Conheça os sinais dados por crianças vítimas de violência sexual

Em 2022, país já registrou quase 8 mil denúncias do crime. Maioria das vítimas sofre violações diariamente e há mais de um ano

Ainda que elas não falem ou supostamente não entendam, todas as crianças dão sinais de que algo está incomodando. No Dia Internacional da Menina, comemorado nesta terça-feira (11), Preparamos um guia para pais e responsáveis se atentarem aos possíveis sinais a serem manifestados em caso de violência sexual.

De acordo com a Declaração dos Direitos da Criança, “a criança, em virtude de sua falta maturidade física e mental, necessita de proteção e cuidados especiais, inclusive a devida proteção legal, tanto antes quanto após seu nascimento”. A realidade para elas, contudo, é de desigualdade e vulnerabilidade.

Segundos dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, dos quase 50 mil boletins de ocorrência registrados como estupro de vulnerável, em 2021, mais da metade tinham crianças de até 13 anos como vítimas. Aquelas com idade entre 5 e 13 anos são os maiores alvos desse crime e representam 50,8% das queixas.

“Abuso sexual infantil é a violência que se caracteriza pelo uso da criança ou adolescente para satisfazer sexualmente uma ou mais pessoas mais velhas”, explica Eva Dengler, gerente de programas e relações empresariais da Childhood Brasil.

Segundo a especialista, essa situação sempre envolve uma dinâmica de relação de poder que o adulto tem sobre a criança. Essa relação de poder se apresenta dentro da hierarquia familiar: quando o abusador é o pai, mãe, tio ou avô da vítima, por exemplo; e a intimidação, quando o adulto ameaça o menor com a morte de algum parente, como a mãe ou irmão mais novo.

Alvos “fáceis”, as crianças mais novas tendem a não saber do que trata uma violência sexual e, por isso, não conseguem externalizar o que estão passando:

“Também é preciso considerar que a maioria desses abusos acontece em um cenário intrafamiliar, ou seja, parte de alguém em quem essa criança confia e acredita. Portanto, esse se torna mais um motivo para ela não falar sobre pelo o que tem passado”, revela.

Ainda que a maioria não entenda e não saiba comunicar os abusos, elas dão sinais do que estão passando. Dengler elenca uma série de indícios dados por crianças vítimas de violência sexual e ressalta que a maioria parte de mudanças comportamentais:

“Elas apresentam mudanças em seu comportamento. Muitas vezes, de forma abrupta e que podem ser percebidos pelos pais e professores. É importante prestar atenção nessas mudanças e não ignorá-los”, pondera.

Sobre os sinais dados por elas

  1. Mudança comportamental;
  2. Alteração de humor;
  3. Vergonha excessiva;
  4. Relatos de medo constante;
  5. Proximidade excessiva com o abusador;
  6. Comportamento infantilizado repentino;
  7. Silêncio predominante;
  8. Mudanças de hábitos (insônia, problemas com concentração e medo de dormir sozinha, por exemplo);
  9. Mudança na forma de se vestir;
  10. Interesse e início de brincadeiras de cunho sexual;
  11. Palavras ou desenhos de cunho sexual;
  12. Traumas físicos;
  13. Enfermidades psicossomáticas sem motivo aparente (dores de cabeça constante, vômitos, diarreia, feridas na pele, por exemplo);
  14. Mudança nos relacionamentos com amigos e colegas.

Das vítimas de estupro no Brasil em 2021, 61,2% tinham de 0 a 13 anos, sendo que nove em cada dez vítimas tinham no máximo 29 anos de idade quando sofreram a violência sexual. As estatísticas também mostram como a violência sexual e doméstica faz parte do cotidiano do país: no caso do estupro de vulneráveis, quase 80% deles foram cometidos por conhecidos das crianças (pais, padrastos, avôs, irmãos, amigos e vizinhos).

Em 2022, o país já registrou quase 8 mil denúncias do crime por meio da Ouvidoria Nacional. Maioria das vítimas sofre violações diariamente e há mais de um ano.

Proporcionalmente, os estados com mais denúncias são Alagoas — que tem 8 denúncias a cada 100 mil habitantes , Goiás, com 7 casos a cada 100 mil habitantes, e Amazonas, com 5 casos a cada 100 mil habitantes.