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Jangadeiros alagoanos comemoram "invasão" de turistas a Maceió

Cenário da pandemia no início de 2022 favoreceu cadeia da indústria do turismo, que está com hotéis, pousadas e cidades lotados

O mês de dezembro superou as expectativas dos segmentos do turismo e especialmente dos 250 jangadeiros que fazem passeios das piscinas naturais da Pajuçara, em Maceió. “Os turistas voltaram!”, comemora o jangadeiro Onaldo de Oliveira, 63 anos, depois de dois anos sem trabalhar. Para manter o negócio aquecido, os profissionais cumprem à risca os protocolos sanitários. “O turista só sobe na jangada de máscara e a gente oferece o álcool em gel. Lá, nas piscinas, eles podem tirar a máscara”, explica outro jangadeiro, Nivaldo dos Santos.

A secretária Municipal de Turismo, Patrícia Mourão, confirma o aquecimento do turismo na capital e faz projeção de alta temporada satisfatória até março. Ela atribui a opção dos turistas por Maceió ao trabalho integrado do prefeito JHC (PSB), que colocou a capital entre os de melhor desempenho na Campanha Nacional de Vacinação. Segundo a secretária, além dos jangadeiros, a maioria dos segmentos comemora a volta dos turistas.

Os jangadeiros amargaram dois anos de prejuízos por causa da pandemia. Os informais e os pescadores ficaram sem ajuda social da prefeitura e do governo estadual. Sem alternativa, a maioria voltou a trabalhar com a atividade pesqueira para garantir o sustento da família. “Agora tudo indica que até março o turismo vai bombar”, acreditam os jangadeiros José Inaldo e Carlos dos Santos.

Nos hotéis o movimento é considerado surpreendente e os voos chegam lotados. A frustração dos segmentos foi a suspensão da circulação no País, conforme determinou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), dos navios de cruzeiros até o dia 4 de fevereiro por causa do aumento no número de casos da Covid-19 e da Influenza. Cada cruzeiro traz mais de dois mil turistas que aquecem a economia das cidades.

Jangadas na Pajuçara, em Maceió - Foto: Ailton Cruz

Mesmo assim, semanalmente chegam turistas de avião, ônibus e carros particulares. Os empresários Antônio Guerra e Ana Carolina Moraes vieram do Mato Grosso, pretendiam ficar apenas uma semana em Alagoas e seguiriam para Salvador. Depois do passeio de jangada, decidiram prolongar a estada em Maceió. “As praias do Francês, Maragogi e o passeio de jangada até a piscina da Pajuçara fazem a gente esquecer este momento triste da pandemia do coronavírus e da Influenza. A gente tem a sensação de que está no Paraíso”, disse o empresário. “O uso de máscara é obrigatório em todos os lugares”, afirmou o casal.

PREÇO

Alguns turistas ficaram surpresos com o aumento do preço do passeio de jangada até a piscina natural. Até 2019 o valor por pessoa era R$ 25 a R$ 35. Visitantes que estiveram em Maceió em anos anteriores estranharam o aumento para R$ 50. Porém, o preço voltou a subir na quinta-feira (13) [data do aumento dos combustíveis] e agora o preço individual do passeio até a piscina natural é R$ 65 “A jangada é movida a vento, por que aumentou o preço do passeio até a piscina natural?” perguntou um dos turistas que não quis se identificar.

A presidente da Colônia dos Pescadores Z1, Maria Aparecida da Silva, informou que a Prefeitura de Maceió e a colônia estão fazendo o ordenamento da atividade.“Foi instalado um ponto de venda de passagem, há funcionários para atender a demanda. Cada turista agora terá seguro em caso de acidente. A fiscalização será mais rigorosa e todos os equipamentos de segurança, salvatagem, estão garantidos”, explicou.

Cada jangada tem lotação máxima de seis pessoas e só parte para o passeio com a lotação completa. Atualmente, 180 jangadas fazem o trajeto até a piscina natural. Elas garantem cerca de 400 empregos diretos e indiretos, disse a líder dos 1,6 mil pescadores e 250 jangadeiros da Pajuçara.

COLÔNIA EXIGE CUMPRIMENTO DE PROTOCOLOS SANITÁRIOS

Turistas se surpreenderam com preço do passeio - Foto: Ailton Cruz

A Colônia de Pescadores exige dos profissionais que trabalham com turistas o cumprimento dos protocolos sanitários. “Ao comprar o voucher [passagem] para o passeio, o turista recebe uma pulseira de identificação, que representa a regulamentação da atividade, com garantias de qualidade do serviço, segurança e orientação sobre os protocolos para evitar a contaminação”, justifica.

“Cida” explicou que o aumento para R$ 65 é para cobrir os novos custos com os funcionários que estarão no quiosque para orientar o turista a respeito dos protocolos e com a segurança”.

Ela conta que a maioria dos profissionais e os diretores da Colônia de Pescadores aprovou a determinação dos órgãos fiscalizadores em exigir o cumprimento das orientações sanitárias. “Tem que ser assim. Alagoas já vacinou quase 70% da população. Maceió é uma das capitais modelo nas campanhas de imunização. Por isso, a cidade está lotada. Isto é bom porque tem muita gente precisando trabalhar e com prevenção para manter a saúde em dia”, disse Maria Aparecida.

O novo quiosque para vender o bilhete do passeio de jangada funciona na Praia da Pajuçara próximo do posto do Corpo de Bombeiros. O ordenamento da atividade era um pleito antigo dos jangadeiros. O acesso às embarcações era feito por abordagem de agenciadores. Havia um preço padrão que poucos respeitavam.

MARAGOGI

A Colônia de Pescadores exige dos profissionais que trabalham com turistas o cumprimento dos protocolos sanitários. - Foto: Ailton Cruz

Outro polo que está “bombando” é Maragogi. Última cidade do litoral Norte, que faz divisa com Pernambuco, consolida-se como o segundo maior ponto de atração turística do Estado. A cidade de 33 mil habitantes, mas que dobrou a população nesta temporada. O prefeito Fernando Sérgio Lira (PP) confirmou que os hotéis, pousadas e casas de veraneio estão lotados até março. O prefeito, que é vice-presidente da Associação do Municípios Alagoanos (AMA) e médico, foi o primeiro a recomendar a suspensão de festas públicas e cancelar o carnaval de rua.

“Estamos orientando os empresários do trade turístico a manter o rigor dos protocolos sanitários, evitar concentração nos estabelecimentos”, disse, acrescentando que monitora o quadro epidemiológico da cidade. O município, que não tem tradição de carnaval, oferece passeios às piscinas naturais de banho e mergulho, passeios de catamarãs até as comunidades tradicionais como São Bento, pontos históricos, rotas rurais com cachoeiras. “Com o turismo em alta, o desemprego caiu radicalmente na região”, comemora Lira.

Para manter o turismo aquecido, a prefeitura está investindo R$ 92 milhões em programas de saneamento, abastecimento de água, infraestrutura e ordenamento urbano. “Estas obras em andamento fazem parte do marco referencial do saneamento e ajudam também a combater o desemprego na região”.