Marta: a reinvenção para voltar a ser a melhor do mundo após oito anos
Depois de oito anos, craque consegue voltar a vencer a eleição da Fifa
Era noite de 7 de julho 2018, e Marta estava no vestiário do Orlando Pride, depois da vitória por 2 a 1 sobre o Washington Spirit, pela liga americana de futebol. Da mente dela não saia a jogada que acabara de fazer. Um golaço, com arrancada, dribles desmoralizantes e finalização no ângulo. Aos 32 anos, Marta contou à companheira de time, Camila, que se sentia como a Marta de 2006, quando começou a despertar admiradores e acumular troféus individuais. Em Londres, a alagoana comprovou que não foi uma sensação passageira sua, pois foi eleita - por 14,7% dos técnicos, capitãs e imprensa - a melhor do mundo pela sexta vez.
Tudo em um só lugar.
Receba as principais notícias do Gazeta Esportes no WhatsApp e fique por dentro de tudo!

Oito anos após faturar o quinto título, ela voltou a fazer o caminho até o palco que emula o Olimpo do futebol. Nenhum mortal foi eleito tantas vezes: nem Messi, que não foi indicado a esta final, tampouco Cristiano Ronaldo, que preferiu não dar as caras, já que seria desbancado por Luka Modric. O português e o argentino pararam em cinco conquistas. Marta ainda não parou.
Leia também
Marta surpreendeu ao desbancar duas jogadoras mais jovens do Lyon, da França, atual campeão da Liga dos Campeões: a norueguesa Ada Hegerberg, 23, e a alemã Dszenifer Maroszan, 26.
O comportamento da camisa 10 da seleção brasileira em campo já não é o mesmo do tempo em que ganhou a honraria cinco anos seguidos (entre 2006 e 2010). O hiato de oito anos fora do topo serviu para que Marta pudesse se reinventar.


Eleições 2026: tropas federais embarcam para cidades do estado

Carro invade praça após motorista perder o controle na Jatiúca

JHC chama eleição de “festa da democracia” e pede participação dos eleitores

JHC lamenta morte de morador de Arapiraca e transforma caso em bandeira pela saúde
Os gols como aquele de julho se tornaram mais raros, já que hoje ela constrói mais do que finaliza de jogadas. A arte e o talento, no entanto, continuam, como visto na conquista da Copa América com o Brasil.
- Ela não fez tantos gols porque a colocamos para fazer jogadas de fundo. Mas muitas assistências vieram do pé dela. A Marta não se privilegia do nome que tem. Por isso que ela cativa - diz Vadão, técnico da seleção.
Marta é definida como "fominha" por quem a cerca. Gosta de treinar, cobra a si mesma por acerto nos mais simples dos movimentos e rejeita regalias.
- Ela é a Marta. Mas não aceita tratamento diferente. Teve um teste físico no meio do ano. E o treinador falou para ela: "Você não precisa fazer até o final". Mas ela não quis saber e fez todas as etapas. Ela não deixou que esse "eu, Marta" passasse por cima da determinação do que ela pensa. Ela se dedica muito, não gosta de ficar fora de treino. Quando fica muito tempo de folga, ela não consegue ficar parada, vai para academia - conta Camila, companheira de Orlando, e que testemunhou de perto aquele marcante gol que fez Marta sentir-se tão satisfeita consigo mesma.
Marta chegou ao Orlando Pride em 2017. Ela já estava há cinco anos seguidos jogando no futebol sueco, onde encontrou abrigo em território europeu. Sem títulos de expressão com o Brasil, passou a ser preterida nas premiações individuais para outras expoentes do futebol feminino. Vieram Sawa, Wambach, Nadine Angerer, Lloyd e outras meninas que, merecidamente, conquistaram relevância na modalidade. Marta ficou fora do top-3 em 2015 e 2017. Mas voltou em grande estilo.
- Deu uma volta por cima interessante. Ela ainda é a Marta. Ela não é a Marta de 25 anos, mas ainda representa demais o futebol brasileiro - disse Vadão.
A vitória em 2019 no prêmio da Fifa depende diretamente do que a seleção brasileira fizer na Copa do Mundo feminina, que será na França. Talvez seja a última chance de uma conquista desse porte na carreira da melhor do mundo. São anos de frustrações acumuladas, tanto em Mundiais quanto em Jogos Olímpicos. A motivação, diante desse cenário, é alta.
- Ela diz que cansou de bater na trave.. A Marta acredita que com o grupo que temos podemos conquistar esse título. Ela é muito influente, a voz é forte. Nunca deixa de incentivar. Ela sabe a importância que tem para o Brasil - completa Camila.
O paradoxo é que, embora Marta seja a maior vencedora da Fifa, o torcedor brasileiro teve poucas chances de vê-la, fora Olimpíadas e Pan. Para ele, a fama dela é semelhante à dos craques do passado, como um grande jogador que atuou antes da era da televisão.
- Eu mesmo tenho dificuldade de ver os jogos. Vejo quando elas me avisam que vai passar em algum lugar na internet - diz Vadão.
Talvez leve um tempo para entender o que perdemos.
