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Pai chuta filha no PR: entenda os danos da violência na vida das crianças

Especialista alerta que situações traumáticas geram medo, culpa e rejeição nos menores, podendo afetar também no seu des


				Pai chuta filha no PR: entenda os danos da violência na vida das crianças
Reprodução.

Um homem foi flagrado por câmeras de segurança chutando o rosto da própria filha, de apenas 3 anos, em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. O suspeito compareceu à delegacia nesta quarta-feira (8), onde confirmou a agressão e afirmou que reagiu desta forma após se irritar com o choro dela.

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A criança passou por exame de lesão corporal, e o laudo pericial ainda é aguardado pela Polícia Civil.

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O caso reacendeu o debate sobre a violência infantil. Além das possíveis consequências físicas, a CNN Brasil entrevistou a educadora Priscilla Montes, especialista em Neuroeducação e Desenvolvimento Infantil, que explicou que episódios de violência como esse podem provocar graves danos emocionais, especialmente quando são praticados pela principal figura de cuidado da criança.

Nessa fase da vida, ela ainda está desenvolvendo sua capacidade de compreender e regular emoções. Quando recebe violência em resposta ao choro, que é uma forma natural de comunicação infantil, pode associar a expressão dos próprios sentimentos ao medo, à culpa e à rejeição", explica.

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Priscilla Mendes, educadora e especialista em Neuroeducação e Desenvolvimento Infantil, certificada pela Positive Discipline Association (PDA) e pós-graduanda em Neurociências e Desenvolvimento Infantil pela PUC-RS

Ainda de acordo com Priscilla, essa experiência pode desencadear insegurança emocional, ansiedade, baixa autoestima e dificuldade para confiar em adultos. Também existe o risco da criança passar a reprimir suas emoções por medo de sofrer novas punições.

As consequências da violência na infância não se limitam apenas ao momento da agressão. Segundo a especialista, essas experiências podem influenciar a forma como a criança irá se relacionar consigo mesma e com outras pessoas ao longo da vida.

"Em alguns casos, a pessoa pode parecer mais fechada emocionalmente, mas isso não significa que sinta menos. Muitas vezes, trata-se de um mecanismo de proteção desenvolvido diante das experiências vividas", explica.

Os abusos físicos e psicológicos sofridos por elas também pode interferir diretamente no desenvolvimento neurológico.

Segundo Priscilla, a exposição frequente ao estresse aumenta a produção de hormônios como o cortisol. Quando essa resposta ocorre de forma repetida durante a infância, pode prejudicar o desenvolvimento de áreas do cérebro responsáveis pelo controle emocional, memória, aprendizagem e funções executivas.

"As crianças aprendem muito pela observação. Se a violência é utilizada como forma de resolver conflitos ou controlar comportamentos, existe o risco de que ela seja incorporada como um modelo de interação social. Isso significa que a criança pode reproduzir comportamentos agressivos com colegas, irmãos ou, futuramente, em relacionamentos afetivos e na criação dos próprios filhos", explica.

Ainda segundo Priscilla, crianças pequenas não possuem maturidade neurológica suficiente para controlar impulsos ou expressar emoções da mesma forma que um adulto. O ideal é que os pais acolham os sentimentos dos filhos.

Pais podem ser responsabilizados por agredir os filhos?

No Brasil, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) assegura às crianças seus direitos básicos, incluindo uma educação sem castigos físicos e psicológicos.

Dependendo da gravidade da agressão, os responsáveis podem responder nas esferas criminal e civil, além de ficarem sujeitos a medidas protetivas determinadas pelas autoridades.

Veja o que diz o Art. 136. do ECA:

XIII - adotar, na esfera de sua competência, ações articuladas e efetivas direcionadas à identificação da agressão, à agilidade no atendimento da criança e do adolescente vítima de violência doméstica e familiar e à responsabilização do agressor;

XIV - atender à criança e ao adolescente vítima ou testemunha de violência doméstica e familiar, ou submetido a tratamento cruel ou degradante ou a formas violentas de educação, correção ou disciplina, a seus familiares e a testemunhas, de forma a prover orientação e aconselhamento acerca de seus direitos e dos encaminhamentos necessários; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência

XV - representar à autoridade judicial ou policial para requerer o afastamento do agressor do lar, do domicílio ou do local de convivência com a vítima nos casos de violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente;

O nome do homem não foi divulgado pelas autoridades, por este motivo a CNN Brasil não conseguiu localizar sua defesa. O espaço segue aberto.

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