Alagoas na Série A? CRB e CSA têm fatores que pesam contra o acesso

Galo e Azulão chegam à última rodada com chances de subir, entretanto, precisam de combinações de placares

Neste domingo (28), às 16h, Alagoas se dividirá e acompanhará com alta expectativa CRB e CSA, que brigam pelo acesso na Série B. Em quinto e sexto lugares, respectivamente, as torcidas dos dois clubes vivem uma apreensão imensa sobre conquistar ou não a tão sonhada vaga na Série A de 2022.

Contudo, os dois clubes têm mais fatores em comum. Principalmente as fases ruins dentro da competição, que podem determinar a permanência na Segundona. Do lado vermelho, uma inconsistência grande no segundo turno; enquanto do lado azul, o péssimo início prejudicou maiores pretensões.

Oito jogos sem vencer em casa

O Galo fez um início de Série B espetacular. Simplesmente, o Regatas terminou o 1º turno no quarto lugar, com 33 pontos, inclusive, brigando pela liderança da competição. Só que, aparentemente, a virada de turno acabou derrubando o clube regatiano, que ficou oito partidas seguidas sem vencer dentro de casa.

Empate em 0 a 0 com o Operário foi o primeiro jogo da sequência ruim no Rei Pelé - Foto: Ailton Cruz

Na sequência, os adversários foram Operário, Cruzeiro, Goiás, Vasco, Avaí, CSA, Guarani e Coritiba, sendo, no total, seis empates e duas derrotas. Essas partidas foram determinantes para o time sair do G4, inclusive, desde a queda, não passou mais nenhuma rodada dentro do grupo dos quatro melhores. O tabu só foi quebrado no dia 4 de novembro, com a vitória sobre o Sampaio Corrêa.

No total, foram oito partidas sem vitória no Rei Pelé, com apenas cinco gols marcados, sete sofridos e quase três meses sem nenhum triunfo.

Resultados capitais

Do lado azulino, também houve confrontos no Trapichão que prejudicou as pretensões azulinas. O principal deles aconteceu no dia 12 de novembro, com o Confiança. Na ocasião, o time sergipano ainda brigava contra o rebaixamento, apesar de estar em uma situação delicada.

Empate com o Confiança, em casa, freou busca pelo G4 do CSA - Foto: Ailton Cruz

O momento do CSA era maravilhoso antes do jogo, já que vinha de três vitórias em quatro partidas, entrando como franco favorito. Apesar disso, no campo, a história foi outra. O duelo foi muito equilibrado até os quatro minutos da etapa final, quando Bocão, do Dragão, foi expulso após lance polêmico.

Com um a mais, o Azulão atirou-se para o ataque, contudo, a defesa do Confiança se superou durante todo o segundo tempo. O 0 a 0 do placar final atrapalhou muito a sequência, inclusive, se o triunfo tivesse ocorrido, seria uma pontuação suficiente para colocar o time marujo dentro do G4.

Já um pouco antes, no dia 23 de outubro, o CSA recebeu o Operário, com casa cheia no Rei Pelé. Os mandantes também chegavam como favoritos, pois o Operário não vencia há 10 partidas na Segundona. Porém, o embate trouxe um choque de realidade para os azulinos, que acabaram sofrendo com um contundente 4 a 2.

Em pleno Trapichão, CSA foi massacrado pelo Operário - Foto: Ailton Cruz

Problemas com centroavante

Um dos principais problemas do CRB na temporada foram os seus centroavantes. Pelo menos quatro jogadores foram testados na posição pelo técnico Allan Aal durante as 37 rodadas anteriores.

Hyuri, Nícolas Careca, Alan James e Júnior Brandão foram os mais presentes na área. Após a saída de Hyuri para o futebol árabe, Allan Aal quebrou a cabeça para escolher o centroavante no seu esquema de 4-3-3. Juntos, marcaram apenas nove gols durante todo o campeonato. Um número gritante quando lembra-se que o Galo marcou 46 gols no total.

Nícolas Careca não conseguiu engatar bons jogos com a camisa do CRB - Foto: Ailton Cruz

Os centroavantes mais artilheiros são Hyuri, que marcou três gols em 10 jogos, e Júnior Brandão, que teve três gols em 18 jogos, uma média de um gol a cada seis partidas. Baixíssimo para qualquer centroavante. Completando a lista, Nícolas Careca marcou dois, enquanto Alan James fez apenas um.

Quem salvou o ataque regatiano foram seus meias. Curiosamente, os dois artilheiros do Galo na competição são seus meias-atacantes. Diego Torres marcou oito gols e é o líder no quesito. Na sequência, temos Renan Bressan, que tem cinco.

Dança das cadeiras

O CSA foi uma das equipes que mais trocou de comando técnico em 2021. Ao todo, foram três trocas e três técnicos diferentes, inclusive na Série B. O time que começou com o campeão alagoano Bruno Pivetti não rendeu, por isso, o jovem treinador foi demitido na 9ª rodada, enquanto o Azulão era o 14º colocado.

Campeão alagoano, Bruno Pivetti não fez uma boa Série B - Foto: Ailton Cruz

Substituindo Pivetti, o time azulino apostou em um treinador experiente, conhecedor da Série B e famoso em todo Brasil. Ney Franco aceitou a missão de tentar melhorar o desempenho azul e branco, parecendo que realmente conseguiria uma consistência no trabalho.

Todavia, o técnico não caiu nas graças da diretoria, que o demitiu de forma repentina, após uma derrota para o Sampaio Corrêa, na 21ª rodada. Apesar de ter tido poucos jogos (apenas 12), o professor conseguiu entregar o CSA em uma posição melhor do que seu antecessor, em 11º lugar.

A demissão abriu espaço para o retorno de Mozart que, mais uma vez, conseguiu uma recuperação incrível. Pelo segundo ano seguido o paranaense chega à 38ª rodada com chances reais de acesso. Até agora, Mozart conseguiu nove vitórias, mais da metade que o clube tinha antes de assumir.

Situação complicada

As circunstâncias e os vacilos não favorecem a dupla alagoana, que precisa torcer muito contra o Avaí, atual quarto colocado, com 61 pontos. Os cálculos são simples, no entanto, complicados de acontecer. Para o CRB, é necessário uma vitória contra o Operário, somado a um tropeço catarinense contra o Sampaio, dentro de casa.

Já para o CSA, é ainda mais difícil. Além de precisar vencer o Brasil de Pelotas, dentro de casa, ainda conta, no máximo, com um empate do Avaí e um do seu rival.

Avaí é o adversário direto dos clubes alagoanos na rodada final da Segundona - Foto: Avaí FC