Comércio demite 2 mil e amarga queda de 11% nas vendas em 2015
Movimento segue fraco no início deste ano; fôlego é dado pelas vendas sazonais
No centro de Maceió percebe-se que o movimento não é dos mais animadores. Pouca gente nas ruas, vendedores na porta das e até os ambulantes reclamam das vendas. Seu Cícero trabalha há 9 anos com uma barraca de eletrônicos e diz que o período não está dos melhores. "O tempo tá ruim. Nem com o fim de ano, as coisas mudaram muito. As mercadorias que comprei pro Natal ficaram encalhadas em casa", reclama o ambulante de 46 anos.
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O tempo ruim a que se refere seu Cícero é uma realidade para a Aliança Comercial de Maceió. A entidade revela que a queda nas vendas foi de aproximadamente 11% em relação a 2014. "Se pudesse excluir o ano de 2015 do calendário com certeza faria", resumiu Guido Júnior, presidente da Aliança Comercial.
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Para 2016, a Aliança Comercial diz que vai remar de acordo com a maré. "Temos tentando provocar o mercado com algumas ações e, nos primeiros dias do ano, a gente sente a reação em função das queimas de Natal e Réveillon e as promoções de verão, mas é um só um fôlego, porque logo depois vem o carnaval, que não é um bom período para o comércio, com quedas nas vendas e um feriado muito longo para os lojistas", explicou Guido Júnior.

A redução de postos de trabalho também é outra realidade no centro de Maceió. Segundo a Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio/AL), entre janeiro e novembro de 2015 foram 2.060 demissões no setor do comércio, entre funções como vendedores, recepcionistas, caixas e embaladores. Já em 2014, levando em consideração os 12 meses, o ano fechou com um saldo positivo: foram 882 contratações no setor.


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De acordo com Felippe Rocha, economista da federação, esse número é um retrato do movimento do comércio. "Ao longo do ano, o saldo não foi positivo em relação às vendas. O cenário para 2016 ainda é nebuloso", resumiu.
Os empregos temporários também movimentam o comércio nos últimos meses do ano. Entre o terceiro e quarto trimestre de 2015 (setembro, outubro e novembro), 301 contratações temporárias foram feitas no comércio varejista. Em 2014, o número foi de apenas 139. "A turbulência já começou em 2014. Crise política, ano eleitoral, as manifestações, os comerciantes já estavam tímidos e receosos", elencou Felippe Rocha.
Para 2016, a Fecomércio/AL afirma que o cenário depois de março deve mudar. "Nos primeiros meses do ano existe um fluxo muito grande de turista que, de certa forma, aumenta o nível de consumo. Depois, o consumo fica a cargo do próprio alagoano", explicou Felippe Rocha.
Incêndios no centro de Maceió

Além da queda nas vendas, o ano de 2015, para o centro de Maceió, foi marcado por três grandes incêndios que causaram prejuízos para algumas lojas da região. Em julho, as chamas destruíram uma loja de eletrodomésticos e atingiu um edifício. Em setembro, na Rua Moreira Lima, o fogo começou numa loja de bijuteria e atingiu o teto de uma farmácia. Em pouco mais de dois meses, um incêndio ainda maior atingiu cinco estabelecimentos e o Corpo de Bombeiros levou mais de 12h para acabar como os focos.
A dificuldade de acesso aos locais e a desativação de alguns hidrantes da região do centro dificultaram o combate ao fogo. Depois dos incêndios, a Aliança Comercial providenciou a abertura dos acessos para os caminhões-tanque nas ruas Moreira Lima, Boa Vista e no calçadão do comércio. Mas ainda permanecem fechados os acessos da Rua da Alegria e Rua do Livramento.
Seis dos onze hidrantes do centro de Maceió ainda estão em manutenção. "As lojas estão alinhando a questão dos extintores e os projetos de incêndio de cada estabelecimento. Os lojistas também receberam um treinamento com o Corpo de Bombeiros", disse Guido Júnior. Alguns bancos de toda extensão do centro foram transferidos de lugar para facilitar o combate aos possíveis incêndios, além de mudanças na rede elétrica feitas pela Eletrobras Distribuição Alagoas.
Perigos nas ruas

Basta circular pelas ruas mais importantes do centro de Maceió para flagrar os perigos de quem circula na região. Na Rua Boa Vista, há trechos com buracos que servem de armadilha para os pedestres e também acumulam lixo. Na mesma rua, um cadeirante reclamou da dificuldade de acesso às ruas do Centro. Claudevan dos Santos tem 52 anos e para circular na região precisa da ajuda do pequeno Daniel, o filho de 12 anos que usa a força dos braço
s para fazer com que a cadeira de rodas suba as calçadas.

"Sempre estou por aqui e em toda a região existem calçadas altas, além das entradas da lojas. Preciso sempre da ajuda do meu filho ou de outra pessoa que coloque força na subida, já que além de não ter o movimento das pernas, tenho os membros superiores atrofiados", relatou.

Em algumas ruas, os vendedores das lojas improvisaram um tapume para os buracos, na tentativa de evitar quedas de quem passa no local. "De vez em quando alguém tropeça e até cai por aqui, quando estou por perto, tento sempre avisar", disse Maria Aparecida dos Santos, que distribui panfletos no centro de Maceió.
Na Rua do Livramento, além dos buracos, algumas tampas de esgoto estão danificadas. Na movimentada Rua do Comércio, onde existem as paradas de ônibus, a nossa reportagem não encontrou nenhuma rampa em frente aos pontos. Em frente a um dos pontos do corredor, uma calçada destruída. "Muitos idosos se machucam aqui", disse um ambulante que trabalha em frente à parada.
Medidas para acessibilidade
Para tentar resolver os problemas de acessibilidade do centro de Maceió, a Aliança Comercial se reuniu com o Ministério Público Estadual (MPE) para que os lojistas apresentem um plano de adaptação às normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Os lojistas têm um prazo de 60 dias. "Vamos contratar um arquiteto e elaborar um proposta com as normas para atender às necessidades de acesso aos cadeirantes e usuários com dificuldades motoras", disse Guido Júnior, presidente da Aliança Comercial.
