Com nova exposição em Maceió, Eva Cavalcante provoca sobre o poder transformador da arte

'Jardim de Eva' exibe obras cujas matérias-primas vieram do lixo e está em cartaz no Complexo Cultural Teatro Deodoro; a visitação é gratuita

No curso de pintura, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro (década de 1980), Eva Cavalcante, entre idas e vindas, garimpava fragmentos de madeira, e desde então passou a pegar na rua coisas sem valor algum para muitos, que eram descartadas, objetos que podiam ser transformados em Arte. O insignificante, que poderia ser mais tarde revestido de significados. — É assim que a curadora Milla Pasan apresenta a artista alagoana, no texto que introduz ‘Jardim de Eva’, nova exposição do Complexo Cultural Teatro Deodoro.

Na mostra, que está aberta ao público até o dia 21 de outubro, 60 obras pretendem provocar reflexões sobre a arte e seu poder de transformação. A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h; e aos sábados, domingos e feriados das 14h às 17h. A entrada é gratuita.

Com 74 anos e algumas histórias para contar, a artista exibe sutilezas em suas peças e, com seu jardim de obras, fala também sobre sustentabilidade, seja com arte feita em madeira, fotografias ou esculturas.

“Aprendi com um professor que é possível fazer arte com tudo e isso é perfeito. Eu ando pelas ruas e encontro arte, trago para casa e apenas recrio elas, dou, com todo carinho, o meu olhar. Com a exposição, eu espero que o público possa enxergar o mesmo que eu”, disse a artista.

Mostra permanece em cartaz até o dia 21 de outubro - Foto: Ailton Cruz

Tendo como referência Koning, Volpi, Matisse, Iberê, Ostrower, Hermeto Pascoal, além da arte popular e do que a rodeia, Eva Cavalcante conta que muitas das obras expostas em seu jardim foram concluídas nos últimos dias de organização. De acordo com ela, muita coisa ainda está em seu ateliê, aguardando o tempo certo para ser mexida ou concluída.

“Eu me encanto com a natureza e dentro dela tudo tem seu tempo. Ando pelas ruas e sempre encontro algum trabalho da natureza que posso ressignificar, sempre respeitando os ciclos. Tenho madeira que está comigo há muitos anos e, até hoje, nunca mexi, pois estou esperando o momento certo”.

Para a artista, o maior objetivo da exposição ‘Jardim de Eva’ é fazer com que o público olhe para o “lixo” com mais carinho, para que assim seja possível enxergar a beleza e a possibilidade de ressignificação das peças.

A exposição tem a curadoria de Milla Pasan e Alice Barros. Na apresentação, Milla Pasan diz que a mostra conta com fotografias, esculturas e esculturas-objeto, que pretendem envolver o público em estímulos, questionando o “entorno e o ciclo” da natureza e a frequência da vida nesse trilhar sinuoso daquilo que está posto.

Exposição está em cartaz no Complexo Cultural Teatro Deodoro - Foto: Ailton Cruz

Após todos os anos de trabalho incansável e várias produções realizadas, Eva Cavalcante pretende descansar após o fechamento da exposição, no dia 21 de outubro. Mesmo sem conseguir se manter longe do ateliê, onde ressignifica as peças descartadas, a artista afirma que irá tentar tirar uns dias de folga, mas sabe que será difícil.

Além disso, Eva também conta que, após vivenciar os dias tranquilos, pretende se permitir embarcar em novos universos da arte, descobrindo outras técnicas, mas mantendo sua paleta de cores, que dialoga tão bem com as belezas de Alagoas.

“Eu terei uns dias de descanso, mas com toda certeza irei retomar logo para os dias de produção. Estou notando algumas mudanças na minha forma de pintar e quero estudar mais sobre isso, entender melhor essa nova forma. É como um momento de amadurecimento do meu trabalho”.

A exposição “Jardim de Eva” está aberta para visitação de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h; e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 17h. Com entrada gratuita, a exposição será encerrada no dia 21 de outubro. As visitas guiadas – para grupos, instituições e escolas – podem ser agendadas pelo e-mail: [email protected]; ou no número 82 98884-6885.