Vacinação anual de cães e gatos também previne a raiva humana; entenda os sintomas da doença

Somente em 2022, já foram confirmados cinco casos de raiva humana em território nacional

Presente nos cinco continentes e responsável por cerca de 60 mil mortes todos os anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave, que se caracteriza como uma encefalite progressiva e aguda, com letalidade de aproximadamente 100%. Nesta quarta-feira (28), Dia Mundial Contra a Raiva, o Ministério da Saúde alerta para a conscientização das consequências da doença em animais e humanos.

No período de 2010 a 2022, até o presente momento, foram registrados 45 casos de raiva humana no Brasil. Desses casos, nove tiveram o cão como animal agressor, 24 por morcegos, quatro por primatas não humanos, dois por raposas, cinco por felinos e em um deles não foi possível identificar o animal agressor. Somente em 2022, já foram confirmados cinco casos de raiva humana em território nacional.

Na série histórica de casos de raiva humana no País, há apenas duas curas. Todos os demais casos evoluíram para óbito. Por ser quase sempre fatal, uma das principais medidas de prevenção da raiva humana é a vacinação, seja pré ou pós-exposição. Neste ano, já foram distribuídas mais de 1,1 milhão de doses de vacinas contra raiva humana para todo o Brasil.

A raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo ser transmitida também pela arranhadura e/ou lambedura desses animais. Os principais sintomas da raiva duram em média de 2 a 10 dias. São eles:

  • Mal-estar geral;
  • Pequeno aumento de temperatura;
  • Anorexia;
  • Cefaleia;
  • Náuseas;
  • Dor de garganta;
  • Entorpecimento;
  • Irritabilidade;
  • Inquietude;
  • Sensação de angústia.

Dentre as complicações da raiva estão a ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes; febre; delírios; espasmos musculares involuntários, generalizados, e/ou convulsões. Espasmos dos músculos da laringe, faringe e língua ocorrem quando o paciente vê ou tenta ingerir líquido, apresentando sialorreia intensa (“hidrofobia”).

O Programa Nacional de Profilaxia da Raiva (PNPR), criado em 1973, implantou, entre outras ações, a vacinação antirrábica canina e felina em todo o território nacional. Essa atividade resultou num decréscimo significativo nos casos de raiva naqueles animais e, com isso, permitiu um controle da raiva urbana no País.

Na série histórica de 1999 a 2017, o Brasil saiu de 1,2 mil cães positivos para raiva em 1999 (incluindo em sua maioria as variantes 1 e 2, típicas desses animais), para 11 casos de raiva canina em 2020, todos identificados como variantes de animais silvestres.

Deve-se sempre evitar a aproximação de cães e gatos sem donos, não mexer ou tocá-los quando estiverem se alimentando, com crias ou mesmo dormindo. Também nunca tocar em morcegos ou outros animais silvestres diretamente, principalmente quando estiverem caídos no chão ou encontrados em situações não habituais.

A vacinação anual de cães e gatos é eficaz na prevenção da raiva nesses animais e, consequentemente, previne também a raiva humana.