MUITO ALÉM DO HGE

A agonia da unidade hospitalar expõe sinais graves sobre a ineficiência da política de saúde do governo de Alagoas

A inspeção efetuada pelos integrantes da Comissão de Saúde e Direitos Humanos do Parlamento alagoano escancarou, mais uma vez, o velho e real cotidiano dos que buscam socorro no HGE.

Ao expor a realidade de uma unidade hospitalar que segue agonizando, a Comissão jogou por terra a farsa da política de saúde do governo de Alagoas, festejada pelo instagram governamental como a própria redenção do setor.

O engodo está no fato de a mais recente constatação significar mais uma entre tantas ocorridas somente no curso de quase sete anos do governo Renan Filho. O repertório é sempre o mesmo: pessoas amontoadas em macas ou pelo chão dos corredores, clamando por atendimento, num HGE abarrotado de pacientes e com aparelhos de ar-condicionado danificados, em meio a profissionais que se desdobram para tentar vencer a gigantesca demanda.

Nem a reportagem exibida pela Fantástico, em julho de 2017, gerou providências efetivas contra a caótica história de superlotação e caos na infraestrutura do HGE. Na ocasião, o Sindicato dos Médicos desafiou Renan Filho, em rede nacional, a ser atendido na ala vermelha do Hospital.

Três anos se passaram após aquele vexame em rede nacional, assim como também se foram as promessas oficiais para solucionar o grave problema do HGE. Como doença crônica, a incúria governamental teve recidiva em pleno início da pandemia, quando a Gazetaweb repercutiu a denúncia de que pacientes com Coronavírus encontravam-se misturados a outros que não o contraíram.

A exposição das vísceras de uma unidade hospitalar do Estado, em plena agonia, emite sinais graves acerca da gestão da saúde pública. Primeiro, a via crucis do HGE é lamentavelmente a mesma dos últimos tempos; segundo, a penúria reiteradamente comprovada só agrava a preocupação em torno dos novos hospitais construídos, cuja conta funcional, para ir além da bonita fachada de concreto, vai terminar num desafio para o próximo governo, em razão de o atual já encontrar-se com data de validade quase vencida.

No rastro da má gestão ainda é adicionado outro efeito colateral: a lentidão e ineficiência. O deputado Antonio Albuquerque foi o autor da denúncia segundo a qual o senador Collor e o deputado federal Nivaldo Albuquerque apresentaram emenda de R$ 20 milhões para melhoria da Unidade de Emergência do Agreste.

O recurso da União já está há quase três meses na conta do Estado, mas até agora é desconhecida qualquer ação do governo Renan Filho para aplicá-lo. Já o Fundo Estadual de Combate ao Câncer, que virou lei após a derrubada de vetos do governador, aguarda há meses a regulamentação para efetivamente cumprir seu papel na sociedade.

E assim a vida segue: enquanto aqui tem por tradição abordar assuntos de interesse público e inerente à vida real dos alagoanos, a oficialidade fez a opção pela silêncio em temas controversos, ou excluí-los do universo remoto onde opera o instagram palaciano.