EDUCAÇÃO E BETONEIRAS

Enquanto despenca a despesa com educação, o governo turbina a operação 'areia, cimento e pedra'

A semana da criança começou com uma lamentável constatação para a educação pública de Alagoas. Pesquisadores da USP confirmaram que o Estado foi o segundo no País que mais reduziu as despesas com o setor educacional, no primeiro semestre deste ano.

Se a média nacional de recuo de gastos com a educação ficou em preocupantes 7,4%, o que dizer de um percentual quase seis vezes maior? A pesquisa da USP ainda revelou o fato de, enquanto o Estado dava marcha à ré na área de ensino público, a receita crescia e fechou o semestre com incremento de 9,7%.

Os pesquisadores da USP concluíram que o Estado não priorizou a educação e demonstrou falta de planejamento de suas ações para avançar com a área da disseminação do conhecimento. Em nota, o governo prometeu realizar vultuosos(sic) investimentos até dezembro, o que não fez nos últimos sete anos.

A prova está no boletim governamental, que, em matéria de educação pública, encontra-se repleta de nota vermelha. Os fatos documentados pela imprensa já viraram registros históricos. A Gazeta, por exemplo, em sua edição de julho de 2019, estampou em manchete uma ampla reportagem acerca da política educacional do governo Renan Filho: “Descaso – Alagoas se mantém na lanterna em educação”.

O material jornalístico expôs uma educação pública que ocupa as piores posições entre os Estados da Federação. Renan Filho concluiu seu primeiro governo, em 2018, com o ensino médio contabilizando a segunda pior taxa de matrículas, além de o Índice de Desenvolvimento da Escola Básica pontuar abaixo da média nacional.

Em fevereiro do ano passado, a Gazeta provou, com documentos oficiais, que o governo alterou a programação financeira trimestral, duplicando os gastos com propaganda, em detrimento da educação.

São apenas algumas deploráveis constatações que bem demonstram o quanto foi dissimulante e pífia a nota palaciana, que nada explica e muito menos justifica, pois a falta de investimento nas escolas compromete a recuperação do atraso no aprendizado, acumulado nos últimos tempos – bem antes do período da pandemia.

Por meio de orientações técnicas, o governo sabia que, durante a pandemia, deveria investir recursos para assegurar o acesso de todos os estudantes às atividades remotas de ensino. Sabia também que deveria mover as gestões necessárias para checagem cotidiana dos alunos, especialmente os mais vulneráveis.

Na verdade, preferiu fazer caixa, em detrimento da área de desenvolvimento humano. Talvez para praticar o esporte preferido do Palácio, que é turbinar as betoneiras do seleto “clube” de empreiteiros, que se refestelam na operação “areia, cimento e pedra”, a favorita do governador.