Rafael Tenório diz que fica no CSA até dezembro e garante transparência no uso do repasse de R$ 31 mi da Braskem

Números foram explicados à imprensa e aos colaboradores do time; clube deixou a sede no Mutange após realocação devido aos efeitos da exploração de sal-gema

O presidente do CSA, Rafael Tenório, apresentou à imprensa e aos colaboradores do clube, na noite desta terça-feira (14), o repasse de verbas para a construção do novo CT azulino que, segundo ele, será usado de forma transparente. Ao todo, o clube recebeu R$ 31.280.000,00 em indenização da Braskem. O mandatário sairá do cargo de presidente do Azulão no dia 1º de dezembro, quando seu mandato chega ao fim, passando a bola para Omar Coelho, que deve ser eleito nos próximos 75 dias.

Durante cerca de 90 anos, o clube habitou o Mutange, agora, com a situação em que se encontra o bairro, vítima da exploração de sal-gema pela Braskem, o time teve que se mudar e, consequentemente, deixar o local que faz parte de um lindo capítulo da história do Azulão.

Diante do projeto do novo CT, Rafael Tenório se gabou, dizendo que era um visionário, um homem à frente do seu tempo. Conforme ele, alguns participantes de outra chapa das eleições para presidente do CSA disseram que o clube tem condições para construir uma arena, porém, ele afirmou que, com os R$ 23.806.925,60 restantes, não há como construir o tão desejado CT. O presidente do clube garantiu, ainda, que o valor repassado pela Braskem será utilizado de forma transparente, sendo informado aos torcedores e a diretoria o emprego de cada real.

Em sua fala emocionada, Rafael Tenório fez um resgate histórico de como encontrou o clube. Segundo ele, havia um passivo financeiro enorme e uma cultura de tirar proveito do clube para fins pessoais. Rafael comentou também sobre outro candidato à presidência do Azulão. Ele alfinetou o advogado Marcelo Brabo, que, segundo ele, havia dito que na gestão de Tenório faltou planejamento. "Para discutir planejamento comigo é a mesma coisa que discutir com ele direitos eleitorais, eu não entendo nada, eu só sei votar. Nem ser votado eu sei. [...] Dizer que desde 2019 o CSA não vai no futebol? Eu fiz uma opção: ou eu quitava o passivo do clube ou endividava o clube para permanecer na Série A", frisou o mandatário azulino.

Ele destacou que, apesar de todos os desafios, conseguiu realizar grandes feitos à frente do Azulão." Em 2015, quando assumi o CSA, afirmei que tinha três objetivos: dar calendário ao clube, zerar o passivo trabalhista e transformar o CSA em S/A. Eu consegui realizar dois deles: dei calendário ao clube, isso seria fácil, diante da torcida que a gente tem, e consegui zerar o passivo do CSA. Mas isso foi feito com planejamento, porque eu sou especialista nisso. Vou sair frustrado porque não consegui transformar o CSA numa S/A. Eu queria ver o CSA em cinco anos sendo um dos maiores clubes do futebol brasileiro", afirmou Tenório.

Rafael Tenório apresenta repasse de verbas para a construção do novo CT do CSA - Foto: Raphael Alves

O candidato do grupo de Rafael Tenório à presidência do CSA é Omar Coelho. Logo após a fala de Tenório, ele pediu a palavra e defendeu o legado do presidente. Ele anunciou que, caso seja eleito, Rafael Tenório será parte importante do grupo de trabalho que vai gerir os destinos do CSA a partir de janeiro de 2022. "Quitamos o passivo do clube e, quando chegamos ao dia 31 de dezembro de 2019, nós tínhamos 22 milhões de reais na conta. O dinheiro estava lá na conta do CSA. E era com esse dinheiro que nós íamos para a Série A em 2020, aí veio a pandemia", disse Omar Coelho.

Presente no momento que foi realizado em um hotel da capital alagoana, a filha de Rafael Tenório, Bianca Tenório, responsável pelo projeto do novo CT, informou que a ideia era construir o maior centro esportivo do Nordeste. "Temos hotel, centro ecumênico, vestiário, cinco campos, sendo um deles sintético, uma quadra poli esportiva, sala do Conselho. Teremos uma parte destinada aos conselheiros, uma demanda exigida pelo meu pai."

De acordo com os números apresentados em um telão, o CSA recebeu da Braskem o valor de R$ 31.280.000,00, sendo utilizados R$ 7.765.681,64. O valor "sem rentabilidade" estimado na conta do clube é de R$ 23.514,318,40, mas, até esta terça (13), o valor é de R$ 23.806.925,60. O atual presidente informou que todos os gastos serão comprovados no portal da transparência do CSA. Nesse período, ainda segundo a direção do clube, o CSA teve uma rentabilidade, por juros, de R$ 292 mil. Eles informaram que os R$ 7 milhões foram gastos com honorários do corpo jurídico do processo da Braskem, o aluguel do Nelsão, impostos, o IPTU do Mutange de 2007 a 2018, além de R$ 3 milhões e 500 mil da compra do terreno do novo CT, entre outras despesas.

"Queria deixar claro que continuamos trabalhando. Não é porque o projeto foi entregue que acaba a etapa. Isso não acaba aí. Nós continuamos trabalhando. Nós estamos fechando todo o material para a construção do projeto do CT. Nós estamos com todos os projetos complementares, que os técnicos sabem do que estou falando [...]. Tudo isso está sendo feito e pensado em cada detalhe", disse Bianca.