Clubes de São Paulo discutem denúncia à Justiça Desportiva de quem furar protocolo contra Covid

Na última segunda, Luiz Adriano, do Palmeiras, deixou isolamento e atropelou pedestre

Os clubes de São Paulo e a Federação Paulista de Futebol estão discutindo a possibilidade de que jogadores, membros da comissão técnica, dirigentes ou outros profissionais ligados ao jogo sejam denunciados ao TJD (Tribunal de Justiça Desportiva) caso descumpram regras de protocolos ou medidas de isolamento no combate à Covid-19.

O debate é anterior ao episódio que envolveu o atacante Luiz Adriano, do Palmeiras. O jogador, mesmo com diagnóstico positivo para coronavírus e orientação para se manter isolado, saiu de casa com a mãe e atropelou um pedestre perto do estádio alviverde na última segunda-feira.

O caso gerou repercussão negativa num momento em que a FPF tenta convencer o Ministério Público a apoiar a retomada do Campeonato Paulista, paralisado há cerca de 15 dias. Foi o MP quem recomendou ao governo estadual a suspensão de eventos esportivos em São Paulo.

Uma reunião entre FPF e MP está marcada para esta quarta-feira, às 18h. O órgão estadual sugeriu mudanças no protocolo da federação, que analisa a proposta e tem a expectativa de conseguir um aval que permita a realização de jogos ainda durante esta semana.

Os clubes discutem como enquadrar personagens que ignorarem as regras dos protocolos de saúde.

Uma das possibilidades é o artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva que impõe sanção a quem descumpre regulamentos, com pena de multa R$ 100 a R$ 100 mil.

O argumento é de que o Regulamento Geral de Competições da Federação Paulista de Futebol cita, no parágrafo segundo do artigo 1, a obrigação dos clubes no cumprimento dos protocolos de treinamentos e operação de jogos.

Esse artigo prevê a possibilidade de punição disciplinar, aplicada pela Justiça Desportiva, e de sanções administrativas, aplicadas diretamente pela federação.

No caso de Luiz Adriano, o jogador foi punido pelo Palmeiras, que lhe dará uma multa que, segundo o clube, será convertida na doação de cestas básicas. O atacante admitiu o erro e se desculpou numa mensagem em rede social.

Nos últimos 15 dias em que o torneio está paralisado, a federação e os clubes coordenaram uma ação conjunta de conscientização dos riscos da Covid-19 e das principais medidas de prevenção.

Em redes sociais, reforçaram mensagens do tipo e as ações que são feitas no futebol para monitorar os casos.

Nas sugestões que fez à FPF para aprimorar o protocolo de operação, o MP propõe que todos os jogadores entrem em campo de máscaras, retiradas apenas quando a partida for iniciada, e que, em entrevistas, atletas e treinadores, sempre de máscaras, reforcem a importância de medidas de prevenção e da vacinação.