Menu lateral
Imagem
Imagem
Imagem
Gazeta >
AO VIVO

ASSISTA

TV GAZETA AL
AO VIVO

ASSISTA

GAZETA NEWS
GAZETA 94.1 - Maceió AO VIVO

GAZETA 94.1

Maceió
GAZETA FM 98.3 - Maceió AO VIVO

GAZETA FM 98.3

Maceió
GAZETA 101.1 - Arapiraca AO VIVO

GAZETA 101.1

Arapiraca
GAZETA 101.3 - Pão de Açúcar AO VIVO

GAZETA 101.3

Pão de Açúcar
CLASSIC - Rádio Web AO VIVO

CLASSIC

Rádio Web
Imagem
Menu lateral Busca interna do GazetaWeb
Imagem
AO VIVO

ASSISTA

TV GAZETA AL
AO VIVO

ASSISTA

GAZETA NEWS
GAZETA 94.1 - Maceió AO VIVO

GAZETA 94.1

Maceió
GAZETA FM 98.3 - Maceió AO VIVO

GAZETA FM 98.3

Maceió
GAZETA 101.1 - Arapiraca AO VIVO

GAZETA 101.1

Arapiraca
GAZETA 101.3 - Pão de Açúcar AO VIVO

GAZETA 101.3

Pão de Açúcar
CLASSIC - Rádio Web AO VIVO

CLASSIC

Rádio Web
X
compartilhar no whatsapp compartilhar no whatsapp compartilhar no facebook compartilhar no linkedin
copiar Copiado!
ver no google news

Ouça o artigo

Compartilhe

A coisa ficou preta: Artista faz intervenções em muros de Maceió

Gleyson Borges espalha obras de arte em lambe-lambes pela capital alagoana e fala sobre empoderamento e antirracismo

“Se acostume a nos ver com as correntes de ouro”, “já fomos reis e rainhas, podemos ser de novo”, “Zumbi voltará”. — Frases como essas invadem as rotinas de quem cruza as ruas de Maceió desde 2018, quando o artista visual e publicitário alagoano Gleyson Borges deu início ao projeto “A coisa ficou preta”. A arte afrocentrada, exposta por meio de lambe-lambes colados em muros, costura pela cidade uma rede de empoderamento e inspiração, além de fortalecer a luta antirracista.

Tudo em um só lugar.

Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!

ACESSE O GRUPO >
Aplicativo na whatsapp Store

“Eu comecei a trabalhar com design na publicidade em 2014, por um caminho totalmente de escritório mesmo, sem pretensão de ser artista. Em 2016, quando comecei a trabalhar com arte, ainda não era com lambe-lambe. Foi nesse ano que eu tive a ideia de desenvolver uma arte urbana e afrocentrada”, conta Gleyson Borges.

Leia também

A ideia amadureceu até 2018, quando o artista passou a prestar mais atenção no processo e no potencial do lambe-lambe como suporte para sua arte. “Como eu trabalhava com designer, levar isso para imprimir era muito acessível. então, não contei conversa. De perceber isso, fazer minha primeira arte, imprimir e levar pra rua foi coisa de quatro dias, de tão maduro que estava”, revela.


				A coisa ficou preta: Artista faz intervenções em muros de Maceió
Reprodução

A história do artista e sua própria jornada para se reconhecer como homem preto, formam o alicerce do projeto, que já foi, inclusive, reconhecido pela imprensa nacional e vez ou outra volta a viralizar nas redes sociais.

Shorts Youtube
Play
JHC vai governar com maioria no Senado e com a prefeitura da capital

JHC vai governar com maioria no Senado e com a prefeitura da capital

Play
Esta é a primeira eleição que Renan Filho perde das sete que disputou

Esta é a primeira eleição que Renan Filho perde das sete que disputou

Play
Paulo Dantas abre espaço para processo de transição de governo com JHC

Paulo Dantas abre espaço para processo de transição de governo com JHC

Play
Apesar de derrota na majoritária, Paulo Dantas celebra seus eleitos ao Legislativo

Apesar de derrota na majoritária, Paulo Dantas celebra seus eleitos ao Legislativo

Play
Saiba o desempenho das famílias que disputaram as eleições em Alagoas

Saiba o desempenho das famílias que disputaram as eleições em Alagoas

Gleyson diz que começou a se reconhecer como preto ouvindo rap. Eram as letras das músicas de artistas como Racionais, Emicida e Criolo que pintavam a realidade do jovem. “Eu sou uma pessoa negra de pele clara. Isso nos coloca em um não-lugar. Aquele clássico ‘muito claro pra ser preto, muito escuro pra ser branco’. Isso foi um processo de descoberta pra mim. Desde a minha infância até eu chegar, já um jovem adulto, a me declarar como uma pessoa negra, foi um processo longo, demorado, doloroso”, conta.

“A música foi abrindo janelas em minha mente. Hoje, eu uso a minha arte para retribuir esse favor, sabe? Eu não sou músico, mas, como artista visual, eu consigo fazer uma arte que, talvez, possa vir a ter o mesmo efeito em outras pessoas pretas.”

ARTE E AÇÃO


				A coisa ficou preta: Artista faz intervenções em muros de Maceió
Reprodução

O lambe-lambe é um pôster impresso e depois colado em muros e paredes. Além de barato e acessível, o formato chama a atenção de quem transita, inserindo-se na paisagem urbana e alcançando pessoas de todas as idades, raças, gêneros e classes sociais.

Para Gleyson, a arte urbana é uma poderosa ferramenta para iniciar diálogos e provocar. Na rua, que ele considera o museu mais democrático do mundo, o artista expõe obras que, enquanto inspiram alguns, despertam a ira de outros.

“Quando eu penso sobre a minha arte, penso que ela precisa gerar uma ação nas pessoas. Mesmo que seja uma ação raivosa. Então, se alguém vai lá, gasta toda a unha para arrancar um lambe do muro, eu fico, pô, minha mensagem está incomodando de alguma forma as pessoas que devem ser incomodadas. Então, vamos em frente. Isso me dá mais satisfação do que qualquer outra coisa, além de ser intrínseco dessa forma de arte. A arte urbana é superefêmera. Eu tenho lambe que está lá há três anos, mas tem outros que não duram uma tarde”, detalha.


				A coisa ficou preta: Artista faz intervenções em muros de Maceió
Reprodução

Nas redes sociais não é diferente. Com mais de 48 mil seguidores no Instagram, a potência da arte, por muitas vezes, fura a bolha da comunidade.

“Às vezes, quando eu colo um lambe, eu fico um tempo num canto, observando, tentando ler a reação das pessoas. Mas a reação é muito rara, todo mundo tem coisas para fazer, todo mundo tem pressa. Já nas mídias sociais, a obra tem uma reação imediata. E chega de tudo, comentários elogiosos, depoimentos, mas também violência, comentários racistas, discurso de ódio. Eu tento, então, partir do mesmo ponto de quando arrancam meus lambes, se eu tô incomodando, tá certo, se eu tô empoderando, está melhor ainda”, diz.

Na semana do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, Gleyson Borges diz que, apesar do racismo existir em todo o Brasil e sua arte ser essencialmente antirracista, ela é muito mais que isso, afinal, o racismo não é uma criação das pessoas pretas.


				A coisa ficou preta: Artista faz intervenções em muros de Maceió
Cortesia

“Somos um país racista, onde pessoas negras lideram todos os índices sociais ruins, econômicos, encarceramento, morte, saúde mental. São homens e mulheres negras no topo de todos esses índices. Então é uma realidade. Eu tento trabalhar isso na minha arte, mas eu foco no meu trabalho em outras coisas. Quando a gente está falando de negritude, a luta é uma parada que faz parte, por questão de sobrevivência. Mas, hoje, eu tento levar para as minhas obras os motivos pelos quais a gente luta tanto. Falo sobre amor, felicidade, conquista, estar bem, saudável, estar vivo. Porque, se a gente for falar só sobre coisa ruim, luta, desastre — parafraseando o Sabotage, se eu for falar só de problema, meu tempo não dá”, destaca.

A obra (que está logo acima) é um exemplo desse caminho narrado por Gleyson. Ela se chama “Tem coisas que só se abrem por dentro” e traz uma criança em uma janela aberta. Dentro da janela, não fora, está o céu. A menina tem uma chave nas mãos.

“É uma das minhas obras preferidas. Fala sobre se conhecer, se descobrir, sobre as coisas que ninguém pode fazer por nós. Tem janelas que estão fechadas na vida da gente, que só se abrem por dentro. O processo de abrir é algo que vai mudar de pessoa para pessoa”, afirma o artista.

Saiba mais sobre a obra do artista em seu perfil no Instagram (@acoisaficoupreta); ou pelo site: www.acoisaficoupreta.com.br.

App +Gazeta

Confira notícias no app, ouça a rádio, leia a edição digital e acesse outros recursos

Aplicativo na Google Play Aplicativo na App Store
Aplicativo na App Store

Relacionadas