Impecáveis, Ágatha e Bárbara batem Walsh e Ross e vão disputar o ouro
Tricampeã, americana de 38 anos enfileirava vitórias em sequência na praia olímpica desde Atenas 2004. Grande decisão será contra as alemãs
Desde os Jogos de Atenas 2004, o Brasil não chegava à decisão do vôlei de praia feminino. Desde aquele ano, Kerri Walsh fez o que parecia impossível se tornar realidade. Em toda a carreira, nunca havia perdido um jogo sequer na praia olímpica. Eram três medalhas de ouro e 26 vitórias em 26 jogos, sendo 21 delas conquistadas com sua antiga parceira, Misty May-Treanor. Na semifinal dos Jogos do Rio, a parceria formada pela paranaense Ágatha e a carioca Bárbara Seixas encerrou a invencibilidade histórica com uma atuação impecável, por 2 sets a 0, com parciais de 22/20 e 21/18 (confira no vídeo acima). Um triunfo para lavar a alma após o péssimo dia das mulheres do Brasil, com a derrota da seleção feminina de futebol, no handebol e nas areias, com o revés na outra semifinal de Larissa e Talita, equipe também cotada ao título. Sem falar na eliminação surpreendente do time de Zé Roberto Guimarães no Maracanãzinho.
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- Tinha falado com a Agatha depois de vencer aquele jogo difícil na quarta. Acho que, apesar de todo o histórico e favoritismo, não era impossível vencê-las. Se a gente conseguisse fazer o nosso melhor. Acho que o impossível se tornou possível - disse Ágatha.
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Em sua estreia nos Jogos após um ano irretocável, as atuais campeãs mundiais enfrentam as alemãs Laura Ludwig e Kira Walkenhorst em busca do ouro olímpico nesta quarta-feira, às 23h59 (de Brasília), na Arena de Vôlei de Praia, em Copacabana. Na preliminar, às 22h, as americanas medem forças com as brasileiras Larissa e Talita na disputa pelo terceiro lugar.
O Brasil é o país com mais medalhas no vôlei de praia em Olimpíadas. Desde os Jogos de Atlanta 1996, ao menos um pódio é conquistado por edição. São 11 no total, sendo duas de ouro, seis de prata e três de bronze. Garantidos na final, Ágatha e Bárbara e Alison e Bruno Schmidt, na final masculina, já garantiram mais duas para a conta, que pode aumentar se Larissa e Talita conquistarem o bronze.


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A Rio 2016 é a quinta Olimpíada no currículo de Walsh, que competiu em Sydney 2000 a sua primeira, no vôlei de quadra, terminando em quarto lugar. Esta é a sua quarta vez no vôlei de praia e, desde Atenas 2004, passando por Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016, ela vinha de uma impressionante sequência de vitórias, até esbarrar nas brasileiras.
- Estamos muito felizes e orgulhosas. Esperávamos um jogo super difícil e realmente foi. Apesar do 2 a 0, não baixamos a guarda em momento algum. Sabíamos que tínhamos de estar muito ligadas o tempo todo contra elas. Na verdade não podemos relaxar em momento algum contra qualquer time. Esse jogo não foi diferente. Estávamos muito ligadas no que precisávamos fazer. Se pareceu fácil, que bom. Mas não foi - resumiu Bárbara.
Em julho do ano passado, Kerri por pouco não ficou fora do Rio ao deslocar o ombro direito justamente em um jogo contra Ágatha e Bárbara. Mesmo machucada, alcançou a vitória ao lado de April, com quem está junto desde 2013. A veterana se submeteu a uma cirurgia, foi dúvida, mas, se recuperou a tempo. Apesar do revés, o time dos Estados Unidos ainda lidera o retrospecto, com três vitórias contra duas da carioca e da paranaense, que também levaram a melhor em 2014, nas quartas de final do Grand Slam de Xangai, na China.
O JOGO

Depois de uma defesa espetacular de Kerri, April soltou o braço e abriu dois pontos em um momento delicado: 18 a 16. As brasileiras buscaram e arrancaram outra igualdade com um ponto de saque da carioca. Ambos os times mantinham uma boa virada de bola, deixando claro que o detalhe iria definir. Na largadinha, Bárbara conseguiu o setpoint, escapando do paredão do outro lado. As americanas resistiram, mas foi a própria carioca que deu um ponto final, com um ataque poderoso, seguido de um ace, fechando a parcial 22 a 20.

Em uma das paradas técnicas, a música "É hoje" empolgou a torcida, que continuou a cantar à capela: "Da alegria, e a tristeza nem pode pensar em chegar". As atuais campeãs mundiais contribuíram para a felicidade da maioria. Depois de outra grande defesa de Babi, Ágatha soltou o braço e fez 13 a 11. A virada de bola, por mais que as americanas tentassem dificultar, seguia como prova da sintonia fina da dupla, que se juntou em 2011. O jogo fluía, enquanto as rivais não conseguiam se encontrar. Walsh tentava de tudo, de cortadas fortes e ataques de segunda, mas nada funcionava. Quando não era Bárbara defendendo, Ágatha subia no bloqueio para afastar o perigo, como no 17º ponto contra 14 das adversárias, explodindo os decibéis da arena. O matchpoint veio com mais uma pancada da paranaense. As americanas evitaram o primeiro, mas, no segundo, não seguraram outro ataque poderoso de Ágatha para liquidar a partida: 21/18.
