CRB x CSA: famílias superam desconfiança e prometem festa nas arquibancadas
Torcidas voltam a se encontrar em jogo pelo Estadual após cenas de selvageria e punição; goleiro do CRB lembra drama semelhante em Campinas e pede paz
A partida entre CRB e CSA é, sem dúvida, o maior espetáculo do esporte alagoano. Os apaixonados pela rivalidade dentro de campo aguardam, ansiosos, o momento em que os times vão pisar o gramado do Rei Pelé, na tarde deste domingo. E nem os lamentáveis episódios envolvendo o clássico das multidões - o que resultou em recente punição para ambas as torcidas - têm ofuscado o brilho das arquibancadas.
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Na véspera do jogo mais aguardado do ano, aGazetawebouviu torcedores que, apesar do receio de se depararem com novos atos de violência, garantem não abrir mão de acompanhar à partida no estádio, ecoando as tradicionais cantigas e vestindo as cores do clube do coração.
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Do outro lado, a reportagem também ouviu quem já viveu de perto a violência que emana das arquibancadas. É o caso do goleiro regatiano João Carlos, que, quando atuou pela Ponte Preta-SP, viu torcedores da Macaca invadiram o gramado para agredir os atletas do time campineiro, após a confirmação do rebaixamento para a Série B do Brasileiro.
Em Alagoas, o ápice da barbárie aconteceu na final do Estadual de 2016. Aos 46 minutos da segunda etapa, logo após o CRB marcar o gol da vitória, torcedores regatianos saltaram para o gramado e partiram em direção aos jogadores do CSA. Na sequência, um grupo de azulinos também invadiu o campo de jogo, fazendo do Trapichão um verdadeiro campo de guerra.


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Dois homens, em estado grave, precisaram ser levados ao Hospital Geral do Estado (HGE), após terem sido covardemente espancados. Até um guarda-chuva da imprensa foi utilizada para agredir quem deveria ali estar apenas para torcer.

Por causa da confusão generalizada, ambos os clubes foram julgados e punidos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). CSA e CRB foram multados em R$ 5 mil cada e perderam cinco e quatro mandos de campo, respectivamente.
Atendendo à punição, em 2017, pela primeira vez na história, o clássico ocorreu sem multidão alguma. Os times jogaram com portões fechados nas 6ª e 10ª rodadas. Já na fase hexagonal, foi a vez de o confronto acontecer com torcida única nas arquibancadas do Rei Pelé.
Na final da competição, as equipes voltaram a se enfrentar e, mais uma vez, com torcida única. Naquele ano, a segunda partida teve mando de campo do CSA, mas foi o CRB quem se sagrou novamente campeão, com os jogadores regatianos impedidos de comemorar o tricampeonato estadual diante de sua torcida.

De volta
Este ano, o clássico volta a ter as duas torcidas presentes ao Estádio Rei Pelé, como medida experimental. Portanto, a postura do torcedor neste domingo será o termômetro para os outros clássicos - CRB e CSA ainda podem se enfrentar mais quatro vezes em 2018.
E para garantir que todos possam ir e voltar de suas casas sem o registro de qualquer incidente, PM, Ministério Público Estadual e Federação Alagoana de Futebol (FAF) definiram o esquema de segurança nessa sexta-feira (02). Serão 265 militares a pé, 56 motorizados e 30 montados (cavalaria). Todos vão se juntar aos cerca de 70 seguranças particulares contratados pela FAF.
Ao todo, 15 mil ingressos foram colocados à venda, mas a expectativa de público é de 17 mil pessoas. Após a reunião, ficou acertado que a torcida do CSA, independentemente do resultado, terá de aguardar 40 minutos após o encerramento da partida, a fim de que a PM possa dispersar a torcida rival.
Ficou acordado também que crianças menores de dois anos não poderão entrar no Trapichão. Quanto aos menores de 18, estes deverão portar identificação e estar acompanhados do pai ou responsável.
Outro detalhe é que o setor das cadeiras especiais vai contar com torcida mista, com direito, inclusive, a usar a camisa do clube preferido.
Amor ao clube
Tamanho aparato policial, porém, ainda não seria capaz de transmitir a segurança esperada pelo verdadeiro torcedor. Por medo de entrar para a estatística da violência, a torcedora Gabrielly Mota, 18 anos, não vai ao Rei Pelé sem que esteja acompanhada do pai ou do irmão. Ela reforça que a atenção, inclusive, é redobra em dias de clássico.


