Vendedor que vive sem braços nem pernas revela superação na orla de Maceió
Entre o vai e vem dos turistas e o som das ondas, ele enfrenta a vida nas ruas da capital alagoana com fé, vendendo doces

“Bem, graças a Deus!” — é assim que ele costuma responder, com um sorriso sereno, a quem pergunta como ele está. A cena se repete todos os dias, na orla de Maceió, onde o homem de 30 anos, sem braços nem pernas, sobrevive com a força da fé e a leveza de quem aprendeu a agradecer até pelo pouco.
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“Eu vendo doce”, conta com simplicidade. Numa cadeira de rodas motorizada, ele percorria as calçadas de Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca oferecendo suas guloseimas e um “Deus abençoe” sincero a cada cliente. Mas há algum tempo, um problema mecânico o obrigou a parar. “Minha cadeira estragou... agora tô juntando um dinheirinho pra consertar.”
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O conserto custa cerca de R$ 1.700. Ele já conseguiu quase tudo, faltavam apenas uns R$ 200. “É meio salgadinho, mas dá certo. Deus sempre prepara”, diz, confiante.
Mesmo imobilizado, ele não perde o ânimo. Conversa, sorri, agradece por cada gesto de carinho que recebe dos moradores e visitantes da orla. Quando alguém pergunta se ele acredita em Deus, a resposta vem imediata: “Demais! Muito mesmo!”


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E, quando avisam que o valor faltante foi alcançado, os olhos dele se enchem d’água. “Vai consertar a cadeira agora?”, perguntam. “Com certeza!”, responde emocionado.
Logo depois, um pedido singelo feito ao influencer Renato Júnior: “Posso orar por você?” As mãos se unem — mesmo que simbolicamente — e a oração ecoa entre o barulho do mar e o vento leve da tarde maceioense. “Em nome de Jesus”, diz ele, em voz baixa. “Amém. Obrigado.”
Naquele momento, não havia ausência, nem dor. Havia apenas a fé de um homem que, mesmo sem os membros, carrega dentro de si a força de quem se recusa a desistir.
“Agora dá pra ir pra casa?”, pergunta o influenciador.
Ele sorri — e a resposta vem como um alívio, um recomeço: “Agora, dá.”
