Psicóloga analisa jogatina e faz alerta sobre o rendimento
Presença de ídolos do esporte em jogos de azar normaliza o vício e mascara riscos para milhões de brasileiros, aponta especialista

Se recuperando de lesão, Neymar Jr. disputou um torneio de pôquer na noite da última terça-feira (21/7), enquanto o Santos disputava os playoffs da Copa Sul-Americana. A situação levantou um alerta nos bastidores do futebol sobre a linha tênue entre o hobby e o vício (ludopatia) e como esse comportamento gera uma queda direta no rendimento físico.
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Em entrevista ao Metrópoles Esportes, a psicóloga Karoline Miranda explicou que o pôquer caminha entre o hobby e a ludopatia:
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“No hobby, o jogo tem hora para começar e terminar, limite financeiro definido e não afeta as demais áreas da vida. A ludopatia acontece quando o jogo vira um refúgio para preencher vazios, aliviar ansiedades ou tentar “recuperar” prejuízos anteriores. A mente passa a ficar ocupada constantemente com as apostas, gerando mentiras, isolamento, perda de controle sobre o próprio tempo e dinheiro e prejuízos nas relações e na carreira”, descreveu.
Segundo a especialista, esse vício pode sim afetar o desempenho de atletas profissionais:


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“O que desorganiza a mente afeta diretamente o rendimento físico. A oscilação brusca entre a expectativa do ganho e a dor da perda gera sentimentos de culpa, angústia e desesperança. A mente fica exausta pelo estresse financeiro ou emocional e perde a presença, a concentração e a tomada de decisão rápida necessárias para a prática esportiva”, iniciou.
“A frustração contínua traz níveis elevados de cortisol e adrenalina. O estresse impede a chegada ao sono profundo, que é exatamente a fase vital para a recuperação muscular, o equilíbrio imunológico e a saúde mental. Com o corpo em constante estado de tensão e sem o descanso adequado, aumentam a fadiga muscular, a perda do tempo de reação e a vulnerabilidade a lesões”, concluiu.
Diante desse cenário, que pode comprometer clubes e equipes esportivas, a psicóloga alertou que o melhor caminho passa prioritariamente pela saúde mental e pela construção de redes de acolhimento. Ela reforçou que a proibição pode ser ineficaz e “apenas punir o sintoma e empurrar a dor do atleta para o ocultamento e a vergonha”.
“A resposta mais eficaz e sustentável passa prioritariamente pela saúde mental e pela construção de redes de acolhimento. A simples proibição isolada costuma ser ineficaz, pois apenas pune o sintoma e empurra a dor do atleta para o ocultamento e a vergonha. É preciso observar a si mesmo e os demais e, com isso, reconhecer as necessidades”, finalizou.
Segundo um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 25 milhões de brasileiros apostam em plataformas on-line e jogos de azar. Para Karoline, a presença de jogadores e outras celebridades nesse universo, além da divulgação dessas práticas, influenciam a entrada de novos apostadores.
“Atletas de elite são referências diretas de vida, resiliência e sucesso, especialmente para crianças e jovens. Por isso, o impacto dessa influência é imenso. Quando um ídolo divulga ou pratica jogos de azar publicamente, a atividade ganha contornos de glamour ou ‘dinheiro fácil’. Isso tira do perigo real e reduz a percepção do risco de vício”, comentou.
Sem Neymar, o Santos venceu o Universidad Central por 4 x 1 na última terça-feira (21/7) em partida de ida dos playoffs da Sul-Americana. Após a vitória santista, o técnico Cuca revelou que pretende contar com o camisa 10 para o próximo confronto.
O Peixe volta a entrar em campo neste sábado (25/7), às 18h30, na Vila Belmiro, em duelo válido pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro.
