Coluna

Julie Alves

com Dan Nascimento

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Nossa entrevistada é ela, Isabel Fillardis

Não teríamos artista melhor para este domingo

Julie Alves

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Foto: Reprodução

Ela começou sua carreira aos 15 anos como modelo, cinco anos depois assinou com a Rede Globo para atuar na novela "Renascer". Integrou o trio musical "As Sublimes". Enfrentou doenças e dificuldades, mas se reinventou e deu a volta por cima. Uma mulher forte, talentosa e que tem sua família como base. Vive em constante evolução, é declara estar "Refeita" nome que intitula seu mais novo projeto musical.

Vamos começar falando sobre as mudanças constantes no visual. Agora com os cabelos mais curtos, o corte faz parte de uma nova Isabel?

Essas mudanças constantes de cabelos se devem às laces que tenho usado para o meu trabalho como cantora, para meu audiovisual ele terá essa leitura. Eu sempre usei, desde a época que eu cantava nas "Sublimes" e agora é algo que estou adotando na minha carreira solo. Sobre ele estar mais curto eu já venho cortando dessa forma há quase 10 anos (risos), eu vou variando no desenho, meu hair stylist Leandro Ferreira, gosta dessa variação, ele é especialista em cabelos cacheados e crespos.

Temos visto você se cuidando bastante, até mesmo fazendo exercícios com sua filha Annaluz. Esse período de isolamento tem lhe motivado?

Os exercícios começaram antes da pandemia, e durante, eu os mantive. Em primeiro lugar, a atividade física pra mim é primordial para a saúde, condicionamento físico e cárdio. Eu redescobri o prazer de voltar a me exercitar, com isso a consequência se nota no meu corpo e beleza. Agora tenho intensificado os exercícios, pois em breve estarei na estrada fazendo shows, me exercitando, busco melhorar a minha parte respiratória e ter mais fôlego para poder fazer tudo junto, cantar, dançar e interpretar.

"Refeita" é seu novo projeto musical. O título nos leva a algo que estava em cacos e se refez. É isso?

Sim, "Refeita" é o nome que eu dei para a minha nova caminhada dentro da música, é também um nome que me intitulo, é um adjetivo que estou me dando por conta dessa nova Isabel cantora que está fazendo novos projetos, essa nova mulher repaginada, renascida como a fênix!

A pegada musical é no estilo do trio "As sublimes" ? Genteee lembro do sucesso nos anos 90 e você era uma das vocalistas.

A pegada musical tem só um pouco das "Sublimes", tem uma leitura mais dentro dessa nova mulher, dessa nova Isabel. O estilo é R&B, Soul, tem um pouco de Jazz, Afrobeat, Afrofunk, vamos transitar por esses estilos musicais pretos.

Você tem 3 filhos, Annaluz, Jamal e Kalel. Como é sua rotina de mãe?

Em minha rotina como mãe tenho ajuda, se não tivesse a minha família colaborando comigo, ficaria muito difícil eu exercer todas essas funções. Tenho uma cuidadora para o Jamal, porque ele é deficiente e precisa de ajuda para fazer tudo. Todos colaboram... minha mãe, meu pai, minha irmã e irmão, somos uma família muito unida, aqui "Ubuntu" fica firme (risos).

O Jamal nasceu com a Síndrome de West (tipo de epilepsia que altera o desenvolvimento motor e cognitivo), com isso você abriu uma ONG para ajudar outras mães. Ainda na ativa?

Depois de um ano de vida do Jamal, eu fundei a ONG "A Força do Bem" para ajudar a trazer informação não só sobre a Síndrome de West, mas sobre as pessoas com deficiências no país. Quis trazer a tona para que eles pudessem ter mais qualidade de vida, acessibilidade e para que fossem vistos como parte de uma sociedade. A ONG existe, mas hoje estou muito mais dedicada ao meu ofício de artista, pois passei muito tempo tomando as rédeas dessa minha parte social, agora meu foco é minha carreira como cantora, atriz, apresentadora e mais o que eu tiver que fazer dentro do meio artístico.

E com toda correria, separação, nascimento do Kalel, você descobre um câncer na língua? Mas isso foi no mesmo período em que descobriu a doença autoimune que acometeu a pele do seu rosto? Como foi a descoberta e tratamento?

A hiper pigmentação "líquen plano" aconteceu por volta de 2005, foram tempos diferenciados, o câncer se iniciou um pouco antes da gestação do Kalel em 2013, foi barra pesada, esse assunto vai estar mais explícito no meu livro que será lançado esse ano, nessa minha biografia eu conto não só essa transformação, mas tantas outras. Vou expor tudo que eu vivi para que as pessoas conheçam uma outra parte da minha história.

Recentemente você declarou em uma entrevista que quase passou fome com seus filhos. O que houve? Falta de trabalho?

Sim. Passei bem perto ou quase isso. Fiquei sem trabalhar e por mais reservas que a gente tenha, uma hora ela acaba se você não tem um fluxo de trabalho para repor isso, fica bem complicado. Foi tudo verdade sim, foi bem verdade.

Vamos aproveitar para dizer que sentimos sua falta em alguma produção na TV. Falta convites? Acha que ainda tem pouco espaço para pretos?

Em 2018 fiz a novela "Topíssima" na Record, e atualmente farei uma participação na novela "Gênesis" na mesma emissora, vou entrar no ar daqui a pouquinho. Não sei exatamente o que acontece, mas não vou colocar toda a culpa no racismo, não! Pelo menos no meu caso. Mas agora estamos voltando, esse trabalho em Gênesis está me deixando muito feliz, é uma personagem fortíssima a "Amanishakheto", uma rainha Núbia que vai dar o que falar no final da novela (risos). Durante esse período afastada da TV, eu me descobri fazendo outras coisas, me descobri escritora, diretora artística, dirigi videoclipes, acabei desenvolvendo outros talentos. Nas redes sociais eu desenvolvi um diário de bordo de mãe e mulher que é um sucesso. Voltei a estudar canto, fazer fono e me preparar para essa nova fase da minha vida. Com isso pude ampliar e descobrir coisas novas.

Você começou sua carreira como modelo ainda adolescente, atuou pela primeira vez na novela Renascer e cantou no trio "As Sublimes". Uma mulher multifacetada! A falta de oportunidades é a mesma questão de sempre… racismo?

O racismo pode ser um desses fatores, claro! Mas como disse anteriormente, não vou colocar toda a culpa no racismo, não! Ele está aí, existe sim! Na minha história, no meu caso podem existir vários fatores, eu vou falar de mim, não vou falar do todo.

Para encerrar, quais serão os próximos passos da Isabel?
Lancei na data em que se comemorou o dia da Mulher Negra (25/07), meu show autoral no YouTube do festival Afrofuturistic Lab, acompanhada de vários nomes da música preta como Ellen Oléria, Izzy Gordon, Bebé Salvego, Arape, Ultra Soul & Tony Gordon. Foi estreia na carreira solo como cantora. Lançarei meu single, e outros projetos como apresentadora, atriz, tenho o filme "Faixa Preta" para estreitar, tenho outros convites para cinema, inclusive estou lendo os roteiros. Têm peças de teatro também na manga, tem algumas coisas para acontecer ao longo dos próximos anos (risos) de fato "refeita". Um beijo!