Incêndio no CT do Flamengo começou no ar-condicionado, aponta laudo
Polícia Civil diz que fogo se alastrou devido a material do contêiner
Um laudo Polícia Civil sobre a tragédia no Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro foi divulgado nesta quarta-feira (8). Os peritos responsáveis, afirmaram que o incêndio iniciou em um curto-circuito no ar-condicionado de um dos quartos do centro de treinamento e que o fogo se espalhou rapidamente por conta do material que revestia as paredes dos contêineres. A tragédia que matou dez jovens atletas do Flamengo e deixou três feridos, completa três meses hoje.
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O laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli tem 33 páginas. Os peritos estiveram no Ninho do Urubu horas depois da tragédia e fizeram análises complementares em outros dias e, de acordo com o laudo, apontaram onde o incêndio começou: no motor do ar condicionado do quarto número seis.
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Os peritos chegaram a comparar uma foto do motor do aparelho danificado com uma imagem cedida pelo fabricante que mostra como a peça ficaria em caso de um curto. As imagens são semelhantes.
Muitas chapas metálicas que revestiam os contêineres usados como alojamentos indicavam ser compostas por uma espuma de poliuretano injetado, um material altamente inflamável. Segundo o laudo, isso permitiu um desenvolvimento rápido do incêndio até atingir o fenômeno chamado 'flashover', quando o calor da combustão aquece gradualmente todos os materiais combustíveis fazendo com que eles peguem fogo ao mesmo tempo.


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De acordo com os peritos, quase todos os revestimentos das divisórias dos quartos - feitos de espuma - pegaram fogo. Sobraram vestígios apenas da divisória dos quartos dois e três e de parte do quarto um.
Os peritos ainda encontraram mais irregularidades: o prédio ao lado dos contêineres, usado como vestiário, tinha instalações elétricas que alimentavam os módulos e estavam em desacordo com os princípios fundamentais da Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Fotos de fiação exposta, fios desencapados, condutores emendados, tomadas sem plugue e fios queimados foram tiradas pelos peritos. Eles afirmam que, durante o incêndio, as instalações elétricas continuavam energizadas indicando que não havia indícios de um sistema que desarmasse a rede.
A Polícia Civil está perto de encerrar o inquérito do caso. Ao longo de três meses mais de 50 pessoas foram ouvidas na delegacia. O último depoimento foi o do jogador do Flamengo Jonathan Ventura, que teve queimaduras em 35 % do corpo. Os investigadores dizem que ele se emocionou muito ao lembrar da tragédia.
O RJ2 procurou o Flamengo, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. A NHJ do Brasil, que fabricou os contêineres que pegaram fogo, disse que não tomou conhecimento do teor do laudo e que seus produtos são fabricados de acordo com os padrões técnicos internacionais.
