O fardo de Messi: craque se cansa de dar passes, mas companheiros não convertem

Craque repete boas atuações na seleção, recebe apoio da torcida, mas time não acompanha

Ainda que 40 mil vozes bradem seu nome. Por mais que um bandeirão lhe dê as boas-vindas. Mesmo que milhares de camisetas levem suas letras. Embora tenha cinco bolas de ouro e esteja com mais 10 companheiros ao lado, Messi esteve sozinho na Bombonera. É um lobo solitário na Argentina. O drama de 40 milhões de argentinos cai sob as costas do camisa 10, que tentou de tudo. Deixou os companheiros na cara do gol seis vezes e quase marcou outras duas. Mais uma vez. Mas não viu a Albiceleste marcar um gol sequer contra o Peru, nesta quinta, no empate por 0 a 0.
Não estar entre os cinco melhores de um torneio com 10 seleções e ficar fora da Copa será um fardo para um dos maiores jogadores da História. Messi carrega o peso de seus feitos e não consegue evitar as críticas. Após 12 anos de serviços à seleção argentina e nenhum título conquistado, a não classificação para o Mundial seria um desastre. Mas não se pode dizer que o craque se escondeu. E assim Sampaoli entendeu. O isentou de qualquer culpa sobre a fase da Albiceleste.
- Não se pode pedir mais nada a ele. Leo nos deu uma partida de muita intensidade, ele pressionou, buscou, não deixou um segundo de buscar, teve chances, gerou chances, colocou bolas de gol em lugares que eram impossíveis. Tivemos um Messi muito intenso. Estou convencido, se estamos como estivemos contra o Peru, não tenho nenhuma dúvida que vamos ao Mundial - decretou o treinador.
Das 22 finalizações da Argentina contra o Peru, 10 saíram dos pés de Messi, seja em passes para que outros jogadores, seja em seus quatro chutes. Mas Benedetto (três vezes), Papu Gómez e Rigoni não acertaram o alvo. Em todo o jogo, ele distribuiu 50 passes e acertou 38. Mas o carma argentino se manteve, e as tentativas só serviram para aumentar a longa seca de gols sofrida pela seleção. A realidade das últimas duas partidas se manteve. Como define o jornal "La Nación", Messi segue com brilho único na Argentina.
- Lionel Messi foi o único farol de uma equipe sem rumo, que nem com o melhor do mundo pôde ganhar. Um oásis no deserto que foi a seleção. Sem parceiros claros, por ele passaram as jogadas mais claras, inclusive a trave evitou o gol. Serviu a Benedetto, Gómez e Rigoni, que incrivelmente errara. Teve no final uma dessas faltas que, de domingo a domingo, costuma converter. Desta vez, não passou da barreira - escreve o jornalista Tomás Bence.
O apoio da torcida
Messi ainda sofre resistência de alguns torcedores. Mas a maioria reconhece que o problema da seleção argentina não está no rendimento do camisa 10. Contra Uruguai, Venezuela e Peru, o capitão foi ovacionado. Em vários momentos. Na Bombonera, camisas de Messi eram tão vistas como finalizações erradas da Argentina.
Um bandeirão e faixas foram estendidas para saudar o atacante do Barça pela torcida "La Doce", do Boca Juniors. "Homenagem ao melhor jogador do século". "Messi, o maior do mundo, bem-vindo à Bombonera". Após os agoniantes 90 minutos e apito final, entre a incredulidade e o pessimismo dos torcedores presentes no estádio xeneize, só o nome do craque foi gritado.
Na manhã desta sexta, Messi apareceu conversando bastante com Sampaoli e Mascherano durante os 15 minutos abertos à imprensa no treino da Argentina. Ainda não baixou a cabeça. A seleção de Sampaoli volta a treinar neste domingo e embarca para Guayaquil pela tarde. A equipe permanece na cidade litorânea do Equador até a terça-feira, quando embarca para Quito para o confronto contra os donos da casa.
Com 25 pontos, a Argentina tem o trunfo do confronto entre Peru e Colômbia na última rodada. A Colômbia é a quarta, com 26 pontos, e o Peru tem 25, em quinto. Caso vençam, os argentinos garantem, ao menos, a repescagem. Os critérios de desempate são, em ordem: saldo de gols, gols marcados e confronto direto. No momento, os peruanos estão à frente dos argentinos no número de gols. Ambos estão empatados no saldo. A última rodada das eliminatórias será na próxima terça-feira. A Argentina vai a Quito e enfrenta o Equador. Todos os jogos serão às 20h30.