Novo anuncia cinco medidas contra Andrei Rodrigues após afastamento da PF
Partido pede prisão, investigação criminal, processo disciplinar, ação por improbidade e exoneração definitiva do diretor-geral da Polícia Federal, afastado nesta terça (8)

O partido Novo anunciou nesta terça-feira (8) um pacote de cinco medidas contra o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, horas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar seu afastamento do comando da corporação.
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A ofensiva ocorre em meio à crise envolvendo a Polícia Federal e ministros do Supremo.
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Na decisão, Mendonça também afastou preventivamente o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
O ministro afirmou ter sido alvo de monitoramento sistemático e ilegal pela inteligência da corporação e apontou irregularidades em relatórios produzidos sobre sua atuação e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias.


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Segundo Mendonça, foram produzidos ao menos seis relatórios entre 3 e 31 de agosto com análises sobre sua atuação.
O ministro classificou a situação como de “superlativa gravidade” e afirmou que as medidas eram necessárias para preservar as prerrogativas do Judiciário, da advocacia pública e da própria atividade policial.
Novo pede prisão e investigação de Andrei Rodrigues
O Novo afirma que pretende atuar em diferentes frentes para responsabilizar o diretor afastado da PF. Entre as medidas está um novo pedido de prisão apresentado ao ministro Edson Fachin, presidente do STF.
O partido argumenta que as informações divulgadas apontam para um possível monitoramento ilegal de autoridades da República, especialmente de André Mendonça.
Esse é o segundo pedido de prisão apresentado pelo Novo contra Andrei Rodrigues. O primeiro foi protocolado no último dia 3 de setembro e, segundo o partido, antecedeu a decisão que determinou o afastamento do diretor-geral da PF nesta terça-feira.
“O aparato de investigação do Estado não pode ser transformado em instrumento de vigilância contra autoridades. Estamos falando de possíveis ilegalidades que atingem diretamente o Estado de Direito”, afirmou o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro.
O partido também apresentou uma notícia-crime ao vice-procurador-geral da República para pedir a apuração da conduta de Andrei. A representação sustenta que, caso seja comprovada a realização de apurações sobre autoridades sem autorização judicial, podem ter ocorrido crimes como abuso de autoridade.
Partido aciona Corregedoria da PF contra Rodrigues
Na esfera administrativa, o Novo, junto com o senador Rogério Marinho (PL-RN) e os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Cabo Gilberto (PL-PB), acionou a Corregedoria da Polícia Federal para pedir a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
A representação cita, entre as possíveis irregularidades, o suposto vazamento de informações sigilosas obtidas em razão do cargo.
Para o partido, caso as acusações sejam confirmadas, a conduta também poderá configurar improbidade administrativa.
Novo pede exoneração de Andrei ao Planalto
A ofensiva também chegou ao Palácio do Planalto. Em ofício dirigido à Presidência da República, o partido e os parlamentares da oposição pedem a exoneração de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
Embora já esteja afastado preventivamente por decisão de Mendonça, o pedido busca a retirada definitiva de Rodrigues do comando da corporação.
O Novo afirma que a medida é necessária diante das suspeitas envolvendo a produção e o uso de relatórios de inteligência sobre autoridades da República.
Antes da decisão desta terça, Andrei Rodrigues participou ontem da solenidade oficial de comemoração do 7 de setembro, ao lado do presidente Lula, em Brasília.
Partido pede ação por improbidade
A quinta medida foi encaminhada ao Ministério Público Federal do Distrito Federal. O Novo pede que seja ajuizada uma ação de improbidade administrativa contra Andrei Rodrigues caso sejam confirmadas as irregularidades apontadas.
Ao anunciar o pacote, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que só o afastamento de Rodrigues não seria suficiente para o partido.
“Não basta afastá-lo do cargo. É preciso descobrir quem ordenou, quem executou, quem sabia e quem se beneficiou desse esquema”, afirmou Van Hattem.
O parlamentar também defendeu que sejam investigados eventuais outros casos de monitoramento de cidadãos ou autoridades pela Polícia Federal.
Afastamento de Andrei amplia crise entre PF e STF
A decisão de André Mendonça aprofundou uma crise que envolve a cúpula da Polícia Federal e diferentes ministros do Supremo Tribunal Federal, como Alexandre de Moraes e André Mendonça, por processos envolvendo o Banco Master.
O afastamento de Andrei Rodrigues foi inicialmente determinado de forma monocrática por Mendonça, mas a Segunda Turma do STF já formou maioria para manter a medida, com os votos de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento, porém, foi interrompido após pedido de vista do decano Gilmar Mendes.
Na direção da PF, William Murad, então diretor-executivo da corporação e braço-direito de Andrei, assumiu interinamente o comando.
A crise ganhou dimensão política em meio à disputa eleitoral de 2026, com a oposição utilizando o afastamento para reforçar críticas à atuação da Polícia Federal e ao governo Lula.
Para o Novo, as cinco medidas têm como objetivo levar o caso às esferas criminal, administrativa, disciplinar e política. As acusações apresentadas pelo partido e os possíveis ilícitos apontados, no entanto, ainda dependem de investigação e comprovação pelos órgãos competentes.
