BOLA FORA

Muito além do futebol, a política de esporte e lazer do governo Renan Filho é uma sucessão de descuido e decepção

Na virada do milênio, a ONU apontou a atividade física, recreativa e esportiva como algo que pode melhorar o desempenho escolar, destacando inclusive como caminho para inclusão social.

A Unesco, que é uma agência das Nações Unidas, acrescentou o fato de que o esporte une as pessoas em torno de valores positivos e ajuda a acabar com o preconceito, constituindo-se numa “ferramenta para o desenvolvimento e a paz”.

Diante de tantos pronunciamentos de organismos internacionais e estudos de especialistas no ramo, era de se imaginar que Renan Filho dignificasse a área de esporte do seu governo. Ao vasculhar os feitos oficiais e comparar com a importância desse segmento no desenvolvimento humano, chega-se fácil ao fiasco como conclusão.

No programa de governo registrado na Justiça Eleitoral, em 2018, o governador prometeu criar o programa Copa no Interior, que consiste em torneios intermunicipais, já realizados com sucesso por diversos Estados brasileiros. Em Alagoas, não saiu do papel.

Na mesma carta de compromissos, comprometeu-se a modernizar o Estádio Rei Pelé. A história, entretanto, demonstra que de fato vem sendo marcado gol contra o futebol alagoano.

Enquanto a agência de notícias palaciana propalava, em plena disputa eleitoral, que o gramado do velho Trapichão ganharia “tratamento especial”, bastou entrar 2019 e começar a temporada de jogos para o tapete verde se transformar num tabuleiro de pirulito.

Não bastando o descaso ser transmitido nacionalmente pelos canais esportivos de TVs, em sucessivos jogos, nenhuma providência foi tomada. Agora, quando os torcedores voltam a frequentar os estádios, o governo chegou à zona de rebaixamento, tamanho o descuido com o mais importante palco de futebol de Alagoas.

Nas últimas partidas, como a disputada entre CSA e Vasco, o gramado do velho Rei Pelé, de tanto charco que ficou pela falha na drenagem, equiparou-se a campos de várzea.

A indiferença é de tal monta que o estádio já acumula graves problemas estruturais. como rampa de acesso, a ponto de o Ministério Público requerer a interdição em razão de os problemas acumulados violarem o Estatuto do Torcedor.

Muito além do futebol, a política de esporte e lazer do governo Renan Filho é uma decepção. A incompetência chegou ao nível de devolver R$ 2,5 milhões recebidos do Ministério do Esporte e Turismo.

A grana vinda de Brasília, que deveria fomentar nos municípios alagoanos a prática esportiva, durante férias escolares, voltou ao órgão de origem pela inação governamental.

Diante dos fatos e sendo a regra clara, a performance do governo Renan Filho há muito mereceu cartão vermelho, num setor apontado pela ONU como ferramenta para o desenvolvimento e a paz.