Gazeta entrevista espanhol técnico da seleção brasileira feminina de handebol
Com a missão de fortalecer equipe em ciclo olímpico que mira Tóquio 2020, Jorge Dueñas esteve em Alagoas e falou sobre seus desafios
O ciclo olímpico já está chegando em sua metade e as Olimpíadas de Tóquio, em 2020, se aproximam cada vez mais. Pensando nisso, a Confederação Brasileira de Handebol anunciou no último mês de agosto o nome do espanhol Jorge Dueñas como novo técnico da Seleção Feminina. Em seu primeiro mês de trabalho, o treinador colocou o pé na estrada e rodou o país, conhecendo a realidade do esporte no Brasil e ministrando cursos de capacitação para profissionais do Handebol brasileiro. No roteiro esteve a passagem por Alagoas, onde ainda acompanhou as disputas de duas competições importantes a nível regional e conversou com a reportagem da Gazeta sobre sua missão.
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Aos 54 anos, Dueñas chega à Seleção Brasileira com um vasto currículo no handebol internacional. Suas principais conquistas foram o bronze nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e no Mundial de 2011, em São Paulo, além da prata no Europeu de 2008, todos comandando a Seleção Espanhola.
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Simpático e de trato simples, Dueñas recebeu a reportagem no saguão do hotel onde estava hospedado e deixou claro seu objetivo à frente da Seleção.
"Entendo que minha chegada tem como objetivo os Jogos Olímpicos. Logicamente é o objetivo final e antes disso há outras competições e outras realidades do handebol brasileiro. Temos um mundial agora em dezembro que está muito próximo, mas também queremos um bom resultado. E aos poucos fazer as jogadoras entenderem a nova forma de trabalho, o modelo de jogo que pretendemos implantar, e nesse caminho até Tóquio renovar e introduzir novas jogadoras, mesclando com outras que já são importantes para nós, para chegarmos lá com uma boa equipe a fim de disputar o pódio", explica o técnico, ainda com uma fala carregada de um sotaque basco originário de Bilbau, sua terra natal.


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Dueñas chega com a dura missão de substituir o dinamarquês Morten Soubak, que deixou a seleção em dezembro do ano passado, após sete anos de trabalho. Soubak levou o time ao ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2011 e, atingiu o ápice da história do esporte no país com o título mundial na Sérvia, em 2013.
Questionado sobre o que o fez aceitar o desafio de comandar a Seleção Brasileira, já que pelo nome tinha mercado para continuar na Europa e outros centros, Dueñas classificou o desafio como engrandecedor para sua carreira.

"Penso que é um desafio importante. É uma seleção que está em alto nível há muito tempo, está entre as seleções de top a nível mundial e a oportunidade de dirigir jogadoras de alto nível com o objetivo de chegar a Tóquio, me motivou a aceitar o convite. Será engrandecedor também para minha carreira", conta o espanhol.
Jorge Dueñas assumiu oficialmente o cargo de técnico da Seleção Feminina no dia 1ª de agosto e em menos de um mês esteve em boa parte do Brasil aplicando cursos de capacitação para profissionais do handebol brasileiro e conhecendo a realidade do esporte no país, como ele mesmo diz.
"Minha ideia é conhecer o handebol brasileiro. Alagoas é o quarto estado que chegamos. Já passamos pelo Amazonas, Goiás e Santa Catarina. O que quero é que os treinadores brasileiros me conheçam e saibam que venho com ideia de trabalhar com eles em conjunto. Venho passando um pouco da filosofia que quero implantar no handebol brasileiro e, ademais, observar jogadoras de todo o Brasil, já que estamos em um processo de renovação e qualquer uma delas pode ser convocada e fazer parte da nossa equipe", explica.
Em Maceió, o treinador acompanhou ainda a disputa da Copa Nordeste de Seleções Cadete e a Liga Nacional - Conferência Nordeste, observando atletas e ampliando seu leque de opções para futuras convocações.
Em julho, ainda sob o comando do técnico interino Sérgio Graciano, a Seleção Feminina conquistou pela décima vez o troféu do Campeonato Pan-Americano Feminino de Handebol ao vencer, na final, a Argentina, na casa das adversárias, em Buenos Aires, sede da edição 2017 do torneio. Mesmo sem ainda estar no comando da equipe brasileira, Dueñas conta que observou a competição e gostou do que viu.
"Creio que o Pan-Americanos foi um torneio perfeito do Brasil, no qual as meninas apresentaram um nível muito alto em todos os jogos, vencendo com grande diferença todas as adversárias. E também foi muito importante para mim poder ver novas jogadoras, que serão o futuro da seleção e que vão adquirindo essa experiência e responsabilidade para um alto rendimento. Campeonatos como esse precisam ser usados para seguir melhorando e foi que vimos", finaliza.
Com o título do Pan-Americano, o Brasil garantiu vaga no Campeonato Mundial da Alemanha, em dezembro, primeiro grande compromisso de Jorge Dueñas com as meninas do handebol brasileiro.
