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Como foi a visita de Bolsonaro à Índia para o agronegócio

Considerada a "China do amanhã", setor tem grande interesse no mercado indiano. Veja os avanços e o que ficou para depois

O presidente Jair Bolsonaro termina nesta segunda-feira (27) sua viagem oficial à Índia, com a assinatura de 15 acordos bilaterais, sendo alguns deles na setor agropecuário.

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Na declaração conjunta dos dois países, de 48 itens, 6 tratam sobre a agropecuária e 1 fala sobre bioenergia - especialmente etanol, que é uma demanda da atividade.

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O agronegócio tem um olhar especial voltado para a Índia, ela é considerada pelo governo como a "China do amanhã". Com população acima de 1 bilhão de pessoas, é um mercado que pode ser tão importante quanto o dos chineses.

Mas o desafio é aumentar as exportações do setor, que foram de US$ 841,2 milhões em 2019, para uma cifra ainda maior. Como base de comparação, os chineses compraram do Brasil US$ 31 bilhões de produtos agropecuários no mesmo período.

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Durante a visita oficial, os governos indiano e brasileiro se comprometeram a dobrar intercambio comercial entre os dois países até 2022, de US$ 7 bilhões para cerca de US$ 15 bilhões.

A agropecuária tem papel importante, mas, em cifras, a viagem trouxe pouca novidade para o setor.

Os destaques foram a abertura de mercado para a exportação do gergelim brasileiro, a cooperação entre os dois países para o aumento da produção de etanol e parcerias em pesquisas agropecuárias.

Em contrapartida, os indianos vão poder exportar sementes de milho para o Brasil e tentam um acordo para encerrar um questionamento feito pelo governo brasileiro dentro da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre os subsídios da Índia à produção de açúcar.

O G1 separou os principais destaques para o agronegócio da visita de Bolsonaro à Índia:

Açúcar e etanol

A Índia é um dos grandes produtores mundiais de açúcar e concorrente do Brasil. O objetivo dos produtores brasileiros é conseguir equilibrar a oferta mundial do produto, para que não exista grandes variações de preços, especialmente na queda.

Para isso, a indústria brasileira buscava duas coisas na Índia: compromissos do governo indiano para deixar de subsidiar as exportações de açúcar e mais empenho na produção de etanol.

Quanto ao segundo item, os governos do Brasil e da Índia se comprometeram em ampliar o uso de energias renováveis, sendo uma delas o etanol. O presidente Jair Bolsonaro comentou o entendimento após a assinatura dos acordos.

"O etanol, essa tecnologia nossa, vindo para cá, acaba nos favorecendo também porque daí se produz menos açúcar aqui e ajuda a equilibrar o mercado", afirmou Bolsonaro, que também cogitou a possibilidade de fabricação de carros flex na Índia por meio de empresas brasileiras.

Quanto aos subsídios a exportação de açúcar, Jair Bolsonaro disse ter recebido do primeiro-ministro Narendra Modi pedido para que o Brasil retire um questionamento na OMC a respeito do açúcar.

Na organização, o Brasil argumenta que as políticas indianas de incentivo ao setor açucareiro local geraram prejuízos aos agricultores brasileiros e ajudaram a derrubar as cotações do produto no mercado internacional.

Com os incentivos, as exportações de açúcar da Índia saltaram de 2 milhões de toneladas na temporada 2017-2018 para 5 milhões de toneladas em 2018-2019.

"Ele [Modi] me disse que o açúcar comerciado para fora equivale a 2% do montante. Então, isso é pequeno. Pedi ao Ernesto Araújo [ministro das Relações Exteriores] para [verificar] a possibilidade de rever essa posição do Brasil", declarou.

Caso o questionamento seja encerrado, ele poderá ser uma derrota para o setor brasileiro. Porém, até a publicação deste texto, não existe nenhum anúncio oficial sobre o fim do processo na OMC.

Exportação de gergelim

O Brasil conseguiu a abertura de mercado para um produto na visita à Índia: o gergelim. O país ainda produz pouco, cerca de 25 mil toneladas, mas é um grão que pode ser cultivado após a safra de soja - a maior do país -, e os agricultores têm se interessado pela sua produção.

O mercado mundial de gergelim gira em torno de US$ 3 bilhões, e, no último ano, o Brasil vendeu cerca de US$ 24 milhões. O maior produtor mundial é justamente a Índia, que também é a maior consumidora.

"O Brasil vai poder contribuir suprindo a demanda de gergelim, o que é importante para uma nova cultura que o Brasil vem desenvolvendo", afirmou em nota a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Em compensação, o Brasil importará sementes de milho da Índia. "Estamos abrindo para a Índia as exportações de semente de milho, levando tecnologia indiana para o Brasil. Isso será muito importante para o começo da cooperação entre os nossos governos", completou a ministra.

Pesquisa agropecuária

O entendimento entre Brasil e Índia prevê também uma cooperação em sanidade animal (comércio de animais, material genético e produtos de origem animal), que envolve pecuária e pesca; capacitação técnica (assistência técnica, cursos e estágios e transferência de tecnologia em reprodução animal) e pesquisa em genômica bovina e intercâmbio mútuo de germoplasma (material genético).

Os países também se comprometeram na instalação de um Centro de Excelência em Pecuária Leiteira em território indiano, além da promoção comercial e investimento entre os setores privados dos dois países, com destaque para atuação de empresas brasileiras de genética bovina na Índia.

Na declaração, Brasil e Índia referendaram memorando de entendimento entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Departamento de Pecuária e Lácteos da Índia, firmado em 2016, para capacitação de técnicos indianos em fertilização in vitro.

Os líderes também querem ampliar a cooperação na pesquisa agrícola entre a Embrapa e o órgão local, o Indian Council of Agricultural Research (Icar). Os governos mencionam coco, leite, búfalo, cana-de-açúcar e grãos de leguminosas como temas acordados para pesquisa conjunta.

Ficou para depois

A carne de frango brasileira, produto que já é autorizado a exportar e que enfrenta uma alta taxação, não foi citada no declaração dos dois países.

A Índia impõe taxas de importação de 100% sobre produtos de frango e de 30% sobre frangos inteiros, consideradas elevadas demais para que o Brasil consiga avançar no mercado local, onde a indústria de frango tem crescido mais de 10% ao ano.

A expectativa dos frigoríficos brasileiros era de que essas barreiras pudessem cair durante a visita oficial do governo brasileiro, mas nada foi anunciado.

Além disso, os dois países manifestaram interesse em aumentar outras trocas comerciais, como as exportações de abacate, cítricos e madeira de ipê provenientes do Brasil, e as exportações de milheto (utilizado para alimentação de gado), sorgo, canola e algodão da Índia.

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