Levy admite que conversa com Dilma sobre saída do Ministério da Fazenda
Rumores aumentaram após nova meta de superávit; ministro disse que fim do ano Legislativo 'abre alternativas'
O ministro da Fazenda,Joaquim Levy, admitiu nesta sexta-feira (18) que "tem conversado" com a presidente Dilma Rousseff sobre a sua possível saída do governo e disse que não quer "criar nenhum constrangimento".
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"A gente [Levy e a presidente Dilma] tem conversado, eu acho que eu tenho que falar o que eu já falei", afirmou o ministro, ao ser perguntado, durante café da manhã com jornalistas em Brasília nesta sexta-feira (18), se já havia acertado sua saída com a presidente. "A gente sempre teve um relacionamento muito respeitoso".
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"O ano Legislativo já se encerrou e a gente pode, isso abre umas tantas alternativas. Evidentemente meu objetivo não é criar nenhum constrangimento ao governo, agora é lógico que é importante, tem que ter clareza de quais são as prioridades até em função de todas as demandas sobre o governo, sobre a presidente. E eu acho que o caminho vai ser em função disso", disse ele.
É a primeira vez que Levy fala diretamente sobre a possibilidade de deixar o cargo. Na quarta-feira, em entrevista à TV Globo,o ministro afirmou que estava "bem" no comando da pasta.


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"Estou bem aqui à frente do ministério", disse Levy, ao ser questionado se ele pode deixar o governo. "Eu tenho dito que o folhetim, a novela, não é muito importante. O importante é o que a gente está conseguindo fazer para ter um Brasil melhor".
Na quinta-feira, no entanto, eleadotou um tom de despedida em conversas reservadas que teve com parlamentares, de acordo com o colunista doG1, Gerson Camarotti. A interlocutores, Levy explicou que há uma pressão cada vez maior da própria base aliada para uma flexibilização da política econômica.
A presidente Dilma Rousseff já estaria em busca de substitutos para o comando da Fazenda.A opção pode ser por uma "solução doméstica", segundo a colunista doG1 Cristiana Lôbo, com o deslocamento do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, para a Fazenda; e no Planejamento, um nome político, como o do senador Romero Jucá (PMDB-RR).
Também estariam na lista de Dilma o do ministro do Desenvolvimento,Armando Monteiro, e atéAlexandre Tombini, do Banco Central.
Rumores
A saída do ministro já vem sendo especulada há meses, mas os rumores ganharam força esta semana, depois que ogoverno decidiu reduzir a meta de superávit primário(economia para pagar os juros da dívida) de 2016 para 0,5% do PIB. A decisão contrariou diretamente Levy, que vinha insistindo na necessidade de manter a meta de 0,7% do PIB como uma espécie de último estandarte para garantir a retomada da confiança no Brasil e a estabilidade necessária para uma retomada do crescimento econômico.
Derrotas
Durante o café da manhã desta sexta, Levy admitiu que algumas propostas para a economia não foram bem sucedidas.
"A gente apresentou um número significativa de propostas. Em nem todas a gente teve sucesso. Eu acho que a maior parte daquilo que pus como sendo uma primeira rodada de coisas importantes ao longo do ano, com o auxílio dos secretários, não se conseguiu concluir, mas encaminhou de uma forma bem completa. Isso não necessariamente implica numa ação específica e imediata. O sentido de algumas observações é o que foi feito já está tendo resultados. Os desafios continuam", disse.
"Algumas coisas não têm encaminhamento esperado. Às vezes, há um foco excessivo na questão fiscal. Esse boom que a gente está vivendo é resultado da política anticíclica dos nossos parceiros".
