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Janu mistura piseiro com dream pop em 'Miolo do Oxente', novo álbum do artista de Arapiraca

Disco concebido durante a pandemia e feito à distância, com Paulo Franco, é um encontro de líricas e sotaques

Muito mais que um mergulho pessoal em ritmos e estilos, o álbum “Miolo do Oxente”, do arapiraquense Janu, é um convite inesperado a uma mistura de piseiro com lambada, de guitarrada com indie, e de arrocha com dream pop. Nesse encontro de líricas e sotaques, o artista reinventa o próprio som e apresenta um disco que pode tocar em qualquer lugar do país, sem deixar de lado a marca do Agreste alagoano e suas referências mais profundas. A novidade estreou em meados de setembro e está disponível em todas as plataformas digitais.

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De acordo com o artista, que é um experimentador conhecido da cena local independente, “Miolo do Oxente’’ é uma andança por este Nordeste de tantos ritmos e modos de falar, mas que vai adiante. Assim, além dos estereótipos, ele reinventa os seus batuques e também os que vieram de longe, chegando a misturar Beatles com Mané do Rosário — manifestação cultural tradicional de Alagoas.

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O resultado dessas misturas arriscadas são sete faixas inéditas que desenham personagens e histórias, evocam alegrias, danças e alguma melancolia, e definitivamente superam o que Janu havia apresentado no primeiro álbum, “Lindeza” (2015), no qual apresentou ao público sua vocação antropofágica.

O significado do nome do disco mudou durante o processo de produção, revela Janu. O que no início era uma declaração, dizendo e cantando o miolo do Nordeste, que seria o Sertão e o Agreste de Alagoas, virou outra coisa.

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				Janu mistura piseiro com dream pop em 'Miolo do Oxente', novo álbum do artista de Arapiraca
Reprodução

“Foi mudando a minha própria interpretação do que seria esse Miolo do Oxente. Conforme ganhava forma, quando eu desenhava o disco, descobri que o miolo do oxente é essa mistura. Por isso, o disco é um estudo sobre pop, mas o pop da música popular, como arrocha, piseiro, além do pop, pop mesmo, com batidas, beats e sintetizadores. É um estudo sobre o que é popular”, comenta o artista.

Produto inevitável da pandemia de Covid-19, embora tenha sido projetado antes do período de isolamento, o álbum foi feito de forma remota, conta o cantor e compositor. Janu dividiu esse processo com Paulo Franco — cantor e músico da banda Gato Negro e prestes a lançar seu trabalho solo. Eles se revezaram na produção musical e na gravação dos instrumentos, tudo à distância.

“Eu comecei a fazer umas brincadeiras durante a pandemia, misturava Daft Punk [dupla francesa de música eletrônica] com brega funk, acho que já descobrindo o que eu queria fazer no disco. Nesse processo, o Paulo Franco foi fundamental, principalmente no arranjamento musical. Grava um teclado, mandava pra ele, ele gravava outra coisa, me mandava, foi realmente um disco remoto”, detalha.

“Algumas músicas, como ‘Vey’, ‘Direção’, ‘Só’ e ‘Miolo do Oxente’ seguem muito das inspirações no pop em seu sentido amplo - tanto no indie como na música popular mesmo. São misturas de arrocha e dream pop, piseiro e lambada francesa, guitarrada árabe e brega funk. No disco tem de tudo isso”, resume Janu.

Ouça o álbum no Spotify:

Já canções como “Viver é Massa” e “Dados Binários” têm mais traços experimentais, com inspiração na neopsicodelia. Um exemplo disso é “Caiu no Poço”, que se inicia com um arranjo de “I am the Walrus”, dos Beatles, e uma inspiração em MGMT e Mané do Rosário. A faixa, diz Janu, encapsula a ideia por trás do disco: explorar novos limites da canção e da musicalidade para além das expectativas.

“Eu acho que a gente tá caminhando para um local em que estilo é o de menos. Cada vez mais, todo mundo é eclético. É só olhar as nossas playlists nas plataformas de streaming. A gente ouve de tudo, de Beatles a Anitta, que, inclusive, é um grande nome também”, reflete.

MAIS DE JANU

O lançamento vem na esteira de um resgate feito por Janu do repertório de seu primeiro álbum, “Lindeza”, em um show gravado ao vivo. Agora, o músico está pronto para uma nova fase criativa. O show “Sessão Lindeza” está disponível no canal do artista no YouTube.

Janu vem se tornando um expoente do efervescente cenário independente alagoano. O músico já acumula uma vivência musical que o projetou para plataformas de alcance nacional com o EP “Matuto Urbano” e músicas como “Perdi La Night”, que integra a trilha sonora do filme “Morto Não Fala” (Denninson Ramalho, Globo Filmes), e “Teu Sorriso” - esta última marca presença no filme “O Retirante”, do alagoano Tarcisio Ferreira, e no especial de 80 anos de Pelé.


				Janu mistura piseiro com dream pop em 'Miolo do Oxente', novo álbum do artista de Arapiraca
Fernanda Simões

Com “Miolo do Oxente”, Janu olha para frente, sem deixar de reverenciar suas origens. “Esse é um disco que versa muito sobre caminhos, direção, retomada”, sentencia.

O novo álbum tem apoio da Lei Aldir Blanc, por meio da Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (Secult) e da Secretaria Nacional da Cultura, vinculada ao Ministério do Turismo. (MTur) - Prêmio Zailton Sarmento.

Confira também a "Sessão Lindeza"

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