Livro resgata imagens raras de uma Maceió antiga e instagramável

Segunda edição do livro “Japson Almeida - Fragmentos de um Olhar” celebra o centenário do fotógrafo

O centenário de Japson Almeida, que por três décadas se dedicou à arte fotográfica em Alagoas, será celebrado nesta terça-feira (29), com o relançamento do livro “Japson Almeida - Fragmentos de um Olhar”. A obra guarda em imagens parte da história de uma Maceió antiga e já instagramável, com suas peculiaridades arquitetônicas e belezas naturais. O evento ocorre no Café Duckbill Cookies & Coffee, no bairro da Jatiúca, a partir das 19h.

Japson nasceu em 1922 e faria 100 anos hoje. Ele atuou entre as décadas de 1950 e 1970, inclusive como repórter fotográfico. Nesse período, suas lentes e seu olhar foram responsáveis por capturar as evoluções estruturais e momentos históricos para Alagoas, como o descobrimento do petróleo no Estado e o tiroteio na Assembleia Legislativa, que resultou no impeachment do governador Muniz Falcão.

Japson Almeida Filho diz que a família buscava abarcar a completude da obra deixada pelo artista oriundo da cidade de Capela, no interior de Alagoas. Com a ajuda do fotógrafo Ricardo Lêdo, o projeto do livro, lançado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, resgatou imagens quase perdidas pela ação do tempo. A primeira edição, já esgotada, foi lançada em 2015.

Registros de Japson Almeida mostram Centro de Maceió antes da verticalização - Foto: Japson Almeida

“Foi muita luta, porque estávamos recuperando um material deixado pelo meu pai que estava esquecido, deixado de lado, muita coisa nós até perdemos, por conta da chuva, de mudanças, até meus irmãos achavam que não era possível fazer o livro acontecer”, conta Japson Almeida Filho.

TESOUROS QUASE PERDIDOS

A obra reúne fotografias únicas e quase perdidas, com registros de uma Maceió antiga e já “instagramável”, com as orlas da Pajuçara e Ponta Verde ainda sem a urbanização dos dias atuais. Há ainda registros importantes do Centro de Maceió de outrora.

Personagens do cotidiano alagoano também foram capturados por Japson, que registrou personalidades, como Miss Alagoas Bertini Mota, clicada ao lado do Gogó da Ema, e também marisqueiras e pescadores.

Autorretrato de Japson Almeida é considerado uma selfie pioneira pelo filho do fotógrafo - Foto: Japson Almeida

Uma espécie de selfie pioneira, defende o filho do artista, também foi feita por Japson, em um autorretrato que certamente faz parte da história da fotografia de Alagoas.

As fotografias em preto e branco deixadas por Japson proporcionam uma viagem historiográfica, principalmente por Maceió, e devem provocar reflexões sobre a cidade e o conceito de modernidade, de acordo com o filho do fotógrafo. Ele também se recorda da dedicação do pai ao ofício e como ele envolvia a família na sua rotina. “Meu pai ia pra um casamento com o bolso direito cheio de filme. Lá, ele ia tirando do direito, lambendo, botava na máquina, cortava, botava no esquerdo”, lembra.