Pesquisa monitora aumento de riscos de câncer de útero em mulheres que usam itens de alisamento

As mulheres participantes foram acompanhadas por médicos e foram diagnosticados 378 casos de câncer uterino entre as que frequentemente usaram itens de alisamento

Um estudo divulgado pela norte-americana National Institutes of Health mostrou que as mulheres que usaram produtos químicos de alisamento de cabelos apresentaram um risco maior de câncer uterino em comparação com aquelas que relataram não usar esses produtos. Os pesquisadores não encontraram associações da doença com outros itens usados com frequência pelo público feminino, como tinturas, descolorantes, luzes ou permanentes.

O oncologista cirúrgico Gustavo Gouveia afirma que a tese é muito incipiente e observacional, por isso, é muito cedo para fazer qualquer alarme. “Ela ainda não permite que façamos recomendações, porque nós não sabemos ao certo quais são os produtos químicos envolvidos nesse aumento de risco de um tumor raríssimo. Ainda precisa de muita validação”, explica. A pesquisa foi realizada com mais de 333 mil mulheres americanas com idades entre 35 e 74 anos que participam do Sister Study, um estudo liderado pelo Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental (NIEHS). As participantes foram acompanhadas por quase 11 anos e durante esse período foram diagnosticados 378 casos de câncer uterino. As que relataram o uso frequente de itens de alisamento, mais de quatro vezes no ano anterior, tinham duas vezes mais chances de desenvolver o câncer uterino.

“Quando fala-se em útero nesse estudo, estão se referindo a tumores do corpo uterino. Dividimos o órgão em duas partes: o colo, aquela parte que fica no fundo da vagina; e o corpo, a parte que, grosseiramente falando, fica dentro da barriga, em que o bebê se desenvolve. Esse risco de câncer associado aos produtos para alisamento seria para câncer de corpo uterino. É um tumor extremamente raro. Com esses dados ainda não podemos criar nenhum alarme. É um estudo meramente observacional que não pode nos levar a recomendar condutas”, explica.

Cerca de 60% das mulheres que afirmaram usar produtos para alisar o cabelo se declaravam negras, o que sugere maior vulnerabilidade em relação à doença para esse grupo.

Hipótese

A hipótese é que as substâncias que compõem os produtos de alisamento, como hidróxido de sódio, tioglicolato de amônio e formaldeído, entram na corrente sanguínea através do couro cabeludo e, em alguns casos, desencadeiam a neoplasia. De acordo com a especialista Alexandra White, epidemiologista da NIH que coordenou a investigação, é preciso realizar novas pesquisas para confirmar os achados em diferentes populações e determinar se os produtos para cabelo contribuem mesmo para o surgimento de câncer uterino.