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Missão da Nasa para 'tocar' Sol encontra poeira fina na estrela

Missão foi enviada para 'tocar' a estrela mais importante do nosso sistema em agosto de 2018

A agência espacial americana (Nasa) divulgou nesta quarta-feira (4) as primeiras descobertas de sua missão inédita enviada para "tocar" o Sol. A sonda Parker Solar Probe (PSP) encontrou uma poeira fina ao redor da estrela. Os cientistas acreditam estar mais perto de uma zona livre desses detritos, devido às altas temperaturas e radiação.

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As novidades descobertas pela Nasa foram publicadas na revista científica "Nature":

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  • Uma poeira fina foi encontrada ao redor do Sol. Os pesquisadores dizem que são restos de asteroides ou cometas. A presença de partículas ocorre em todo o nosso sistema, mas os cientistas acreditam que há menos poeira ao chegar mais perto do Sol, até existir uma zona livre dessas partículas. A missão conseguiu chegar na parte em que os restos de cometas e asteroides ficam mais finos, comprovação e esperança de um dia chegar ao "espaço limpo" próximo ao Sol.
  • "A zona livre de poeira foi prevista há décadas mas nunca foi vista", disse Russ Howard, pesquisador do instrumento WISPR, que captou as imagens. "Conseguimos ver o que está acontecendo com a poeira perto do Sol".
  • Os cientistas encontraram oscilações nos ventos solares (entenda o que são eles abaixo). O fluxo liberado pelo Sol é contínuo, mas distúrbios na viagem feita pelos ventos solares fazem que o campo magnético "se dobre". O fenômeno ainda é inexplicável pelos cientistas.

A missão

A Parker Solar Probe foi lançada em agosto de 2018 em uma primeira viagem da Nasa para "tocar o Sol". A missão enfrenta milhares de graus Celsius para chegar até a estrela mais importante do nosso sistema e, até então, cumpriu três das 24 etapas planejadas para pesquisas na atmosfera do Sol.

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A nave da missão foi projetada para suportar condições brutais de calor e radiação, com uma blindagem que é resultado de anos de pesquisas.

  • A PSP chegou sete vezes mais perto do Sol do que qualquer outra espaçonave;
  • Para suportar as altas temperaturas, ela tem um escudo especial com 11,43 centímetros de espessura;
  • O material suporta temperaturas que passam de 1,3 mil ºC - a superfície do Sol pode chegar a 5,5 mil ºC. A coroa, atmosfera externa, pode ter milhares de graus Celsius. Por isso, a missão irá chegar até um certo limite;

O nome da missão - Parker Solar Probe - é uma homenagem a Eugene Newman Parker, astrofísco de Michigan. Foi ele quem descobriu uma solução matemática para comprovar os ventos solares. Parker recebeu a honra de ter uma missão com seu nome ainda vivo, uma raridade na história da Nasa.

Os primeiros dados sobre o Sol foram enviados há pouco mais de 1 ano. Entre 31 de outubro e 11 de novembro de 2018, a sonda completou a primeira fase de aproximação do Sol pela atmosfera externa (coroa). Em uma das imagens enviadas, é possível ver o brilho de Júpiter em meio aos ventos solares.

Ventos solares

Mas o que são os ventos solares e por que é importante entender mais sobre eles?

Os ventos solares são um fluxo de partículas que sai constantemente do Sol. Essas partículas, basicamente prótons e elétrons, têm uma energia cinética (velocidade) muito grande, como diz a astrofísica Adriana Valio.

Ela explica que essa energia supera a energia gravitacional do Sol. Ou seja: a atração gravitacional, da massa do Sol, é menor na parte da coroa solar - topo da atmosfera da estrela - local de onde saem as partículas.

É a mesma lei que nos segura no chão da Terra e não nos deixa sair flutuando pelo espaço: nosso planeta também tem sua força gravitacional, e é ela que nos prende aqui. No Sol, na parte da coroa, as partículas têm tanta energia que conseguem "escapar" dessa força em um fluxo que é eterno. Isso cria o que chamamos de ventos solares, que são constantes e banham todo o Sistema.

"As partículas acabam então sendo perdidas para o meio interplanetário. E isso é o vento solar. Isso é constante.", disse Adriana.

A Terra, com suas particularidades e seu campo magnético, é em maior parte protegida pelos ventos solares. Mas as auroras boreais, por exemplo, são as partículas cheias de energia dos ventos solares que conseguem escapar e entrar pelos polos do nosso planeta.

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