Após neto ser baleado e morto, Neguinho da Beija-Flor vai embora do país
Gabriel, que trabalhava na montagem do evento, e outros dois homens foram baleados e mortos em uma troca de tiros entre policiais militares e bandidos
O sambista Neguinho da Beija-Flor afirmou que o assassinato do neto Gabriel Ribeiro Marcondes, de 20 anos, no último domingo (18/10), num baile funk, intensificou sua vontade de deixar o Brasil em busca de oferecer outras condições de vida para a filha Luisa Flor Morena, de 12 anos. "No Brasil, basta nascer preto para ser suspeito. Por isso, estou metendo o pé do país", desabafou o cantor ao jornal Extra.
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Gabriel, que trabalhava na montagem do evento, e outros dois homens foram baleados e mortos em uma troca de tiros entre policiais militares e bandidos no Morro da Bacia, no Ambaí, em Nova Iguaçu. O neto do sambista chegou a ser socorrido pelos policiais militares e levado ao Hospital da Posse. No entanto, não resistiu aos ferimentos. O sepultamento ocorreu nesta segunda (19/10), no Cemitério de Nova Iguaçu.
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Durante o velório, o cantor comentou que a família está "arrasada" desde a morte do jovem. Neguinho falou, ainda, sobre a truculência nas abordagens policiais a moradores de comunidades e que, se um dia a pena de morte for implantada no Brasil, "não sobra um negro". Ao desabafar sobre o acontecido, o sambista disse que o filho Paulo Cesar Marcondes, pai de Gabriel, vai processar o Rio de Janeiro.
"Meu filho vai processar o Estado. A justificativa é a seguinte: ?Seu neto estava no lugar errado, na hora errada?. Queria que ele estivesse onde? Num shopping na Barra? Aqui em Copacabana? Se todo lugar no Rio é perigoso. É muito fácil fazer justiça em cima do negro sem defesa. Uma vez perguntei a um amigo, um grande jurista, sobre o que aconteceria se a pena de morte fosse aceita no país. Ele disse: ?Só vão viver os brancos, vão matar todos os negros?. Negros já nascem suspeitos. Em negro, atiram primeiro para depois saber quem é", ressaltou.


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