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Bloco Filhinhos da Mamãe festeja 41 anos de tradição carnavalesca

Um dos pioneiros do carnaval de rua de Maceió, bloco pede ajuda de foliões para custear despesas

Se aquelas ruas do centro de Maceió falassem, certamente, nesta época momesca, entoariam marchinhas, contariam histórias de folia, celebrariam a vida e a subversão dos Filhinhos da Mamãe. O bloco, que há 41 anos quer carnavalizar a cidade, ganha mais uma vez a Avenida da Paz nesta sexta-feira, 2 de fevereiro, a partir das 19h. A concentração será no pátio do Museu Théo Brandão (MTB). Às 23h, a boneca “Mamãe” guia os foliões até o Museu da Imagem e do Som de Alagoas (Misa), no Jaraguá. O bloco é gratuito e sem fins lucrativos.

A festa tradicional costuma reunir artistas, boêmios e todos os maceioenses que quiserem, mesmo que seja por uma noite, incorporar esses personagens — afinal, é carnaval. Um dos blocos mais tradicionais de Alagoas, o Filhinhos da Mamãe é também um convite para saudar a dama do teatro alagoano, Linda Mascarenhas, celebrando a arte e a alegria de simplesmente ser, como bem define o coordenador da agremiação, o professor, ator e dramaturgo Ronaldo de Andrade.

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“Estamos chegando aos 41 anos de folia dos Filhinhos da Mamãe. Um sonho que colore a cidade de alegria e significado, aberto para todos que saibam o valor de ser um filho de uma mãe que nos nutre de amor, esperança, alegria e ousadia para continuar vivendo. O convite é para participar dessa festa, de mais uma barrigada da mamãe”, diz.

DE PIRES NA MÃO

Imagem ilustrativa da imagem Bloco Filhinhos da Mamãe festeja 41 anos de tradição carnavalesca
| Foto: Reprodução

Apesar do caráter tradicional, o bloco Filhinhos da Mamãe é uma iniciativa sem fins lucrativos e que, até então, não conta com o apoio dos entes públicos. Por essa razão, Ronaldo de Andrade afirma que os filhinhos estão com o pires na mão, pedindo apoio para custear as despesas do bloco. A ajuda é por meio do Pix/CNPJ da Associação Teatral das Alagoas (ATA): 41.180.464/0001-04.

Imagem ilustrativa da imagem Bloco Filhinhos da Mamãe festeja 41 anos de tradição carnavalesca
| Foto: Renner Boldrino

“Há 41 anos vivemos pedindo, em uma constante incerteza sobre a saída do bloco. Essa consciência nos fez pensar em mudar a dinâmica para o ano que vem e tornar o bloco mais autossustentável. Este ano, no entanto, estamos mais uma vez com o pires na mão, aguardando a compreensão dos gestores públicos acerca do valor dessa atividade e, contando ainda, com o apoio dos filhinhos”, pontua Ronaldo.

“No geral, contando com a animação dos nossos foliões, temos certeza que será um desfile inesquecível, que entrará para a história. A expectativa é a melhor possível. É importante lembrar que somos sem fins lucrativos, mas que o lucro afetivo e histórico também tem muito valor para a sociedade”, finaliza o coordenador do bloco.

PARA CAIR NA FOLIA

Imagem ilustrativa da imagem Bloco Filhinhos da Mamãe festeja 41 anos de tradição carnavalesca
| Foto: Divulgação

Para a festa de 2024, a programação conta com o tradicional Concurso de Fantasias Pedro Tarzan, e também com a apresentação do estandarte do homenageado deste ano, o pesquisador Francisco Reynaldo Amorim de Barros, autor do ABC das Alagoas, dicionário biobibliográfico, histórico e geográfico de Alagoas.

Além disso, participam a Orquestra Frevo Temperado, vinda da histórica cidade de Penedo; e o Maracatu Feminino Yá Dandara, de Maceió. A Filarmônica Santa Cecília, de Marechal Deodoro, fará a trilha sonora do cortejo até o Misa, onde o artista visual Agélio Novaes inaugura sua exposição “Minha alma é colorida: pinturas carnavalescas”, com curadoria de Walter Karwatzki, que seguirá aberta até o dia 2 de março.

LÁ VEM HISTÓRIA

Era a década de 1970, e a juventude da época já se angustiava por não haver carnaval em Maceió. Os jovens artistas da Cia. Teatral Comédia Alagoense – grupo dissidente da Associação Teatral de Alagoas, fundado por Linda Mascarenhas – pegavam seus figurinos e fantasias e partiam para Salvador — no auge do movimento hippie, apoteose da liberdade — para brincar a festa de momo. O exaustivo ritual repetiu-se por anos, até que, em 1982, calhou de o grupo teatral estrear a peça Estrela Radiosa, escrita por Ronaldo de Andrade e dirigida por Homero Cavalcante. Há muito já se “buchichava” a necessidade de transformar a festa que se fazia lá na Bahia em uma festa aqui, em nossa capital. No espetáculo, havia um momento em que uma grande boneca era festejada com deboche por bobos da corte, seguindo o tom satírico e irônico da peça. Aquela farra no palco estava prestes a tomar as ruas, faltava apenas um empurrãozinho, ou melhor, uma marchinha.

“Aquela bonecona do espetáculo nos inspirou naquele momento: jovens, com pouca grana para ir brincar o carnaval em Salvador ou Olinda, decidimos – Everaldo Moreira, Graça Cabral, Isaac Bezerra, Thalmann Bernardes e eu – sair pelas ruas da cidade, fazendo o nosso próprio carnaval. Naquela mesma noite em que tivemos a ideia de fazer a nossa brincadeira, Moreira e eu criamos a debochada letra do Hino – Yes, Mamãe! No dia seguinte, levamos para o diretor da peça, Homero Cavalcante, a ideia do bloco e a letra da música. De pronto, ele aceitou, e com Eduardo Xavier, a quatro mãos, no piano, produziram a melodia dessa marchinha, alegre e descontraída”, conta Beatriz Brandão, comendadora da folia do bloco.

Imagem ilustrativa da imagem Bloco Filhinhos da Mamãe festeja 41 anos de tradição carnavalesca
| Foto: Renner Boldrino

À Rua da Praia, no centro de Maceió, era o dia 4 de fevereiro de 1983 e já passava da meia-noite. Ali, brincavam pela primeira vez os “Filhinhos da Mamãe”. Vestidos de bebês, com calçolas e babadores, os filhos de Alagoas colocaram o bloco na rua, levando ousadia, exaltando a liberdade, interpretando as mais diversas personas. Um imenso teatro vivo, que mudaria para sempre a história dos carnavais de rua em Maceió. Ronaldo de Andrade, que é um dos fundadores do bloco, conta que a ideia impulsionou a renovação do carnaval na capital. “Além de mãe de seus foliões, nossa concentração inspirou gerações. Não que sejamos melhores que os outros, apenas fomos os pioneiros. Foi desse movimento que nasceu, por exemplo, o Jaraguá Folia”.

Boneca "Mamãe" homenageia espetáculo da ATA, grupo teatral fundado por Linda Mascarenhas
Boneca "Mamãe" homenageia espetáculo da ATA, grupo teatral fundado por Linda Mascarenhas | Foto: Renner Boldrino

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