PASTA 'FAZ DE CONTA'

O contraste entre o agro que gera oportunidades e a estagnação da política agrícola do governo

Maceió sedia o maior evento agropecuário do Nordeste, que acontece no tradicional Parque de Exposições José da Silva Nogueira, no Prado. A Expoagro possui exatamente a idade do Parque - 71 anos de história.

Foi em 1950 que Arnon de Mello venceu a eleição para o governo de Alagoas. No curso de sua gestão, nasceria a Associação dos Criadores do Estado, já considerada à época uma entidade de utilidade pública.

Com mais de oitocentos animais bovinos, equinos e ovinos, a Expoagro mostra na cidade a força de uma atividade consolidada no campo e que gera muitas oportunidades e postos de trabalho.

É mais um segmento econômico que vai à luta e enfrenta os desafios, assim como os pequenos negócios e a agricultura familiar, que são indispensáveis na distribuição de renda. Enquanto isso, pela seara governamental, a precarização da Secretaria de Agricultura, sem condições objetivas para dar suporte às atividades agropecuárias em nosso Estado.

A falência do setor público agrícola ficou patenteada bem antes da pandemia, tendo como ápice junho de 2019, quando o então secretário de Agricultura e ex-governador Ronaldo Lessa demitiu-se da Pasta.

Lessa afirmou que não possuía a menor condição de fomentar a piscicultura, agricultura e pecuária, uma vez que Renan Filho destinou orçamento ínfimo à Secretaria, cujo montante o remetia a 2006, quando governou o Estado.

Desmascarado por um ex-integrante do primeiro escalão o “faz de conta de uma” Pasta de governo que deveria ser prioritária, a Gazeta acionou sua reportagem para mensurar o atraso imposto pela gestão Renan Filho ao setor público agrícola de Alagoas.

Dados contidos no Censo Agropecuário do IBGE, de 2017, já apontavam a estagnação da produção, reflexo da falta de políticas públicas para fomentar a agricultura familiar e a diversificação de culturas. A inação do governo não ocorreu por falta de estudos e orientações técnicas, pois documentos nesse sentido chegaram às mãos do chefe do Executivo.

Em reportagem de 2019, a Gazeta destacou: “Sem matadouros, pecuaristas fazem abate de animais fora do Estado”. A apuração comprovou que mais de mil bois de Alagoas estavam sendo mensalmente abatidos em Sergipe, Pernambuco e Bahia.

Tratava-se de mais um capítulo infeliz referente ao descaso governamental com a pecuária de corte, tendo a falta de implantação dos matadouros regionais como causa para disseminação de abates clandestinos.

Em plena Expoagro, o resgaste dos fatos faz justiça à história e engrandece o esforço do setor produtivo, do agronegócio alagoano e da legião de agricultores familiares. Estes, órfãos do poder público, seguem em frente, mostram suas potencialidades, apontam soluções e tentam superar os obstáculos da vida real.