Rodoviária do Tietê vira abrigo para sem-teto no frio e na crise

Dezenas de homens, mulheres e crianças estavam ali por causa de uma condição de vulnerabilidade social e para se proteger do frio

Nem todo mundo que ocupava uma cadeira nos setores de espera do terminal rodoviário Tietê, na madrugada desta quinta-feira (19), tinha um destino certo. Dezenas de homens, mulheres e crianças estavam ali por causa de uma condição de vulnerabilidade social e para se proteger do frio.


Na largada dessa reportagem, às 22h, já era possível reconhecer os grupos de pessoas que, ao menos na noite em que os termômetros dessa região na zona norte de São Paulo marcavam 8°C, não encontraram outro lugar para se abrigar de maneira fixa ou temporária. Proliferavam na paisagem os cobertores erguidos até as cabeças e as silhuetas que poucas vezes permitiam que um rosto fosse identificado.


A jornada de sete horas completada pela reportagem foi interrompida às 5h, momento em que o metrô voltou a funcionar na estação que fica no local. No início dela, dois idosos se apoiavam um no outro, dividindo uma mesma manta colorida estampada com o desenho de um cavalo. Ao lado, um homem tremia. Por todo lado havia gente ajustando gorros e cobertores, procurando uma posição menos desconfortável para tirar um cochilo no material rígido de bancadas divididas pelos apoiadores de braços.


O técnico em segurança do trabalho Paulo Rogério Faria, 52, ainda se preparava para tentar um cochilo, se enrolando em um conjunto de manta e agasalho, quando contou à reportagem que usa a rodoviária como abrigo há dois anos, desde que a pandemia começou.


Ele diz que está desempregado desde 2016. Tinha uma residência fixa até o início de 2020 e precisou deixar sua casa por falta de recursos para pagar o aluguel.