Clubes questionam votação, e fórmula da Série C ainda pode ser modificada
Alagoano Gustavo Feijó criticou presidente de federação paulista durante conselho técnico da CBF. Presidente do ASA quer recontagem
A Série C só começa no dia 21 de maio, mas a disputa entre os clubes já está acirrada. Isso porque o presidente do ASA, Bruno Euclides - representante da Série C no Conselho Técnico de Clubes - ingressou com recurso para pedir a recontagem dos votos na eleição que decidiu pela manutenção do regulamento. Na oportunidade, o vice-presidente da CBF na região Nordeste, o alagoano Gustavo Feijó, criticou a Federação Paulista por, segundo ele, tentar manipular o processo em favor dos clubes do Sul e Sudeste.
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A votação não respeitou o artigo 59 do estatuto da CBF, que prevê votos qualitativos, com pesos diferentes de acordo com a posição de cada time no último Campeonato Brasileiro, e não unitários, como foi feito e divulgado pelos próprios dirigentes.
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No Conselho Técnico da competição, na última terça-feira, foi apresentada uma proposta para mudar o cruzamento nas quartas de final. Times do mesmo grupo se enfrentariam na segunda fase, o que garantiria ao menos dois clubes das duas regiões na Série B de 2017. Após a reunião, os representantes falaram que houve empate em primeira votação, de forma unitária, por 10 a 10, com o Macaé votando a favor do bloco Norte e Nordeste. Em segundo turno, a equipe fluminense mudou de lado, como o próprio presidente admitiu, e a proposta caiu.
No entanto, caso o voto qualitativo fosse utilizado, a primeira eleição garantiria a aprovação da mudança no regulamento por 117 a 93. O cálculo é feito da seguinte maneira: primeiro rebaixado da Série B, o Macaé tem peso 20, e assim sucessivamente. Último colocado entre os que conquistaram acesso na Série D, o Ypiranga-RS tem peso um. Vice-presidente da CBF e representante do grupo insatisfeito, o alagoano Gustavo Feijó diz que tentou garantir a votação de acordo com o estatuto, mas foi impedido pelo presidente da Federação Paulista e diretor de Coordenação da CBF, Reinaldo Carneiro Bastos. São cinco paulistas na Série C: Botafogo-SP, Guaratinguetá, Portuguesa, Mogi Mirim e Guarani.
- Ele não deixou ninguém falar. Ele queria defender o interesse dele e dos clubes dele. A CBF não tem nada a ver com isso. O que houve foi a má condução do Reinaldo em não querer ouvir ninguém. Ele vai ter que aceitar. No voto, venceu a proposta do Norte e Nordeste. Não há motivo para haver nova votação, a CBF não precisa gastar mais com uma nova reunião e viagem dos dirigentes por causa do erro de um diretor. Houve o 10 a 10 em voto unitário, mas é preciso recontar com o peso qualitativo - declarou Feijó.
O presidente em exercício da CBF, Antônio Carlos Nunes - acompanhado de seus cinco vices - julgará o caso ao lado da Diretoria de Competições, comandada por Manoel Flores. Reinaldo Bastos se manifestou apenas por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa. O presidente da Federação Paulista rebate as acusações de Feijó e diz que a votação foi limpa.
- Respeito muito a opinião e a eventual divergência dos colegas. Mas a reunião foi conduzida de forma democrática e com participação ativa dos clubes, como nunca havia acontecido. Assim como ocorre em diversos outros conselhos técnicos, foi aberta a possibilidade de os clubes reverem suas decisões. Então, em um novo momento da reunião, um dos clubes reviu sua posição anterior e foram ratificadas todas as decisões tomadas - declarou Reinaldo.
CBF ADMITE QUE VOTO FOI COMUNITÁRIO
A assessoria de Reinaldo e a CBF informaram que foi considerado o resultado de 11 a 9, que daria 113 a 97 com o peso correspondente de cada equipe. O cálculo correto só foi feito após a reunião. O próprio secretário-geral da entidade máxima do futebol brasileiro, Walter Feldman, admitiu que a votação não respeitou o estatuto. E foi além. Disse que nenhuma votação anterior semelhante à da Série C seguiu o regulamento.
- Aconteceu uma disputa, uma divisão. É um sistema. Hoje teve votação. Não foi usado isso. É um instrumento usado na disputa. Poderia ser usado. Quando houve isso, ninguém lembrou do estatuto. Aí ficou essa dúvida. Se tivesse lembrado, haveria uma computação. Nunca é usado. Não houve um embate. Acho que o pessoal que perdeu vai entrar com representação. É até bom para saber como funcionaria neste uso ponderado do voto. Seguramente, na representação, vão questionar os desdobramentos - declarou Feldman.
Nos últimos quatro anos, os quatro classificados do Grupo A encaram os quatro do B. A proposta de alteração era para que os times enfrentassem adversários da mesma chave na segunda fase. Desde 2012, a Terceirona é disputada por 20 clubes - com exceção de 2013, que contou com 21 clubes após briga judicial -, divididos em dois grupos formados por equipes da mesma região. Em 2015, Norte e Nordeste não foram representadas entre os quatro que avançaram à Segunda Divisão. No ano anterior, apenas Paysandu e CRB se classificaram. Caso o regulamento não seja modificado, o cruzamento se mantém: o primeiro do A encara o quarto do B, o primeiro do B pega o quarto do A, e assim sucessivamente.
