Apenas 45% das escolas municipais de Maceió têm acesso à internet
Das 135 unidades, 57 não possuem nem laboratório de informática, enquanto outras estão 'na base do improviso'
Estrutura física precária, reforma, insegurança de professores e equipamentos obsoletos são alguns dos motivos que justificam o atraso nas escolas da rede pública municipal quando o assunto é tecnologia, mesmo passados oito anos do Programa Banda Larga nas Escolas (PBLE), visando conectar todas as unidades à internet. Hoje, apenas 45% delas têm acesso à rede mundial de computadores. No Estado, a situação é um pouco melhor, mas a internet não atinge todas as 317 instituições.
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A Gazetawebconversou com técnicos da Secretaria Municipal de Educação (Semed), que detalharam os números reais da situação enfrentada por milhares de estudantes diariamente, que, muitas vezes, não têm condições financeiras nem de pagar por 1 hora em uma lan house. De acordo com Sílvia Medeiros, formadora da equipe do Núcleo de Tecnologia Municipal do órgão, a chegada dos recursos tecnológicos nas escolas ocorreu em 1996, pelo Programa TV Escola, voltado a uma programação diária com temas educacionais sobre Educação Básica e formação de professores.
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Já em 1997, foi criado o Programa Nacional Tecnologia Educacional (Proinfo), a fim de introduzir o uso das tecnologias de informação e da comunicação nas instituições públicas. Por sua vez, em 2008, foi introduzido na rede de ensino o Programa Banda Larga nas Escolas, lançado pelo governo federal, através do Decreto Nº 6.424, visando conectar todas as unidades de níveis fundamental e médio à internet. Atualmente, das 135 escolas do Município, 78 possuem laboratório de informática e 61 têm conexão com internet, o que representa um universo de 45% ligado à rede mundial. Entre 2012 e 2013, foram distribuídos 58 projetores e 22 lousas digitais.
"O Núcleo de Tecnologia da Informação foi criado em 2000 para auxiliar as escolas em todas as fases do processo de incorporação das Tecnologias de Informação e Comunicação, buscando a formação contínua aos professores no uso pedagógico e assessorando as escolas no suporte técnico", explica a formadora.


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Os cursos ofertados pelo Núcleo são Educação Digital; Tecnologias na Educação: ensinando e aprendendo com as TIC; Elaboração de Projetos; e, a partir deste ano, Redes de Aprendizagem; Oficinas de Introdução ao Linux; Jogos Educacionais; e Oficinas de Libre Office. Até o ano passado, cerca de 600 professores e funcionários concluíram as formações.
Questionada sobre os motivos que "emperram" o desenvolvimento do alunado, Sílvia destaca que a reforma em algumas escolas é um deles. Além disso, insegurança dos professores ao uso pedagógico das tecnologias e a falta de tempo para participar de cursos de formação; resistência ao uso do software livre Linux Educacional; equipamentos obsoletos; e infraestrutura de informática insuficiente nas unidades.

'Na base do improviso'
A reportagem foi até a Escola Municipal Lindolfo Collor, no Vergel do Lago, onde o laboratório de informática começou a funcionar só este ano após muita insistência por parte da direção, professores e alunos. Os educadores passaram por um curso de três meses, a fim de se inserir no novo contexto de ensino.
"A sala e os equipamentos foram alcançados após muito esforço. Para se ter uma ideia, o laboratório é improvisado porque aqui era a entrada da unidade. Os computadores chegaram à escola em 2004, mas foram roubados e, em 2010, vieram outros. Porém, só agora, conseguimos usufruir dos equipamentos e poder inserir um pouco a comunidade na aprendizagem voltada à tecnologia da informação. Às vezes, a internet fica lenta, mas é normal", comenta a coordenadora Lídia Sehner.

Por outro lado, a instituição ainda apresenta inúmeras deficiências, como a falta uma sala para direção, secretaria, professores, coordenação, biblioteca, refeitório, quadra coberta e segurança armada. Hoje, a unidade - que atende cerca de 390 alunos nos três turnos - conta com seis salas de aula, cozinha, banheiros, uma quadra de esportes descoberta, vigilância eletrônica e o laboratório de informática.

"Aqui é tudo na base do improviso, a exemplo da direção, que está numa sala com arquivos diversos, e dos professores, que funciona no corredor. Quando conseguimos algo é com muito custo, como foi o laboratório", diz a diretora, Adriana Leite.
Rede estadual
Atualmente, das 317 escolas do Estado, 80% delas possuem conexão com internet, mas nem todas com qualidade no que diz respeito à velocidade para navegação e pesquisa, problema este da rede de cabeamento de Alagoas e do país, de acordo com informações da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).
A assessoria de comunicação explica que todas as escolas contam com lousas mistas, sendo elas metade branca com as canetas e a outra parte do quadro com giz. No entanto, 72 unidades que estão sendo reformadas terão apenas as lousas brancas.
"Ressaltamos que, em um ano de governo, quatorze escolas foram contempladas com o programa de ensino integral, que oferece cursos profissionalizantes, como Informática, Agronegócio, Hospedagem, Eventos e outros, para alunos do 1º ano do Ensino Médio. A primeira escola a funcionar com ensino integral, a Marcos Antônio, localizada na parte alta de Maceió, teve uma procura muito superior ao número de vagas ofertadas, o que demonstra que existe uma demanda reprimida", informa a assessoria.


