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A devastadora história real de A Voz de Hind Rajab, indicado ao Oscar

A Voz de Hind Rajab concorre ao Oscar e usa áudios reais de uma menina que pede socorro em meio aos conflitos em Gaza


				A devastadora história real de A Voz de Hind Rajab, indicado ao Oscar
A devastadora história real de A Voz de Hind Rajab, indicado ao Oscar. Divulgação

“Eles estão atirando em mim. Por favor, venham me buscar. Estou com medo”, diz um dos áudios reais que aparecem em A Voz de Hind Rajab. O filme tunisiano concorre ao Oscar de Melhor Filme Internacional e retrata a história real de uma menina palestina de cinco anos perdida durante os conflitos em Gaza, em janeiro de 2024. O longa chegou aos cinemas brasileiros nessa quinta-feira (29/1).

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Dirigido por Ben Hania, o filme disputa a estatueta com O Agente Secreto no Oscar 2026. A produção mistura gravações reais das ligações da criança pedindo socorro com cenas dramatizadas por atores que interpretam funcionários de um serviço de emergência, além de imagens cedidas pela família da vítima. A partir deste ponto, o texto contém spoiler.

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A trama se passa quase integralmente dentro do centro de atendimento telefônico do Comando Vermelho, em Ramallah, na Cisjordânia ocupada. Os atendentes recebem a ligação de uma criança que relata estar dentro de um carro em uma área de conflito.

Ao longo da chamada, os telefonistas Hana (Saja Kilani) e Omar (Motaz Malhees) descobrem que Hind está cercada pelos corpos baleados da tia, do tio e dos primos. Embora o bairro de Tel al Hawa esteja a cerca de oito minutos do local, o resgate não acontece de imediato e esbarra em entraves de segurança e burocracia.

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A tensão aumenta com as tentativas frustradas do chefe Mahdi (Amer Hlehel) de viabilizar uma rota segura para a ambulância. Ele busca autorizações que passam pelo Crescente Vermelho, Cruz Vermelha, Forças de Defesa de Israel e retornam às mesmas instituições repetidamente criando um círculo burocrático.

Enquanto o impasse persiste, Hind permanece na linha por cerca de três horas. Apenas 70 minutos da ligação foram gravados. Esses áudios são usados ao longo do filme, mesclados a sons de tiros e explosões no local do possível resgate.

Com a chegada da noite e o aumento das súplicas da menina, que tem medo do escuro, o Comando Vermelho consegue articular uma rota segura com as autoridades israelenses. Dois paramédicos são enviados, mas a ambulância é fuzilada antes de chegar ao local. Hind é abandonada até a morte.

O caso ganhou repercussão internacional após a divulgação da ligação telefônica. Inicialmente, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que nenhuma de suas tropas estava presente na área.

Na contramão, investigações independentes da Forensic Architecture, em parceria com a ONG Earshot e jornalistas da Al Jazeera, apontaram que os danos no carro e na ambulância eram compatíveis com fogo de tanque israelense. A ONU citou o episódio em uma comissão que acusa Israel de crimes de guerra, acusações que o país nega.

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