Esta reportagem começou com a peregrinação que as pessoas fazem quando perdem um ente querido e precisam enterrá-lo. Primeiro, é necessário o atestado de óbito; depois, agendar o lugar para sepultar o corpo. No cemitério público municipal Piedade, por exemplo, localizado no bairro da Levada, área central de Maceió, os coveiros abordam o interessado e vão logo dizendo: "Não tem vaga". Daí a dor se transforma em desespero.
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Quando são perguntados onde tem cemitério público em Maceió com vaga para sepultamento imediato, surgem as propostas: a oferta inicial é de aluguel de túmulo, por três anos. No Piedade, o preço varia de R$ 2 mil a R$ 5 mil.
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Além do aluguel, os coveiros oferecem jazigos com até três gavetas para venda rápida no valor de R$ 7 mil e R$ 9 mil. Se o interessado não for pessoa esclarecida, esses preços podem dobrar.
A cidade tem oito cemitérios públicos: Divina Pastora, no Rio Novo; São Luiz, na Colina dos Eucaliptos; Santo Antônio, em Bebedouro; Piedade, na Levada; São José, no Trapiche da Barra; Mãe do Povo, em Jaraguá; Nossa Senhora do Ó, em Ipioca; e Santa Luzia, em Riacho Doce. A maioria está com lotação máxima.
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Por causa disso, alguns coveiros, de forma clandestina, mantêm as chamadas "covas-fantasmas" para as transações ilegais, cobram taxas abusivas de sepultamento ou fazem intermediações com supostas famílias donas de túmulos para locação. Numa dessas ações, até o atual secretário municipal de Desenvolvimento Sustentável (pasta que administra também os oito cemitérios da cidade), Gustavo Alberto Accioli de Paiva Torres, foi vítima de uma prática ilegal e antiga nos cemitérios públicos. A família dele pagou as taxas previstas e mesmo assim um dos funcionários desavisado e sem saber que estava diante do secretário que quer disciplinar o funcionamento dos cemitérios, cobrou taxa extra, bem acima do tolerável, para a limpeza do túmulo. O secretário não gosta de falar sobre o assunto, mas admite ter sido vítima da chantagem.