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Na pandemia, 95% das construtoras tiveram aumento no preço do cimento

Levantamento foi feito em 462 empresas de 25 estados brasileiros

No período entre março e julho, as construtoras de todo o País tiveram aumento no preço de materiais de construção, em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Entre os itens consultados, o cimento foi o que apresentou o maior aumento. Das empresas, 95% notaram uma mudança nos valores cobrados.

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Os números foram revelados por uma pesquisa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O levantamento foi feito em 462 empresas de 25 estados das cinco regiões do País entre os dias 16 e 21 de julho.

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Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, o momento não poderia ser mais inoportuno para aumentar preços. "É uma miopia por parte da cadeia produtiva. Em um momento onde indicadores têm mostrado sinais de recuperação no setor, quando temos a expectativa de que a construção civil possa puxar a retomada do crescimento, alguém decide levar vantagem", afirmou.

De acordo com o levantamento feito pela CBIC, 95% das empresas responderam que o preço do cimento teve um aumento durante no período da pandemia. Para 59% delas, a elevação foi de até 10%. Para 36%, o aumento foi acima de 10%. Nos estados do Ceará, Mato Grosso e Pará, 100% das empresas responderam que tiveram aumento no referido material.

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Já sobre o preço do aço, 87% das empresas responderam que tiveram aumento durante o período. Para 55% delas, a elevação foi de até 10%. Para 32%, o aumento foi acima de 10%. Nos estados do Ceará e Mato Grosso, 100% das empresas responderam que tiveram aumento no referido material.

Segundo o presidente da CBIC, o aumento no preço dos materiais é fora de momento e totalmente alheio à realidade da inflação, podendo ter como efeito rebote o aumento dos juros. "Seria ruim para o Brasil, em especial para a construção, pois desequilibraria todo o mercado. As empresas contrataram obras considerando uma realidade. Se essa realidade é modificada, as obras ficam novamente reduzidas", explicou.

O presidente da Comissão de Materiais, Tecnologia, Qualidade e Produtividade da CBIC, Dionyzio Klavdianos, disse o momento não é nada propício para o aumento de preços. Ele lembra que o setor da construção civil enfrentou um longo período de crise e mal havia completado um ano de recuperação tênue, quando foi impactado por uma pandemia mundial.

"Mesmo não tendo seus canteiros fechados na maioria dos estados, nossas empresas têm sofrido os impactos da pandemia da mesma forma que os demais setores da economia", disse Klavdianos.

A pesquisa também perguntou sobre o aumento nos preços de concreto, bloco cerâmico, bloco de concreto e cabos elétricos. Em todos eles houve elevação nos valores.

No caso do concreto, 81% das empresas responderam que houve aumento de preço durante o período da pandemia. Para 59% delas, o aumento foi de até 10%. Já para 22%, o aumento foi acima de 10%. Quando o item consultado foi bloco cerâmico, 75% das empresas responderam que houve aumento no mesmo período. Para 32% delas, o aumento foi de até 10%. O aumento foi acima de 10% em 43% das empresas.

Quando a pergunta foi sobre preço de bloco de concreto, 74% das empresas responderam que tiveram aumento durante o período da pandemia. Para 51% delas, o aumento foi de até 10%. Para 23%, o aumento foi acima de 10%. Por fim, 90% das empresas responderam que cabos elétricos tiveram aumento durante o período da pandemia. Para 43% delas, o aumento foi de até 10%, enquanto 47% responderam que o aumento foi acima de 10%.

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