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Da musiquinha aos socos, rivalidade Brasil x Argentina ganha nível olímpico

Qualquer evento com os hermanos em ação vira palco para provocação mútua na arquibancada

Piadinhas. Brincadeirinhas. Musiquinhas. Vaias. Provocações. Xingamentos. Ofensas. Agressões. Sopapos. A escalada foi rápida. Em poucos dias de Olimpíada, a rivalidade entre Brasil e Argentina se alastrou pelas arquibancadas. Como uma espécie de prorrogação da Copa do Mundo dois anos depois, os torcedores da casa provocam daqui, os visitantes respondem de lá, e às vezes o negócio foge do controle. Pelo visto, com 11 dias de competição pela frente, a disputa está só começando.

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Antes de iniciar o tour da rivalidade, cabe dizer que as autoridades da Argentina estão oficialmente preocupadas. O secretário de Esportes deles, Carlos Mac Allister, que por coincidência é um ex-jogador de futebol, chegou a cogitar o envolvimento dos dois presidentes na tentativa de uma solução.

- O nível de confronto que se vive é preocupante porque sequer nos enfrentamos esportivamente com o Brasil. É alarmante o clima de confronto entre torcedores argentinos e brasileiros nos Jogos Olímpicos. Vamos transmitir uma mensagem de paz - pediu Mac Allister, em entrevista a uma rádio argentina.

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De fato, o Brasil não precisa estar em quadra para a torcida pegar no pé dos argentinos. E o clima hostil nem é só com os argentinos. Já teve gente reclamando de vaias e provocações em momentos que exigem concentração, como o saque no tênis, por exemplo. Falando em tênis, foi aí que a confusão chegou mais longe. Hora de iniciar o tour da discórdia.

Socos no tênis

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Na segunda-feira, Juan Martin Del Potro e João Sousa se enfrentaram na segunda fase do torneio de simples. Durante uma pausa na partida, dois torcedores começaram a trocar gentilezas. A coisa foi piorando, ehouve uma briga entre eles, com socos e tudo. A Força Nacional entrou em ação, tirou os brigões da arena, e o jogo chegou a ser interrompido. O argentino ainda saiu jogando beijinhos para as arquibancadas.

A temperatura já tinha começado a esquentar no dia anterior. Quando Del Potro eliminou Novak Djokovic no domingo, pelo menos dois tipos de grito vieram da galera: o provocativo "vice de novo" e o preconceituoso "maricón".

Polêmica no judô

Na terça, houve um duelo Brasil x Argentina no judô. Ou quase isso. O brasileiro naturalizado libanês Nacif Elias enfrentou Emmanuel Lucenti. Nacif foi eliminado por ter aplicado um golpe irregular. E criticou o argentino, alegando que o golpe foi normal, e o adversário exagerou na catimba para cavar a eliminação.

- Ele não levou o espírito olímpico adiante. O que ele fez ali é uma vergonha do esporte. Tenho um carinho e respeito, mas a atitude dele não foi de atleta profissional. Ele pagou por isso, pois perdeu a luta seguinte. Mas conseguiu o que ele queria, que era ganhar na catimba - disse Nacif.

Musiquinha no handebol

Holanda e Argentina se enfrentaram na segunda-feira no torneio feminino de handebol. O clima na Arena do Futuro era de provocação total. Dos dois lados. Com a Holanda entrando de gaiata na história. A torcida argentina ocupou um pedaço central da arquibancada. Chegou a cantar o já tradicional "Brasil decime que se siente", um hino provocativo da Copa do Mundo. Atrás de um dos gols, muitos brasileiros não só vibravam com gols da Holanda (que venceu a partida), mas atacavam os argentinos na base da provocação futebolística.


				Da musiquinha aos socos, rivalidade Brasil x Argentina ganha nível olímpico
FOTO: Carla Gomes / Globo Esporte

A musiquinha também era uma herança da Copa que começa bem e termina com mau gosto: "Mil gols, mil gols, só o Pelé, só o Pelé, Maradona cheirador". Tinha ainda a insistente contagem até 23 seguida do Parabéns a você, referência ao último título deles no futebol, a Copa América de 1993. O problema é que alguns torcedores não estavam muito por dentro e continuavam a contar no 24, 25...

- Nós estamos acostumadas com essa realidade. Não se pode evitar. Ouvimos desde o primeiro minuto, mas os argentinos respondem, há musiquinhas, até sobre futebol, sobre o que aconteceu na Copa - comentou a jogadora argentina Amélia Belotti após a partida.


				Da musiquinha aos socos, rivalidade Brasil x Argentina ganha nível olímpico
FOTO: Carla Gomes / Globo Esporte

Os atletas do handebol masculino circulam pelo Parque Olímpico e dizem se sentir em casa, com tamanha quantidade de torcedores argentinos no Rio. Tanto que os próprios jogadores se surpreendem com o número:

- O que acontece dentro da quadra dá mais cor ao ambiente. Sabíamos que teria muita gente, até porque vieram muitos dos nossos familiares, mas não esperávamos tantos. É melhor assim - afirmou Federico Vieyra.

Bronca dos craques do basquete


				Da musiquinha aos socos, rivalidade Brasil x Argentina ganha nível olímpico
FOTO: Reuters

A mania de usar os cantos da Copa e provocar os brasileiros até mesmo quando o jogo não é contra o Brasil gerou críticas de ícones do basquete argentino contra a própria torcida.

Manu Ginobili e Luis Scola não gostaram do clima de futebol

na estreia contra a Nigéria.

- Preferia não ouvir cânticos contra o Brasil, mas a nosso favor. Isso é do futebol, algo que não realmente não aprecio. É melhor que as pessoas venham e nos apoiem, nos empurrem, porque precisamos. Não faz muito sentido viajar tantos quilômetros e cantar para quem nem na quadra está - afirmou Ginobili.

Torcida extra para a Alemanha no boxe

A torcida brasileira tem feito exatamente o que Manu e Scola não gostam de ver. Na luta de boxe peso-pesado entre o alemão David Graf e o argentino Alberto Peralta, na segunda-feira, Graf ganhou apoio extra, além dos gritos dos alemães que estavam na arena. Os brasileiros vaiaram muito a entrada do hermano, gritaram o nome de Pelé e se manifestavam sempre que aparecia a imagem de torcedores rivais no telão. Imagina quando foi anunciada a vitória de Peralta...

Maracanãzinho em clima de Copa

Quando a Argentina enfrentou o Irã no torneio masculino de vôlei, os brasileiros escolheram seu lado sem pensar duas vezes. Vaiaram os hermanos até dizer chega. Mas houve resposta. Um bom número de torcedores do país vizinho estava lá para gritar, apoiar, mostrar faixas e cartazes. Com a vitória por 3 a 0, só deu eles no ginásio.

No vôlei feminino, teve um Brasil x Argentina na segunda-feira, mas aí, surpreendentemente, o clima foi bem mais ameno. No máximo algumas vaias na apresentação e na hora dos saques, comportamento que se repete contra qualquer adversário.

Também foi tranquila a partida entre Argentina e Canadá no hóquei, em Deodoro. Talvez pelo carisma das Leonas, os torcedores rivais até sentaram misturados, tudo no clima de paz.

Imagina no futebol


				Da musiquinha aos socos, rivalidade Brasil x Argentina ganha nível olímpico
FOTO: Getty Images

Se os outros esportes estão repletos de provocação e realidade, no futebol tudo isso está multiplicado. Na estreia da Argentina contra a Argélia no torneio masculino, no Engenhão, a torcida brasileira se preocupou em abafar os gritos albicelestes e cantar musiquinhas como "vice de novo", além de referências ao Chile, algoz em anos recentes. Na prática, não adiantou nada: 2 a 1 para eles.

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