Preparador físico explica efeitos da altitude no desempenho de atletas após susto na Libertadores
Luigi Alpino detalhou os riscos da baixa pressão atmosférica e os sintomas da falta de adaptação
O preparador físico Luigi Alpino explicou os efeitos da altitude no organismo e as consequências para o rendimento dos atletas durante entrevista ao programa Bom Dia Alagoas, da TV Gazeta, nesta quarta-feira (21). A discussão ocorreu após a lateral-direita Rolón, do Universitario, passar mal e precisar de atendimento com máscara de oxigênio durante a partida contra o Palmeiras, pela Libertadores Feminina, disputada na última quarta-feira (14), em Quito, no Equador, a cerca de 2.850 metros acima do nível do mar.
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Quito está situada a aproximadamente 2.850 metros acima do nível do mar. Nessas condições, a pressão atmosférica é menor, o que reduz a disponibilidade de oxigênio em cada respiração e dificulta sua absorção pelo organismo durante o esforço físico.
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“Quanto maior a altitude, menor a densidade do ar. Então, o ar fica mais rarefeito e a absorção de oxigênio para o organismo fica muito mais difícil”, explicou Alpino.
Sintomas e riscos para os atletas


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Segundo o preparador físico, os efeitos da altitude podem começar com náuseas, tontura e dor de cabeça, mas também evoluir para quadros mais graves, como desmaios e confusão mental. Durante uma partida, a intensidade dos movimentos aumenta a exigência física e pode tornar os sintomas mais evidentes.
A dificuldade de obter oxigênio suficiente compromete a capacidade aeróbica, reduz o rendimento e prolonga o tempo necessário para a recuperação entre uma ação e outra. Com isso, os jogadores podem percorrer distâncias menores e precisam adaptar a intensidade do jogo às condições ambientais.
Alpino ressaltou que situações mais graves exigem a interrupção da atividade e atendimento médico. No caso de Rolón, a utilização da máscara de oxigênio fez parte do atendimento prestado após o mal-estar em campo.

Adaptação exige planejamento
De acordo com o profissional, o ideal seria que os atletas tivessem de duas a três semanas para se adaptar à altitude. Entretanto, o calendário esportivo e a logística das competições nem sempre permitem uma preparação tão longa, levando algumas equipes a chegar ao local poucos dias antes dos jogos.
Uma das estratégias citadas por Alpino é o chamado fly-in, fly-out, em que a delegação chega próximo do horário da partida e deixa a região pouco depois do compromisso. A medida busca reduzir o período de exposição às condições de altitude, embora não elimine os riscos.
O preparador também mencionou experiências de treinamento com restrição de oxigênio para simular parte dessas condições. Segundo ele, recursos desse tipo podem ajudar na preparação, mas não impedem completamente os efeitos fisiológicos provocados pela altitude.
A hidratação e a alimentação também precisam de atenção especial. Alpino destacou a importância de ajustar a ingestão de líquidos e carboidratos às necessidades dos atletas, considerando o gasto energético e as exigências da competição.

Estratégia de jogo também muda
Além da preparação física, a altitude influencia as decisões táticas. Para reduzir o desgaste, treinadores podem aproximar os setores da equipe, diminuir as distâncias percorridas e priorizar a troca de passes em vez de ações que exijam deslocamentos longos e repetidos.
Alpino explicou que a recuperação após esforços intensos pode demorar mais nessas condições, o que exige mudanças na maneira de jogar. A adaptação, portanto, não depende apenas do condicionamento individual, mas também da organização coletiva da equipe.
E quem não é atleta?
Os efeitos da altitude não se restringem aos jogadores profissionais. Pessoas sem preparação esportiva também podem sentir falta de ar, cansaço e outros sintomas ao sair de regiões próximas ao nível do mar e viajar para locais elevados.
Nesses casos, a recomendação é reduzir o ritmo das atividades, evitar esforços excessivos nos primeiros dias e respeitar o tempo de adaptação do organismo. Sintomas intensos, especialmente falta de ar importante, confusão mental ou desmaio, exigem atendimento médico imediato.
