Sob a batuta de Diniz e ao lado de Nene, Cano reencontra o caminho das redes e volta a ser decisivo no Vasco

Argentino passou por jejum de gols na época em que o Cruz-Maltino era comandado por Lisca. Contudo, se recuperou com a vinda do novo técnico e tem feito boa dupla com Nene

Apesar do rebaixamento, na última temporada, um atleta do Vasco se destacou e tornou-se peça fundamental dentro das quatro linhas. Trata-se de Germán Cano, que conquistou a torcida com seus gols, mas também com sua postura exemplar fora de campo. Na época em que o técnico Lisca esteve à frente do time, o argentino passou por um longo jejum sem marcar, mas voltou a ser decisivo com a vinda de Fernando Diniz.

Na reta final do primeiro turno, Lisca chegou e trouxe esperança para um Cruz-Maltino que convivia em uma verdadeira gangorra na tabela. Na estreia, uma goleada sobre o Guarani com direito a gol de Cano. Contudo, a partir disso, o camisa 14 deixou de fazer o L - comemoração característica - em 10 partidas, em seu maior jejum sem gols desde que assinou com o Vasco.

Lisca pediu demissão depois da derrota para o Avaí e Fernando Diniz chegou para tentar iniciar uma arrancada e recolocar o clube na elite do futebol brasileiro. E logo no primeiro jogo, contra o CRB, Cano marcou, de letra. No período do jejum, foram 880 minutos sem marcar e 22 finalizações até reencontrar as redes.

Sob a batuta de Diniz, já foram três gols - contra CRB, Confiança e Coritiba - e diversos fatores podem explicar esse com as redes. Ele passou por uma fase ruim, e, obviamente, a culpa não é só de Lisca. O argentino perdeu chances nessa época, esteve abaixo do esperado, mas também sofreu ao ficar isolado e a bola chegar pouco.

No estilo de jogo de Diniz, Cano tem sido mais combativo na frente. Com um esquema voltado à recuperação da posse de bola na frente, os atacantes marcam a saída de bola do adversário. Eles são responsáveis por darem o primeiro combate nesta marcação alta, forçando o erro do sistema defensivo dos rivais.

Contra o Coritiba, Cano e Morato foram os jogadores que mais acertaram interceptações na frente. Na construção, há uma maior aproximação entre os atletas, com mais movimentação. Com companheiros mais próximos da linha da bola, o argentino tem com quem trabalhar, pode aparecer mais, e ser decisivo.

- A torcida canta e a gente procura fazer com que o time jogue. Acho que hoje (contra o Coxa) aconteceu. O que não faltou foi vontade em nenhum momento. Isso fica muito visível pela participação do Nene e do Cano. Acho que o Cano nunca correu e marcou tanto como hoje. Igual eu disse. Fui questionado em uma entrevista em uma entrevista pelo fato dele jogar fora da área. Ele fez gol e ajudou o time a ganhar. Então ele ser artilheiro não é algo que eu possa ajudar. Ele sempre foi artilheiro - disse Diniz, e emendou:

- O que podia contribuir com ele era que ele participasse mais do processo coletivo, e ele participa cada vez mais. Ele é um jogador, um artilheiro que só joga melhor, e ele só se torna cada vez mais imprescindível. Tenho certeza que quem acompanha futebol vê ele com olhos ainda muito mais positivo. Esse trabalho coletivo, essa entrega está fazendo o Vasco ganhar confiança - completou.

Parceria com Nene e sintonia dentro e fora de campo

Um fator para o crescimento do time no campeonato também é a chegada de Nene. Experiente e identificado com a torcida, o camisa 77 divide o protagonismo e os holofotes com Cano e tem feito uma boa dupla dentro e fora de campo. A sintonia é notória, como foi na entrevista pós-triunfo sobre os paranaenses. Um mais carismático e outro cada vez mais solto.

Com Diniz no comando, Cano marcou três gols e deu uma assistência. Na Série B, o argentino é o artilheiro da equipe com nove tentos e com a camisa do Gigante da Colina já foram 41 e seis assistências em 94 partidas. Superou Petkovic como maior artilheiro estrangeiro do clube no século XXI e é o segundo gringo a marcar mais gols pelo Vasco, atrás apenas do uruguaio Villadoniga, que tem 83.