Rio 2016 sobre caso dos nadadores americanos: "Vergonha pública"
Diretor de comunicação do comitê, que chegou a pedir desculpas aos atletas, afirma que exposição mundial "é suficiente para aprender com lição"
No briefing diário realizado em conjunto entre o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Rio 2016, o diretor de comunicação do órgão brasileiro, Mario Andrada, tentou encerrar o debate sobre o caso envolvendo nadadores americanos que alegaram ter sido assaltados e agora são investigados pela possibilidade de falsa comunicação de crime. Dois deles (Gunnar Bentz e Jack Conger) chegaram a ser retirados do avião que voltaria para os Estados Unidos para prestar depoimento, o principal nome,Ryan Lochte, já havia retornado ao país natal, e um deles ainda não foi encontrado pelas autoridades (James Feigen). Andrada ressaltou que são jovens que trabalharam duro para estar nos Jogos e queriam se divertir.
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- Não precisamos de desculpas dos atletas. Esses garotos treinaram, vieram aqui, fizeram seu melhor, estavam sob uma gigante pressão, vieram se divertir, deem um tempo a eles. De vez em quando você toma atitudes das quais se arrepende. Lochte é um dos melhores nadadores de todos os tempos. Eles queriam se divertir, cometeram um erro, vamos deixar isso para trás, deixá-los em paz.
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Já depois do briefing, em conversa com jornalistas brasileiros, Andrada explicou que a reviravolta no caso, por si só, já faz com que os atletas americanos passem uma "vergonha pública" e que isso já é "suficiente para que aprendam uma lição". O diretor, contudo, reconheceu que não há como recuperar o dano à imagem da segurança:
- A imagem da segurança foi definitivamente arranhada. Eu fiz o comentário "deixa os garotos em paz" quando me perguntaram se a gente esperava um pedido de desculpa dos atletas, o que a gente não espera. O fato de eles passarem por uma vergonha pública dessa magnitude, eu acho que é plenamente suficiente para que eles aprendam uma lição. Espero que eles aprendam. A nossa imagem foi afetada no primeiro dia e amplamente recuperada de forma natural pela sequência de fatos, então o que você vê hoje nas ruas - e eu por acaso vi hoje duas ou três vezes - é que todos os brasileiros que se sentiram envergonhados quando eles deram a primeira versão se sentem de alma lavada agora que a versão apareceu.


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Para o diretor de comunicação, não há necessidade de uma resposta mais firme do Rio 2016, mesmo reconhecendo os danos à imagem:
- Essas dúvidas foram o que reverteu o caso contra eles. Agiram mal, e bateram no muro. Por que precisamos interferir em um processo que acabou tendo o final ideal? Para que ser mais firme, mais agressivo, mais duro, se os fatos esclareceram? É fato. Olha a foto. A gente não vai entrar nesse mérito. Foram mal, e a vida ensinou a eles.
Ele disse não se arrepender do pedido de desculpas feito pelo Rio 2016 no momento em que o suposto assalto foi divulgado, e afirmou não achar necessário que qualquer atleta faça o mesmo. Andrada também foi questionado sobre o caso dos ingleses que teriam ficado sob a mira de uma arma. Segundo o jornal inglês "Guardian", a ocorrência gerou um alerta inédito do comitê britânico para que seus atletas tenham cuidado ao deixar a Vila Olímpica para comemorar e recomendam que não o façam usando o uniforme britânico.
- Essa discussão precisa de investigação, especialmente no caso dos americanos. A gente se desculpou, algo que não nos arrependemos, mas temos de esperar a investigação. Não tentamos esconder nenhum problema. Precisamos aguardar para analisar. Vários atletas saíram e voltaram sem nenhum problema. Temos forças de segurança por toda a cidade. Mas temos de aguardar o fim das investigações.
Andrada chegou a citar ainda que a Polícia Civil ficou "de certa forma irritada" com a suposta falsa comunicação de crime por parte dos americanos:
- Entendo que eles fornecerem o que acho ser, não sou especialista em direito, falso testemunho. A polícia precisa conduzir a investigação. Eu entendo que a polícia ficou de certa forma irritada, de repente eles têm sentimentos diferentes do que eu e o Rio 2016 temos. Houve uma ordem judicial, mas de novo, isso é uma questão legal.
