Petrobras amplia vendas de petróleo para Ásia em meio a tensão global
Segundo Magda Chambriard, Japão, China, Índia e Coreia do Sul passaram a buscar o petróleo brasileiro como alternativa de fornecimento

A Petrobras passou a ser procurada por países que, até então, não compravam petróleo da companhia, segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard. Durante o Rio Oil & Gas, nesta quinta-feira (24), ela citou o Japão como um dos exemplos dessa mudança no mercado internacional.
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Segundo Magda, a Petrobras tentou vender petróleo ao Japão ao longo de anos, sem sucesso. No início deste ano, porém, o governo brasileiro recebeu uma demanda do país asiático interessado em comprar petróleo da estatal.
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“O fato é que nós vendemos, estamos vendendo carga para o Japão”, afirmou Chambriard.
A presidente também citou Coreia do Sul, China e Índia entre os países da Ásia-Pacífico que passaram a procurar a Petrobras como alternativa para o fornecimento de petróleo.


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Para Magda, o movimento está relacionado às preocupações internacionais com segurança energética e à busca por diversificação de fornecedores. Ela afirmou que os compradores não querem concentrar o abastecimento em poucas fontes.
“A Petrobras tem sido uma chance de diversificação para esses agentes compradores de petróleo cru”, disse a presidente.
A executiva afirmou ainda que o aumento da produção da Petrobras ocorre em um momento em que o petróleo brasileiro passa a ser mais procurado no mercado internacional. Segundo ela, a companhia também está revendo sua estratégia para garantir o abastecimento do mercado doméstico.
Diesel
Magda afirmou que a Petrobras avalia ampliar a participação no fornecimento de diesel consumido no Brasil. Segundo ela, o planejamento da companhia historicamente considerava atender cerca de 70% do mercado brasileiro de derivados e deixar os outros 30% para importadores.
Agora, a Petrobras trabalha com uma meta de chegar a 85% de participação no mercado. Diante das restrições às exportações de diesel impostas por Rússia e China e dos rumores sobre uma eventual suspensão das exportações pelos Estados Unidos, a presidente afirmou que a companhia considera avançar para o fornecimento de 100% do diesel consumido no país.
A proposta, segundo Magda, deve ser discutida no planejamento estratégico da Petrobras para o período de 2027 a 2031.
A presidente também defendeu que a estratégia da Petrobras combine segurança energética e transição para fontes de menor emissão.
Magda afirmou que a companhia pretende ampliar sua atuação em biocombustíveis, como etanol e biodiesel, além de produtos coprocessados com óleo vegetal e gordura animal. Segundo ela, petróleo e agronegócio, que disputam atualmente a liderança entre os principais produtos de exportação do Brasil, podem atuar de forma complementar nesse processo.
A Petrobras também avalia investimentos em fontes como solar, eólica e hidrogênio. Magda, porém, afirmou que alguns projetos ainda não apresentam retorno considerado suficiente para os investidores.
Magda afirmou ainda que a Petrobras mantém o compromisso com as metas do Acordo de Paris e pretende investir tanto em projetos que já apresentam retorno quanto em pesquisa e desenvolvimento para tecnologias que possam gerar resultados no futuro.
“A Petrobras está comprometida com o Acordo de Paris, e a transição energética está na nossa mesa, na nossa discussão. Estamos investindo nisso, mas de olho na segurança energética e em uma energia que caiba no bolso da população brasileira”, afirmou.
