Procuradoria pede investigação da Caixa por mudanças no consignado

Pedido é referente às alterações realizadas nos empréstimos oferecidos aos beneficiários do Auxílio Brasil durante as eleições

O Ministério Público ligado ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitou, nesta quarta-feira (30/11), um novo pedido de investigação da diretoria da Caixa Econômica Federal por alterações nos critérios de concessão do empréstimo consignado aos beneficiários do Auxilio Brasil durante o período eleitoral.

A alteração na política de concessão é investigada sob alegação de que tem “finalidade meramente eleitoral” oferecida pelo então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).

Para os procuradores, caso seja confirmado os indícios de que a liberação de crédito para os beneficiados tenha sido usada com objetivo eleitoral pela Caixa, será investigada a responsabilização dos envolvidos. Entre os nomes citados pelo documento estão Bolsonaro e a presidente da instituição, Daniella Marques.

O crédito consignado foi liberado para os beneficiários do Auxílio Brasil no dia 11 de outubro. Entretanto, no fim do mesmo mês, antes do segundo turno das eleições, chegou a ser suspenso a pedido do TCU para mais explicações.

O empréstimo consignado estava suspenso desde o dia 1º de novembro e foi liberado novamente no dia 14 deste mês. A Caixa alega que esse período é necessário para que o banco realize modificações de contas com o governo federal, responsável pela liberação de recursos para o Auxílio Brasil. Assim, o crédito sofrerá com uma interrupção temporária mensalmente.

“Há a possibilidade de a empresa pública haver incorrido em flagrante desvio de finalidade pública, utilizando-se indevidamente de seus recursos e de sua estrutura para interferir politicamente nas eleições presidenciais, situação a demandar notoriamente a atuação do TCU”, declarou o subprocurador-geral Lucas Furtado, responsável pelo pedido.

O Metrópoles entrou em contato com a Caixa Econômica Federal, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.