitar maiores danos.
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É o caso do agrônomo Jalme Calheiro, produtor de banana em Santana do Mundaú, município da Zona da Mata de Alagoas. Segundo ele, o excesso de chuva é nocivo principalmente quando não se tem um "plano B". "No caso da banana, sua raiz apodrece e a planta murcha. Não há o que fazer quando não se tem o manejo adequado. É redobrar o cuidado e saber tirar proveito da situação", explicou o produtor, que já respira aliviado ao saber que as chuvas tendem a diminuir em agosto próximo.
"Para evitarmos novas perdas, vamos participar de um curso a ser realizado no dia 31 de julho, em Santana do Mundaú, que já foi o segundo maior produtor de laranja lima do mundo. O objetivo é auxiliar os produtores da região, já que a chuva não tem piedade. Com ele, pretendemos melhorar a produção que, hoje, não passa de 70 laranjas por pé", contou Calheiro, acrescentando que a meta é colher 300 laranjas por cada pé plantado já na próxima safra.


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Em Maceió, a situação é ainda mais delicada, pois as fortes chuvas têm retirado famílias inteiras de suas casas, com a Defesa Civil a condenar as moradias erguidas em áreas de risco. Some-se a isso os deslizamentos de terra, além dos transtornos provocados pelo excesso de buracos nas ruas da cidade, devido à formação de vários pontos de alagamento. Contudo, segundo a meteorologia, "o pior já passou".
É o que garante o meteorologista Vinícius Pinho, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Segundo ele, as chuvas que caem em Alagoas neste mês de julho são consideradas típicas do período. "A tendência é que tenhamos chuvas dentro do esperado para este mês, com algo em torno de duzentos e quarenta milímetros. E deve chover bem menos no mês seguinte", explicou Vinícius, sobre o fenômeno que deve se estender ao menos até a 1ª quinzena de agosto.
"São dois os sistemas, sendo um de alta pressão e que se desloca do oceano em direção ao continente, enquanto o outro consiste numa banda de nebulosidade que também se dirige à costa. Quanto ao final de semana, o tempo deve seguir instável até amanhã [sábado], com a chuva se intensificando um pouco mais no domingo", revelou o meteorologista, esclarecendo que as chuvas dos últimos dias nada têm a ver com as que resultaram nas enchentes de maio. "As de agora são moderadas. Claro que o processo é dinâmico, mas, desta vez, podemos afirmar que o pior já passou", disse.
E a previsão já serve de alento à Prefeitura de Maceió, que segue trabalhando para minimizar os efeitos da chuva na capital. É o que garante Dinário Lemos, coordenador da Defesa Civil Municipal - que, após levantamento, identificou 76 áreas de risco ao longo de toda a cidade. Segundo Dinário, o monitoramento destas áreas é ininterrupto.

"Tomamos ciência das ocorrências na medida em que as chuvas começam a cair. Inclusive, a Secretaria Municipal de Infraestrutura já iniciou, no dia de ontem, o trabalho de contenção de galeria de águas pluviais no Mutange, após registro de deslizamento. Estamos trabalhando. O grande problema é que, na maioria das situações, a exemplo dos buracos que se formam em vias públicas, a Prefeitura somente consegue executar o serviço necessário quando o solo está seco", afirmou Dinário.
"Temos trinta e três metas a cumprir, conforme levantamento feito em conjunto com a Defesa Civil Nacional, que esteve em Maceió por ocasião das enchentes de maio. Por isso, sempre comemoramos quando se tem ao menos dois ou três dias de sol. É quando conseguimos retomar ações como poda de árvores e demolição de edificações que ameaçam desabar. E sem chuva, reduzimos nossa tensão, com as equipes já podendo subir as encostas da cidade", emendou o coordenador, destacando também a importância da liberação de recursos - o que ainda não aconteceu, com o prefeito Rui Palmeira (PSDB) a se queixar da postura do governo federal - para a execução de mais obras estruturantes.
