Abrasel cobra revisão de decreto do Estado que proíbe música ao vivo

Entidade diz que é possível seguir protocolos e manter shows em bares e restaurantes

A Associação de Bares e Restaurantes de Alagoas (Abrasel) informou que busca reverter a decisão que proíbe música ao vivo nos estabelecimentos do estado. O decreto com a nova medida, publicado nesta quarta-feira (23) pelo Governo do Estado, busca conter o avanço da Covid-19 em Alagoas, e traz também uma restrição de funcionamento até no máximo às 00h para os estabelecimentos.
Segundo o presidente da associação, Thiago Falcão, as articulações começaram quando a situação epidemiológica começou a se agravar e uma restrição maior passou a ser provável. "A Abrasel conseguiu reverter a situação do horário de funcionamento, que estava previsto para às 22 horas", disse em vídeo. O horário final, estabelecido para as 00h, foi considerado "razoável" pelo presidente na atual situação.
"A questão da música ao vivo, que solicitamos a permanência dando soluções como diminuição do quadro de apresentações, diminuição de horários, infelizmente, esse ponto não foi atendido", conta Thiago. 
Para tentar minimizar os prejuízos enfrentados pelos músicos, a Associação lançou uma campanha entre os associados, pedindo que o público pague o couvert artístico nos estabelecimentos e que o valor seja repassado ao músico que tocaria no dia.
"Com isso, a gente tenta minimizar um pouco desse problema e solicita ao estado uma procura de flexibilização em relação a esse entendimento da permanência da música ao vivo nos estabelecimentos", disse.
Thiago destaca ainda que a associação tomou diversas medidas durante a pandemia para conscientizar os associados sobre as medidas de segurança necessárias. "A Abrasel sempre trabalhou de forma muito responsável", disse. Entre as medidas, ele citou a Blitz do Bem, que visitava bares e restaurantes para reforçar a necessidade de adequações, como distanciamento entre mesas.
Em julho, com a reabertura dos bares, um ofício foi enviado pelo Governo do Estado para a Associação afirmando que os estabelecimentos desrespeitavam as normas ao permitirem música ao vivo. À época, a Abrasel afirmou ser injusto os músicos arcarem com os erros do que chamou de uma minoria de estabelecimentos que não respeitam as normas sanitárias.
Até então, nenhuma norma publicada em decretos sanitários do governo estadual ou de prefeituras proibiam música ao vivo nos estabelecimentos. "A categoria dos músicos, também fortemente afetada pela pandemia, precisa iniciar sua retomada de forma segura e gradual", disse a Abrasel, em nota.
Os músicos não podem parar
Em nota, a Abrasel destaca que a campanha pede que os associados mantenham o estilo musical de cada cantor que se apresentaria tocando em som ambiente, sem a apresentação do mesmo. 
Além disso, os empresários deverão sugerir que, de maneira voluntária e não obrigatória, os clientes e frequentadores paguem a taxa de R$ 3 do Couvert Solidário. 
A Abrasel pede ainda que 100% do dinheiro arrecadado seja revertido ao músico que se apresentaria no local naquele dia. "Desta maneira, mesmo de longe, conseguiremos nos unir em prol de quem mais precisa. Contamos com o seu apoio", destaca a Associação.