'Unha e Carne': o que a PF achou na operação que prendeu Canella
Além do deputado eleito Márcio Canella, também foi preso o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio

A 8ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nessa quinta-feira (15/10) contra organização suspeita de usar postos de combustíveis no Rio de Janeiro (RJ) para lavar R$ 7,6 bilhões, resultou na apreensão de veículos de luxo, dinheiro vivo e armas. O deputado estadual eleito pelo RJ Márcio Canella (União) e o delegado Marcus Amim foram presos.
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Conforme balanço divulgado pela PF nesta sexta-feira (16/10), além de Canella e Amim, outras quatro pessoas foram presas.
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O cumprimento de mandados de busca e apreensão resultou na apreensão de diversos itens. Confira:
20 veículos de luxo


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14 celulares;
49 joias e relógios de luxo;
cerca de R$ 90 mil em espécie;
33 armas e munições;
mídias e eletrônicos;
documentos diversos.

Os alvos da operação foram identificados como Canella, Amim, os inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Glaucio Paz da Silva foi alvo apenas de mandado de busca e apreensão.

As investigações
De acordo com as investigações, o esquema investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à Polícia Federal.
Além do crime de organização criminosa armada, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.
As fases da Unha e Carne
Batizada de Unha e Carne, a operação foi iniciada em dezembro de 2025 para investigar um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o Comando Vermelho (CV).
Com o avanço das apurações, a Polícia Federal ampliou o foco da investigação e passou a apurar uma rede de proteção ao crime organizado, que incluiria agentes públicos, parlamentares, integrantes do Judiciário e operadores financeiros.
Durante a 5ª fase da operação, a PF prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por suposta ligação com a chamada Máfia do Cigarro.
Na mesma etapa, a Justiça também decretou a prisão do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio, e do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estava preso.
Na 6ª fase, Canella era alvo de busca e apreensão, mas acabou preso após os investigadores encontrarem um fuzil em situação irregular. Segundo a PF, o fuzil .556 estava no interior de um veículo pertencente a Canella.
As etapas anteriores também tiveram como alvo o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, investigado por suposto vazamento de informações sigilosas, além do deputado estadual Thiago Rangel, preso sob suspeita de participação em fraudes envolvendo contratos da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro.
