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Perícia aponta que um dos tiros que atingiu Maria Eduarda partiu de PM

Informação foi dada com exclusividade pela GloboNews. Peritos analisaram projétil retirado de corpo e concluíram que tiro foi dado por policial preso

Peritos já identificaram que ao menos um dos tiros que atingiu Maria Eduarda, estudante morta dentro da escola em Acari, partiu de um dos dois PMs que foram presos na sexta-feira (31). A informação foi dada com exclusividade pela GloboNews nesta quarta-feira (5).

A perícia confrontou um projétil retirado do corpo da menina de 13 anos com o dos policiais militares e criminosos que trocaram tiros no dia do crime, quinta-feira (30), ao lado da Escola Municipal Jornalista e Escritor Daniel Piza, onde Maria Eduarda estudava. A perícia concluiu que a cápsula era de um fuzil 7.62, usado tanto por traficantes como pela PM.

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Os dois PMs foram presos em flagrante, após a circulação de um vídeo em que aparecem atirando em dois homens feridos, caídos no chão. Em depoimento, também obtido pela GloboNews, eles alegaram que atiraram por se sentirem ameaçados.

A versão apresentada pelo cabo Fábio Barros Dias e pelo sargento David Gomes Centeno, de que os dois homens ofereciam perigo, não convenceu o delegado responsável pelas investigações, André Leiras. Por isso, ambos foram presos logo após serem ouvidos e autuados por homicídio qualificado.

O sargento contou que, por volta das 16h30 daquela quinta-feira, começou uma operação para combater o tráfico de drogas no Complexo de Favelas da Pedreira. A equipe de policiais entrou na comunidade em um veículo blindado da corporação, o chamado Caveirão.

Segundo o militar, ele e o colega Fábio desembarcaram na região conhecida como Barreirinha. O sargento afirmou que, em determinado momento, eles encontraram vários homens fortemente armados no local onde, segundo ele, ficam os traficantes que atuam por lá.

O sargento afirmou que os criminosos atiraram contra ele e o cabo Fábio. Ambos se protegeram atrás de um muro, numa esquina, e revidaram os tiros. Em seguida, eles seguiram adentro na comunidade quando se depararam com os dois homens caídos do lado de fora da escola.

O primeiro homem visto pelos policiais no chão foi identificado como Júlio Cesar Ferreira de Jesus, de 38 anos. O sargento afirmou que Júlio estava ao lado de um fuzil AK 47 com um cartucho carregado. O oficial declarou, ainda, que o cabo Fábio foi quem retirou o fuzil do lado de Júlio César, que teria esboçado "uma reação de confronto", já que estava com uma pistola. Foi então que o cabo atirou contra ele.

No vídeo que registrou a execução dos dois homens é possível ver que um dos policiais recolhe um fuzil ao lado de um dos homens caídos. Porém, não há indícios de que ele tenha tentado reagir. O homem levanta a cabeça e se apoia nos braços, mas aparentemente não parece exibir ameaça antes de ser baleado pelo militar.

O sargento disse que, em seguida, se aproximou do outro homem com mais cautela e verificou que ele portava uma pistola. O oficial alegou que sentiu receio de ser atacado e, por isso, decidiu atirar contra o suspeito.

O vídeo, porém, sugere que o segundo suspeito, identificado como Alexandre dos Santos Albuquerque, não esboçou qualquer reação, aparentando estar desacordado quando o policial se aproximou.

O sargento contou ainda que, enquanto estavam no local, souberam por meio de moradores que uma menina havia sido baleada dentro da escola. Era a estudante Maria Eduarda, de 13 anos, que morreu no pátio da instituição.

O depoimento do cabo Fábio se assemelha ao do sargento. Porém, acrescenta um terceiro suspeito na cena. Segundo o policial, este terceiro homem, que estava junto aos dois outros caídos no chão, portava um fuzil e fugiu ao perceber a aproximação da dupla de policiais.

Segundo o policial, este suspeito se parece com o traficante Peterson Sodré Jorge, de 25 anos, que foi preso na segunda-feira seguinte em um hospital em Duque de Caxias, onde procurou atendimento médico por ter sido baleado.

PMs agiram com excesso, afirma delegado

Segundo o delegado André Leiras, a análise do vídeo permite atestar que as duas vítimas que estavam no chão apresentavam sinais vitais, mas em momento algum pareceram esboçar qualquer reação que ameaçasse os PMs. Para o delegado, houve excesso por parte dos dois militares.

Ainda segundo o delegado, "não há que se falar que os policiais militares agiram no estrito cumprimento do dever legal, pois em momento algum o ordenamento jurídico autoriza os agentes do estado a ceifar a vida de criminosos que já estejam neutralizados".

O relatório da Divisão de Homicídios destacou ainda que o relato dos PMs de que o clima era hostil naquela ocasião é incompatível com o que as imagens registradas pelo vídeo revelam, pois os dois militares "se comportavam de forma normal, como se não houvesse nenhum tipo de anormalidade".

O delegado acrescentou no relatório, ainda, que "há clara dissonância entre a realidade dos fatos e as declarações" dos dois PMs.

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