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PF apreende pelo menos 15 joias na casa de cunhada do ex-governador Cabral

Objetivo da operação é localizar 149 joias, de um total de 189 peças que teriam sido compradas pelo casal para lavar dinheiro de corrupção

A Polícia Federal apreendeu pelo menos 15 joias em endereço ligados a Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), na manhã desta sexta-feira (23). A ação é um aprofundamento da Lava Jato. O objetivo da operação é a localizar 149 de um total de 189 joias que teriam sido compradas para lavar dinheiro de corrupção.

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Os agentes vasculharam o apartamento da cunhada do ex-governador, em Ipanema, Zona Sul do Rio, por mais ou menos uma hora e meia. Foi a própria Nusia quem recebeu os policiais federais. A PF já sabe que algumas joias apreendidas foram compradas por Adriana e teriam sido dadas de presente a uma sobrinha, filha de Nusia.

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Agora, os agentes querem descobrir se as outras também pertencem a ex-primeira dama ou se são da irmã dela, mas foram pagas com dinheiro da propina.

Os agentes também fizeram buscas no apartamento onde vive a ex-governanta de Adriana, Gilda Maria de Souza Vieira da Silva, na Rua Lopes Quintas, no Jardim Botânico.

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De acordo com o Jornal Hoje, a Polícia Civil recebeu informações de que a ex-governanta do casal esteve em uma das joalherias da qual os patrões eram clientes e deixou uma pulseira para avaliação. A Polícia Civil avisou à PF. Essa semana, a Gilda apresentou versões contraditórias sobre a origem da joia.

Além da pulseira, ela entregou à polícia um par de brincos, que seriam da ex-primeira dama. Os policiais não encontraram nada no apartamento dela, mas a busca continua.

Se o ex-governador e Adriana Ancelmo forem condenados, as joias apreendidas serão leiloadas e o dinheiro será devolvido aos cofres públicos.

Ex-governador está preso há sete meses

Cabral está preso desde novembro do ano passado, quando foi alvo da Operação Calicute. Até o momento, as investigações levaram à apreensão de 40 joias no apartamento do ex-governador, que foram avaliadas em R$ 2 milhões. O objetivo, agora, é encontrar as outras peças.

Segundo as investigações, joias e pedras preciosas compradas pelo casal são, sim, prova de crime. Adriana e Sérgio gastaram mais de R$ 11 milhões em joalherias, e a maioria das peças ainda não foi encontrada.

Nusia era funcionária do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), de onde pediu exoneração em dezembro do ano passado. Ela era lotada, desde 2010, no gabinete do conselheiro Aloysio Neves Guedes, que foi eleito presidente do TCE. A irmã de Adriana Ancelmo tinha o salário bruto de R$ 17,2 mil.

Adriana chegou a ser presa em dezembro do ano passado, por ordem do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. No despacho, o magistrado citou o fato de 149 das 189 joias que foram compradas pelo casal não terem sido localizadas como um dos motivos para a prisão.

"Embora as investigações tenham identificado registros nas joalherias investigadas de que Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo adquiriram pelo menos 189 joias desde o ano 2000, somente 40 peças foram apreendidas pela Polícia Federal por ocasião das buscas e apreensões, as quais foram encontradas no cofre do quarto da residência do casal", afirmou o magistrado.

A ex-primeira dama ganhou o direito a cumprir prisão domiciliar no fim de março. Desde então, ela está no apartamento no Leblon onde vivia com o ex-governador.

Outro processo

Neste mês, Adriana foi absolvida pelo juiz Sérgio Moro, em Curitiba, em processo sobre lavagem de dinheiro e corrupção. O Ministério Público diz que vai recorrer e já apresentou nova denúncia.

Nessa ação, o marido de Adriana foi condenado a 14 anos e 2 meses de prisão por ter usado o cargo de governador para pedir e receber vantagem indevida. Segundo a sentença, o grupo comandado por ele recebeu propina do contrato da Petrobras com o Consórcio Terraplanagem Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), formado pelas empresas Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiroz Galvão. Cabral recebeu R$ 2,7 milhões do esquema.

Segundo Moro, não havia prova suficiente de autoria ou participação de Adriana Ancelmo nesse esquema. "Ela beneficiou-se da propina, pois utilizou os recursos provenientes da corrupção para aquisição de bens." Mas, ainda de acordo com o juiz, a ex-primeira-dama disse que não cuidava das compras e que a responsabilidade foi assumida por Cabral. Na denúncia que deu origem a esse processo, investigadores apresentaram notas de compras de móveis de escritório, vestidos de festas e ternos.

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